Mobitto: "Empreendedorismo é mito"

Diogo Teles e José Simões conheceram-se por acaso, apresentados por um professor universitário do primeiro (e amigo do segundo), na Universidade de Aveiro.

José Simões andava à procura de um sócio - uma pessoa que quisesse entrar com ele num negócio: uma aplicação móvel de descontos em tempo real. Diogo trabalhava na altura numa empresa, mas alinhou. Às dez horas de trabalho diário começou a juntar mais de metade: a Mobitto começou assim, entre conversas de Skype, à distância.

Siga o Dinheiro Vivo no Facebook e conheça todas as histórias dos Fazedores.

Pouco tempo depois, José e Diogo mudaram-se para Madrid. A empresa tinha sido aceite na Startupbootcamp (membro do Global Accelerator Program) na capital espanhola. "É a recordar esta história que vejo que não tem magia nenhuma", diz Diogo Teles.

Da ideia - que surgiu a propósito do mestrado de José sobre as questões de personalização de publicidade - passaram ao conceito da empresa. A Mobitto nasceu como aplicação móvel de descontos em tempo real, de maneira a que as empresas aderentes pudessem dar conta de ofertas de última hora e que os utilizadores pudessem usufruir de preços e condições especiais.

Era preciso investir (ao todo, José e Diogo terão investido cerca de 30 mil euros) e poupar. Por isso, em Madrid viviam com uma terceira pessoa num T0. E, sempre que regressavam a Lisboa, comiam em casa dos pais do José para pouparem nas refeições. Só que quase nunca se acerta à primeira.

"Criámos uma plataforma de promoções em real time mas percebemos que nunca iria funcionar na Europa por duas razões: existem muitos tubarões na área e, passado pouco tempo, os pequenos empresários - os principais parceiros - e os clientes deixariam de usar a aplicação porque, por serem tão próximos, podiam interagir pessoalmente. Aí, deixávamos de ser uma mais-valia", justifica Diogo.

Depois de Madrid, regressaram a Lisboa: queriam encontrar pessoas que acreditassem no projeto e quisessem fazer parte da equipa. O processo não foi fácil: Diogo recorda que é difícil para as pessoas desistirem dos trabalhos mais estáveis e apostarem num projeto sem garantias, mesmo que acreditem nele. Mais recentemente, juntaram-se à equipa dois programadores e um designer, além de existirem mais duas pessoas das áreas de comunicação e marketing a colaborar com a Mobitto. Sete pessoas ao todo, portanto.

A estratégia também mudou. "Foi um processo de tentativa e erro", explica Diogo. Foi só depois que a equipa Mobitto chegou à fórmula atual: uma aplicação que funciona por loyalties. Permite recomendar locais de preferência como empresas ou lojas e dá acesso a descontos e promoções - que podem ser prémios - através das recomendações dadas pelos utilizadores. Além dessas recomendações, é possível às empresas fazerem promoções in loco.

Por exemplo, uma sala de cinema que esteja vazia à hora de um filme de ação pode direcionar a sua oferta, notificando os homens entre os 20 e os 30 anos de que terão um desconto se assistirem a essa sessão. Ou seja, criar uma promoção para um nicho de clientes.

"Queremos fazer evoluir a aplicação no sentido do contexto e, para isso, conhecer as pessoas que usam a aplicação. Num dia em que esteja a chover, o mood das pessoas não é tão positivo como quando está sol. Queremos que as empresas usem essas valências, no sentido de poderem personalizar as ofertas", detalha.

Só que a mais recente personalização deu um contexto diferente à Mobitto. A equipa queria um investidor que servisse de embaixador à marca. O nome de Cristiano Ronaldo surgiu naturalmente. "Planeámos uma agressiva estratégia de marketing. Depois de tentarmos o contacto, apresentámos o projeto e o road map que queremos para a empresa", recorda Diogo Teles.

O craque do Real Madrid tornou-se o mais recente investidor da tecnológica e serviu de cartão de visita a José, em road show pelos EUA para apresentar a empresa. É que, se no mercado nacional a Mobitto quer chegar às mil lojas e aos 150 mil utilizadores no próximo ano, o mercado internacional deve chegar a números bem mais ambiciosos: um milhão de utilizadores nos três primeiros meses do ano.

O modelo da empresa assenta num semelhante ao do Google AdWords, uma espécie de "encontro amoroso" harmónico entre o "Foursquare e a Groupon". "O empreendedorismo é um mito. Temos é de criar um produto fantástico. Tão, mas tão bom, que faça as pessoas pensar que não viam nada assim desde o pão fatiado", sublinha. Siga a Mobitto no Facebook.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de