TEDXOPORTO

Mudar o chip para falar de temas comuns

Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues, marias capazes de tudo.
Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues, marias capazes de tudo.

Falar das mesmas coisas com uma visão diferente, uma nova perspetiva. Este foi o mote que serviu de base aos nomes que integraram o segundo painel do TEDxPorto.

“O que é estar perdido? É não sabermos onde estamos localizados”, pergunta e responde Lu do Valle, a abrir o segundo painel do TEDxOporto, na Alfândega do Porto. A fazedora explica que estar perdido traz desconforto e que esse desconforto traduz-se em frustração e conduz a uma má sensação das cidades que pode levar a uma baixa no turismo.

Hoje, quando viajamos, usamos mapas de papel, digitais, perguntamos na rua, olhamos para as placas de toponímia. Lu do Valle propõe que esses objetos desapareçam em detrimento de um projeto de design chamado City Cos.

E o que é o City Cos? É uma maneira de fazer com que o número de pessoas – 63% – que tende a perder-se nas cidades, possa deixar de se perder.

“Peguei no meu maior defeito e desejei que as pessoas deixassem de se perder.”, esclarece. Desenhou um GPS humano que vai fazer com que as pessoas deixem de se perder, não querendo perder-se, uma maneira de construir uma nova forma de visitar as cidades, contribuindo para as “cidades do futuro”. Em linhas gerais, o City Cos com geolocalização mas sem precisar de internet, wifi, ou outro tipo de tecnologias. “Proporciona o exercício mental, não delegando essa competência ao digital. O que pretendo é que o cérebro passe a ser tecnologia e que a tecnologia possa tornar-se biológica“, esclarece.

Como mudar as cores do mundo?

Luís Certo diz que os objetos falam. Sim, leu bem. Foi a partir dessa ideia que, com a equipa de desenvolvimento, criou a Lapa. O aparelho não é mais do que um sensor que se cola aos objetos e permite encontrá-los através de uma aplicação.

“De uma coisa eu estou certo: a viagem do presente para o futuro está cada vez mais rápida. Apertem os cintos, aqui vamos nós“, disse, sublinhando que há empresas em todo o mundo a trabalhar no âmbito da internet das coisas, dos “objetos inteligentes”. Imagine o que seria nunca mais perder uma mala num aeroporto, as chaves do carro ou poder colar uma Lapa ao seu animal de estimação para ele nunca desaparecer?

Leia mais: Lapa: “Perdidos e achados” da era digital

Gesso como património

Iva Viana dormiu num quarto com o teto com estuque trabalhado até ao dia em que uma infiltração lhe acabou com o “céu estrelado”. Foi a pensar no teto “nunca fotografado” que Iva começou a investigar e a falar com estucadores. “O que pretendia dessas conversas era fazê-los acreditar que a arte deles não está a acabar e que pode ser preservada”, explicou esta manhã na Alfândega do Porto.

Foi recolhendo espólio que hoje serve de inspiração aos seus trabalhos e, além disso, pode servir de ponto de partida para voltar a “pôr o estuque no mercado”, confessou.

O poder das palavras

Sandra Duarte Tavares acredita que as palavras não são como o vento. “As palavras têm carga afetiva (…) conseguem ter alguma ambiguidade.”, explicou à audiência. “A comunicação é feita de palavras que se relacionam entre si.”, disse.

“A língua tem que ser como um rio, não como uma montanha. Atenção que algumas palavras são um atropelo à comunicação.”, acrescentou.

Cuidar de nós

A primeira contratação que Hugo Veiga fez para a agência que criou há oito meses em S. Paulo foi consequência de um projeto pessoal desse candidato. “Estamos na indústria do novo: temos que correr riscos. Senão vamos estar a replicar formas que já existem. Nós estamos à procura de clientes ousados e não de marcas conhecidas”. Por isso, Hugo decidiu premiar um projeto inovador.

“Há o outro lado do coração que me tem fascinado imenso: as pessoas. Temos selecionado pessoas que partilham a mesma paixão que nós. No processo de seleção, damos mais importância aos processos pessoais das pessoas do que os projetos que fizeram noutras agências.”, explica, sobre a política de contratação da AKQA Brasil.

Leia mais: Novos criativos da AKQA Brasil: “Foco serão as ideias que façam a diferença na vida das pessoas”

Hugo diz que o segredo é “viver em modo aberto: tens uma ideia tens que a lançar e vais aperfeiçoando pelo caminho.” Arriscar pode ser mesmo a razão do sucesso?

Iguais uns aos outros

“Quem acredita que um mundo de igualdade de direitos, de deveres, de oportunidades para homens e mulheres é um mundo melhor?” Quase todos. “Vocês são todos feministas.”, revelaram Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues, criadoras da plataforma Maria Capaz.

“O feminismo nunca matou ninguém. O machismo mata todos os dias”, disse Iva Domingues. Rita Ferro Rodrigues explica melhor. “O feminismo é uma coisa para se exercer todos os dias. É um compromisso.”

Na Maria Capaz faz-se diariamente uma reflexão sobre as mulheres e o feminismo e mostra a perspetiva de mais de 300 mulheres entre empresárias, escritoras, desportistas, donas de casa, políticas, artistas, entre muitas outras das maiores diversas áreas, profissões e partidos políticos.

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