Modatta: Dados do telemóvel dão dinheiro aos utilizadores

Plataforma junta empresas e consumidores com informação anónima e mais ganhos para todos. Depois do teste em 2019, solução chega finalmente ao mercado e quer ir para fora.

A Modatta criou uma aplicação que transforma os dados dos utilizadores de telemóveis numa fonte de rendimento. A solução garante a privacidade dos consumidores junto das empresas parceiras. Eduardo Pinto Basto e Rodrigo Moretti fundaram a plataforma em 2019 e apontam ao mercado internacional já a partir do final deste ano.

A aplicação disponibiliza ofertas das empresas para os utilizadores. Por exemplo, numa marca de roupa, se fizer uma compra pela internet, no final do processo pode receber 50 cêntimos no saldo da conta. A recompensa, no entanto, depende dos dados fornecidos pelos particulares, de forma anónima: se a informação não tiver qualidade, não há pagamento.

"Graças aos dados, conseguimos que as empresas definam precisamente o público-alvo de uma campanha. A marca pode pagar 10 cêntimos para ver um vídeo até ao final", exemplificam os fundadores.

Quem usa a Modatta também sabe "como os dados estão a ser utilizados e consegue tomar uma decisão informada sobre se quer ou não aceitar uma oferta". O telemóvel também funciona como uma fonte de armazenamento de dados, para garantir que tudo é verdadeiro.

Por cada campanha que as empresas realizam na plataforma, o utilizador recebe uma fatia de 40%; a mesma percentagem é distribuída para a startup; os restantes 20% são distribuídos pelos outros utilizadores.

As empresas não pagam diretamente aos consumidores: primeiro, o dinheiro vai parar à Modatta, que depois faz a distribuição das verbas e emite as faturas. A compensação pelo uso dos dados é atribuída assim que o saldo atingir um valor mínimo. Quando mais ofertas forem aceites, mais depressa o dinheiro entra na conta.

Com o telemóvel como o centro da aplicação, é preciso arranjar espaço para acomodar a informação. "Estamos a testar as fronteiras da tecnologia, pelo que tentamos ser muito eficientes na quantidade de dados que trazemos para o telemóvel. Não preciso de armazenar todo o histórico de pesquisa para definir o padrão. Só trazemos para o telemóvel informação utilizável e útil."

Eduardo e Rodrigo lançaram a Modatta depois de terem tentado aplicar o regulamento geral de proteção de dados em multinacionais portuguesas. "Nenhuma empresa parou para pensar e colocar o cliente no centro da solução", segundo os dois colegas de licenciatura em Engenharia Informática.

A primeira vida da Modatta teve o desafio de tentar convencer que poderiam ganhar dinheiro com os dados sem violar a privacidade. Os dois fazedores participaram na Web Summit de 2019 e apresentaram a solução no concurso de startups. Em seis meses, conseguiram 110 mil utilizadores e 50 campanhas pagas.

A ronda de investimento de 300 mil euros em pré-semente (pre-seed) foi o corolário do trabalho da dupla e implicou "parar um comboio que estava a crescer 10% por semana e que não estava a responder a todas as necessidades". Após um ano na sombra, a Modatta renasceu, com uma equipa de sete pessoas e a preparar-se para uma nova injeção de capital.

Com mais dinheiro na conta e o dobro dos trabalhadores, a plataforma quer chegar a Espanha, Alemanha e ao norte da Europa até ao final deste ano. Seguem-se destinos como Reino Unido, Brasil e Estados Unidos.

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