MOTO Lisbon. Este triângulo liga governos, startups e multinacionais

James Muscat e Marina Ostrowski juntaram-se na capital para transformar uma antiga loja de peças para barcos

James Muscat, da Austrália, e Marina Ostrowski, nascida no Azerbaijão, conheceram-se em outubro de 2014 numa galeria de arte em Lisboa. De contextos completamente diferentes, começaram a trabalhar juntos. Graças a isso e quase dois anos depois, nasce a MOTO Lisbon. Não, não tem nada que ver com motos. Quer é ser mais um motor de mudança da capital portuguesa e estar no centro do triângulo, como explica Marina ao Dinheiro Vivo.

“Imaginem um triângulo: num dos vértices temos as multinacionais, os grandes investidores e as marcas; noutro temos a área do conteúdo, os artistas, os criativos e as incubadoras; por último, temos a parte da regulação, com o governo e os municípios.”

A virtude da MOTO Lisbon é “criar valor e poder partilhá-lo com as pessoas, de forma sustentável”. Marina completa: “Não dizemos que queremos mudar o mundo. Queremos tornar Lisboa numa cidade melhor e puxar pela marca Portugal.”

Marina e James sentiram que “havia alguma falta de ligação entre algumas plataformas” da cidade. “Há investidores que não sabem o que se passa aqui a nível cultural.”

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Apesar de sentir alguns receios sobre o futuro da cidade, James acredita que Lisboa está no caminho certo. “Sentimos que Lisboa é um espaço que ainda pode crescer muito. Tem um lado trashy, underground, decadente e artístico, ao mesmo tempo, muito interessante. Não é para toda a gente mas muitos sentem-se confortáveis e em casa”.

E será possível definir o que é a MOTO Lisbon? “Queremos juntar locais e estrangeiros para partilhar ideias e experiências. Lisboa é uma cidade muito multicultural. Tanto podemos acelerar startups como poderemos ter aqui um futuro CEO como mentor ou consultor”, acrescenta o australiano.

Este espaço na Rua de São Paulo, entre o Cais do Sodré e Santos, tanto vai funcionar como galeria de arte como espaço de coworking e também um local de angariação de investimentos. Na entrada é possível ver uma exposição de Heberth Sobral, artista visual brasileiro que trabalha com peças da Playmobil.

Ainda no mesmo andar, encontramos o gabinete de Martina, que está decorado com peças que sobraram da antiga loja que ocupava este espaço. No andar de cima vê-se o espaço de coworking (trabalho partilhado), com capacidade para dez pessoas. A dupla investiu cerca de 10 mil euros para transformar a antiga loja de peças para barcos.

James e Marina sentem-se como embaixadores de Lisboa. James passou pela primeira vez no nosso país em 1995. Tinha 12 anos e estava em viagem. Voltou seis anos depois para estudar na capital. Voltaria a sair para passar algumas temporadas em cidades como Madrid, Paris e Telavive. Regressaria a Lisboa em 2013. “Voltei cá e apaixonei-me de novo”, sente o australiano, que desde então não saiu da cidade.

A paixão pela capital levou-o a instalar outras três startups no mesmo prédio da MOTO Lisbon. Trata-se da Ondacity, uma plataforma de arrendamento de quartos em Lisboa; da moviinn, aplicação que ajuda as pessoas, seja em lazer seja em trabalho, a viajar para outra cidade; e da Mondino, uma empresa que presta consultoria a investidores internacionais no mercado ibérico imobiliário. Há ainda o Surf Office, um outro espaço de coworking que serve para os estrangeiros permanecerem em Lisboa durante uma semana, com alojamento incluído.

O percurso de Marina é um pouco diferente. Nasceu no Azerbaijão “nos tempos em que ainda havia a União Soviética”. Estudou Direito em Colónia, na Alemanha, mas foi na área criativa que começou a trabalhar a partir de 2000. É fundadora e diretora da Marina Os, entidade que faz a ponte entre artistas talentosos e museus, produtores, investidores e governos. Passou pela primeira vez em Portugal em 2014.

“Vinha para ficar um mês. Passou para dois e fiquei um ano. Decidi ficar ao fim desse ano e comecei a entrar em vários projetos. Cheguei a trabalhar para o grupo Pestana como consultora do projeto Cidadela Art District.”

Parcerias

Para ajudar a criar pontes entre locais e investidores, a MOTO Lisbon vai contar, logo à partida, com três parceiros. A Tradiio, a aplicação de música que liga fãs e artistas, liderada por Miguel Leite; a BeArt, uma plataforma de financiamento colaborativo (crowdfunding) que apoia artistas e instituições ligadas à arte a conseguir verbas para concretizar projetos; e a revista Time Out Lisboa.

A dupla fundadora desde projeto quer estender esta rede de contactos e está à procura de mais agentes culturais que possam dinamizar o MOTO Lisbon.

E onde querem o conceito MOTO daqui a dois anos? A expansão para cidades como Porto, Madrid ou Barcelona está a ser pensada. Mas Marina e James querem mais: “Gostaríamos de saber que teríamos contribuído positivamente para esta cidade e ajudar Lisboa a tornar-se mais sustentável e uma referência mundial.”

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