Moda das hortas urbanas já chegou

Quanto mais a vida nas cidades se torna irrespirável, mais se intensifica o apelo rural que tem vindo a traduzir-se em hortas urbanas nas maiores cidades do país. Mas quem não tem uma horta, faz o quê? A <a href="www.noocity.com">Noocity</a> criou duas soluções - a Growbed ou os Growpockets - que permitem criar uma horta à medida do espaço de que dispõe, seja uma varanda, uma parede, um terraço ou, até, uma janela.

“Já há vários tipos de vasos, mas isto não são meros vasos”, explica José Ruivo, um dos fundadores da empresa portuense, formado em Gestão de Empresas. “A Growbed dispõe de um sistema de irrigação desenvolvido por nós que, além de poder ter uma autonomia de duas a três semanas, poupa até 80% de água porque não há evaporação e, ainda, é ideal para quem é principiante e nunca sabe se regou de mais ou de menos. Com este sistema, a planta vai buscar a água de que precisa e, não sofrendo do que chamamos de stress hídrico, ainda se desenvolve mais: a produtividade pode ser o dobro da habitual”, resume o gestor.

José Ruivo, 37 anos, Pedro Monteiro, 26, e Samuel Rodrigues conheceram-se no Brasil, no Tibá (Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura), onde realizaram experiências em agricultura e permacultura – na época, um hobbie que todos desenvolviam “de forma muito intensa, sempre com paixão pela ecologia e pela sustentabilidade”. Já em Portugal, com o objetivo de desenvolver uma horta no terraço, em abril do ano passado, criaram os primeiros protótipos da Growbed e dos GrowPockets (são mesmo sacos, especiais, que podem pendurar-se na parede, numa janela, em qualquer lugar) e, visto não haver nada semelhante no mercado, decidiram criar a própria empresa. “Entretanto, o Samuel Rodrigues, que é arquitecto, teve uma proposta de trabalho irrecusável em Bioarquitetura para a Índia, mas, entretanto, recrutámos a Leonor Babo, que é a nossa diretora de comunicação”, explica José Ruivo. Pedro Monteiro, o terceiro sócio fundador, domina as Relações Públicas, o que explica parte da estratégia da empresa.

“Estamos a produzir muitos elementos de comunicação apelativos, fáceis de interpretar, acessíveis ao nosso público-alvo, que não é agricultor, nem tem de dominar as publicações específicas, mas para que saiba o suficiente para se sentir à vontade para cultivar a sua horta. Outra preocupação é ter os conteúdos em formatos facilmente legíveis em suportes como o telemóvel ou os tablets, porque, no fundo, dirigimo-nos a agricultores muito ligados à tecnologia”, adianta José Ruivo.

Além desse “Borda D’Água” digital que a equipa da Noocity produz, em parceria com a Universidade Agrária de Coimbra, a empresa quer manter também uma assistência muito próxima dos clientes. Por isso, neste momento está a aceitar inscrições para revendedores e procura, preferencialmente, pessoas com um perfil semelhante a profissionais que encontraram em Espanha. “Os instaladores de hortas são pessoas que instalam hortas, guiam o cliente, vão passando por lá para fazer manutenção, percebem do assunto. Muitos são desempregados que criaram o próprio emprego dessa forma e já temos alguns desses prontos a começar a trabalhar connosco”, desvenda o responsável.

As vendas começaram há apenas dois meses, a pensar principalmente no cliente individual, mas depressa a componente coletiva ganhou força e poderá ser a mais forte, segundo José Ruivo. Para as escolas, além de os produtos serem vendidos com desconto de 20%, foi criada uma plataforma de Crowdfunding que permite que a escola angarie donativos de pais, amigos, funcionários ou outras entidades. “Já fomos contactados por várias escolas, de Lisboa e do Porto, interessadas em ter hortas, mas como arrancámos no final do ano letivo, temos o desenvolvimento marcado para setembro. Também já fomos contactados por autarquias, que poderão assumir uma parte dos custos e colocar o restante para financiamento coletivo. Acho que não é difícil ver o potencial que estas hortas têm para a educação, seja para a integração com os conteúdos escolares, desde a biologia à matemática, seja porque os miúdos que até podem não gostar de legumes já são capazes de os comer se os tiverem cultivado”, resume José Ruivo.

E da parte de restaurantes e hotéis o interesse também despertou rapidamente, quer na perspetiva de rentabilização de espaços livres, quer para assegurar legumes e ervas aromáticas frescas para consumo próprio. “Já instalámos a primeira horta, no restaurante Cafeína, no Porto, e temos contactos de vários hotéis interessados em ter hortas no terraço, em Lisboa e no Algarve, por exemplo”, revela o empreendedor.

Com um investimento inicial de 30 mil euros, a Noocity espera faturar, este ano, pelo menos 36 mil euros. “Estamos a negociar parcerias para iniciar a comercialização dos nossos produtos em Itália, no Reino Unido e na Alemanha, o que, a acontecer, irá aumentar as nossas previsões de vendas”, adianta José Ruivo. Para o ano, além da patente europeia de um novo modelo de Growbed, estão na calha novos produtos, nomeadamente um vermicompostor e uma estufa. Produzidos inteiramente em Portugal, os GrowPockets têm preços a partir de 35euro e as GrowBed desde 139euro e podem ser adquiridos, também, na loja online da Noocity.

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