Muro da Unicer/Lionesa entra no roteiro turístico de Street Art

Mr. Dheo é um dos maiores artistas
Mr. Dheo é um dos maiores artistas

Nascido e criado em Sintra, Miguel RAM (Rapid Aerosol Movements), 37 anos, sabe que foi o primeiro “street artist” português a viver exclusivamente da pintura de murais, há 15 anos. “Nunca estudei pintura, mas sempre pintei. Trabalhei como designer em estúdios e ateliers, mas o sol chamava-me para a rua”, recorda. E é na rua que, por estes dias, está à frente do projeto de pintura de um mural com 1400 metros: o muro da fábrica da Unicer em Leça do Balio (Matosinhos), frente ao Centro Empresarial da Lionesa, entidades promotoras da iniciativa.

“O nosso objetivo é dar cor a um enorme muro cinzento que confronta com as lojas, torná-lo numa atração capaz de chamar gente que já procura este tipo de arte e, claro, movimento ao centro empresarial”, resume Eduarda Pinto, diretora-geral do Centro Empresarial da Lionesa, que investiu mais de 80 mil euros no projeto e obteve o apoio da Unicer e da autarquia de Matosinhos. Segundo fonte da Unicer, a iniciativa “insere-se na política de responsabilidade social da empresa, que também já há muito apoia as indústrias criativas”.

RAM é o produtor do mural e o responsável pela reunião dos dez artistas de renome internacional que participam nas duas fases do mural – uma individual, com o tema “Matosinhos”, e outra conjunta, dedicada aos mecenas Unicer e Centro Empresarial da Lionesa – que será inaugurado a 11 de abril. Entre os nomes conhecidos estão participantes dos maiores festivais e eventos de arte urbana do mundo, como Caos, Colectivo Distopia, Draw, Mr. Dheo, Third, Mar, Mário Belém, Nomen (angolano), RAM e Utopia (brasileiro).

Mr. Dheo não quer dizer o nome de batismo.É possível que o seu 1,90 m de altura não seja uma mera coincidência e, afinal, tenha sido a arte urbana a desenhá-lo para chegar mais alto nos murais que pinta. Mais de mil murais “oficiais” e incontáveis ilegais, alguns dos quais com respetiva passagem pela esquadra da PSP.

“Quando comecei, deixava de comer na escola para comprar latas de tinta”, recorda, hoje, aos 29 anos e a viver da arte há “quatro ou cinco anos”. Entre as suas montras mais conhecidas estão o muro da antiga fábrica Faisca, em Francos, no Porto, e um “quase muro pessoal, paralelo à estação de caminhos-de-ferro de Valadares”. Depois de estudar Tecnologia e Comunicação Multimédia, abandonou o curso para trabalhar em design gráfico durante três anos. A rua falou mais alto. “Agora, trabalho em decoração pública, como em fachadas de edifícios, em decoração de espaços de empresas ou em feiras, com stands onde trabalhamos ao vivo, para criar animação”, relata.

Não é fácil viver de arte de rua, elucida RAM. “Não temos jeito para projetos, muitas vezes, e há muitos miúdos a concorrer [a concursos lançados por empresas] por meia dúzia de tostões. Demora um bocado a valorizar a nossa assinatura, mas lá fora somos reconhecidos”, adianta. RAM já pintou em 33 países e garante que “Lisboa é o hotspot da arte de rua na Europa”, havendo já algumas empresas a realizar “roteiros turísticos específicos para quem quer ver a nossa arte de rua”.

A partir da próxima semana, o mural Unicer/Centro Empresarial da Lionesa passará a figurar no roteiro.

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