novos negócios

Musa. A inspiração que faltava para democratizar a cerveja artesanal

A carregar player...

Conheceram-se a trabalhar em consultoria e juntaram-se na procura de um especialista cervejeiro para lançarem um negócio próprio.

Bruno deu boleia a Nuno no caminho Porto-Lisboa quase por acaso: ambos estavam na Invicta naquele dia de outono de 2014. Nuno Melo, 36 anos, economista formado no Porto, cidade onde nasceu, acabara de chegar de uma viagem pós-demissão: despedira-se meses antes da consultora McKinsey, onde Bruno trabalhava.

“O trabalho era muito intenso e foi interessante durante muitos anos, mas cheguei ao fim de um ciclo e apetecia-me fazer coisas novas e de ter mais responsabilidade sobre aquilo que faço, lançar alguma coisa minha”, conta ao Dinheiro Vivo. No caminho Porto-Lisboa, Nuno discorreu sobre cerca de 50 negócios que gostaria de ter. “Vinha cheio de ideias, cheguei da viagem com um caderno escrito. O principal era vender malas de couro feitas em Portugal como produto de exportação”, conta, ao Dinheiro Vivo. No final da conversa, Bruno perguntou-lhe: “- E se lançássemos uma cervejeira artesanal?”. Nuno é capaz de ter corado com a pergunta. “Eu não gosto de cerveja. Para mim a Super Bock era uma cerveja excecional. Ele levou-me a provar uma India Pale Ale e, passadas umas horas, estava convencido. Em conjunto, chegámos à conclusão de que isto fazia sentido”, recorda.

Só que a ideia não tinha aparecido do nada. Bruno Carrilho, 40 anos, economista, queria ter uma marca de cerveja artesanal desde que, entre 2004 e 2006, viveu na California, nos Estados Unidos. “Deu para me apaixonar pelo mundo da cerveja artesanal. De facto fiquei com esta ideia na altura, mas que nunca acreditei que pudesse acontecer. Era muito motivada pela frustração de não haver cerveja de qualidade, com a diversidade e com a variedade de estilos a que me habituei na California”, conta, ao Dinheiro Vivo. A conversa de boleia serviu para, mais do que uma ideia, começarem a trabalhar no conceito. Fizeram logo planos: o primeiro foi viajar para perceberem que tipo de conceitos podiam explorar.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

“Passámos vários meses a investigar: fomos aos Estados Unidos visitar um mercado mais maduro de cerveja artesanal, estivemos em cervejeiras artesanais, falámos com mestres cervejeiros, clientes, pubs. Experimentámos imensa cerveja. Depois fizemos uma road trip por Espanha, para conhecer os mercados de Barcelona, Madrid, e o do País Basco. E depois, o mesmo em Portugal, para explorar o que havia por cá”, recorda Nuno.

O passo seguinte e, como consultores que eram – os dois sócios da Musa conheceram-se na McKinsey – foi sentarem-se a trabalhar num plano de negócios. Detetaram imediatamente a necessidade de contratar um mestre cervejeiro: é que nem Nuno nem Bruno percebiam nada da arte de bem fazer cerveja. Abriram um concurso online e receberam cerca de 70 candidaturas de cervejeiros de todo o mundo. Escolheram alguns para entrevista e trouxeram dois finalistas a Lisboa. O vencedor foi o norte-americano Nick Rosich, que cresceu em Chicago com influências dos avós irlandeses, alemães, ucranianos e escandinavos. “Assim que conseguimos o cervejeiro achámos que estávamos preparados para avançar.”

Bruno, Nick e Nuno.

Bruno, Nick e Nuno.

“Passámos vários meses a investigar: fomos aos Estados Unidos visitar um mercado mais maduro de cerveja artesanal, estivemos em cervejeiras artesanais, falámos com mestres cervejeiros, clientes, pubs. Experimentámos imensa cerveja”, conta Nuno Melo.

