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Miscrisk. Detetor de mentiras para aceleradoras e incubadoras

Pedro Almeida é professor de criminologia e um dos investigadores principais da Miscrisk. (Rui Oliveira/Global Imagens)
Pedro Almeida é professor de criminologia e um dos investigadores principais da Miscrisk. (Rui Oliveira/Global Imagens)

Projeto de investigação desenvolvido a partir da Universidade do Porto recebeu bolsa de 200 mil euros da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Dentro de dois anos e meio, as incubadoras e aceleradoras de startups vão ter uma espécie de detetor de mentiras. Este deverá ser o resultado do projeto de investigação Miscrisk, desenvolvido a partir da Universidade do Porto e que pretende acabar com as falsas informações prestadas por alguns fazedores para conseguirem investimento.

“Vamos atrás de características de personalidade e organizacionais, nas incubadoras, que façam com que possa haver maior probabilidade de um empreendedor ter comportamentos como mentir a investidores e dizer que tem um produto acabado quando não tem um produto acabado”, explica Pedro Almeida, um dos dois investigadores principais do projetos.

Dentro da comunidade, estes comportamentos, “por vezes, são vistos como aceitáveis. A fronteira entre o aceitável e não aceitável é muito fluida”, entende este professor de criminologia.

É por essa razão que a equipa de Pedro Almeida entende que é necessário definir “quais são os fatores de personalidade que mais facilmente podem levar a saltar essa fronteira”.

O projeto conta com uma bolsa de 200 mil euros e tem o envolvimento de especialistas das áreas da economia, psicologia/neurociência, Direito e criminologia.

“Queremos fazer um instrumento de avaliação de risco para as incubadoras e recomendar que sejam feitas alterações na estrutura tendo em conta as características das pessoas que vão entrar numa ronda de um programa de aceleração”, explica.

A construção deste detetor de mentiras vai passar por três fases e irá implicar a descoberta dos acontecimentos que podem levar a cometer uma fraude.

Na primeira fase, “vamos entrevistar muitos empreendedores, investidores e gestores de programas de aceleração, em grupos de oito a dez pessoas, em Portugal e no estrangeiro”.

Na fase dois, será construída uma escala para definir comportamentos aceitáveis e não aceitáveis, com o contributo de 300 fazedores.

Na fase três, cerca de 1000 empreendedores terão acesso aos instrumentos de avaliação e que poderão ser utilizados em programas de incubação.

O projeto começou com uma perceção no mundo da criminologia: “apesar de olhar, há muito tempo, para os crimes de colarinho branco, nas empresas, nunca olhou a sério para o empreendedorismo e as startups.”

A equipa de Pedro Almeida, a partir dessa perceção, começou a perceber que “algumas das características de personalidade que classicamente têm sido associadas ao comportamento anti-social, como a maquiavelia, o narcisismo, falta de ansiedade ou ousadia, são apontadas como fatores que de alguma forma potenciam o sucesso dos empreendedores”.

Essas características estão associadas a “indivíduos com pouco medo e que não se deixam influenciar. Aparecem normalmente como empreendedores de sucesso”. E, pior do que isso, “as incubadoras querem ter mais pessoas deste género”.

Comportamentos como esses, contudo, “podem estar associados a zonas morais mais cinzentas” no mundo do empreendedorismo. Uma área “emergente, altamente desregulada, que parece atrair personalidades com este tipo de comportamentos”.

Entre o final de 2021 e o início de 2022, as incubadoras e aceleradoras portuguesas já terão um detetor de mentiras e poderão ser organizações mais transparentes.

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