No final de 2014 andavam em viagem, no primeiro semestre de 2015 já estavam incubados na Startup Lisboa. “Sobre isso de nos termos tornado empreendedores, foi um pouco mais gradual do que eu estava à espera”, diz Bruno. “Quando eu dei por mim já estava com a ideia a rolar, decidi sair da McKenzie antes de lançar a ideia do negócio – não foi como se largasse uma coisa para fazer outra – por ter considerado que estava num fim de ciclo. Os esforços que eram necessários já não estavam a ser compensados pelo resto e decidi que era altura de mudar de vida. Começámos devagarinho, de repente estávamos a fazer um plano de negócios e, quando demos por nós, estávamos incubados, tínhamos um negócio e já estávamos à procura de investidores”, detalha Bruno.

“Queríamos criar uma marca que tivesse algumas características próximas daquilo que eu via nos Estados Unidos. Era uma cerveja mais contemporânea, independente e com características mais indie no sentido musical do termo. É uma marca que, a nosso ver, está posicionada para fazer crescer o mercado, para democratizar a cerveja artesanal”, diz ainda.

Foi neste percurso que a Musa começou a crescer enquanto marca e enquanto produto. Para começar, portuguesa. Depois, do mundo e para o mundo. “Sempre achámos que tanto portugueses como estrangeiros eram importantes. Quando nasceu, o objetivo era muito pensar no mercado nacional e sempre achámos que Espanha seria uma grande oportunidade por várias razões: proximidade geográfica, do ciclo de vida da cerveja artesanal que se encontra em estádios mais semelhantes de desenvolvimento. Um pouco fruto da viagem que fizemos em Espanha, percebemos que eles já exportavam bastante. E nesse momento demos por nós a pensar que seria uma oportunidade. Cada vez mais há um mercado de aficionados de cerveja artesanal em países onde a cerveja é mais madura – Reino Unido, Escandinávia, Estados Unidos. Esses mercados estão à procura de coisas diferentes: mais exóticas, produtos que incorporem mais elementos dos países de origem e, portanto, de repente, surgiu esta hipótese que temos vindo a explorar”. Por isso, uma das maiores dificuldades não tenha sido escolher o mercado mas começar pela base: encontrar o sítio ideal para trabalhar.

 (Paulo Spranger/Global Imagens)


(Paulo Spranger/Global Imagens)

Escolheram um armazém na Rua do Açúcar, no bairro lisboeta de Marvila, para dar corda às ideias, e o investimento nos primeiros anos deverá rondar os 500 mil euros, com cashflow positivo estimado a partir do terceiro ano. O espaço vai, além de servir para o lançamento das primeiras três Musa, já a 13 de maio, acolher a futura fábrica e o primeiro pub Musa. “Três é o portfólio com que estamos a entrar mas a nossa ideia sempre foi ir fazendo crescer a gama com cervejas sazonais e eventualmente algumas edições limitadas só para vender no nosso espaço. (…) Começámos a produzir antes de termos esse espaço, foram coisas que fomos adiando e foi difícil tomar essas decisões. Mas depois de tomadas, as coisas ganham o seu próprio ritmo e isso foi importante. Não houve nenhum momento em que eu tivesse sentido que me joguei à piscina, a coisa foi acontecendo”, diz Bruno.

° Musa ° Cerveja artesanal independente portuguesa nasceu no início de 2014 enquanto marca e, no início deste ano, como produto ° É lançada em três versões iniciais: Born In The IPA (india pale ale), Red Zeppelin Ale (red session ipa) e Mick Lager (lager) ° Em setembro deverá começar a produzir na nova fábrica de Marvila °

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.
Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O primeiro-ministro, António Costa, intervém durante a cerimónia de assinatura de declaração de compromisso de parceria para Reforço Excecional dos Serviços Sociais e de Saúde e lançamento do programa PARES 3.0, no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, 19 de agosto de 2020. ANDRÉ KOSTERS/LUSA

“Na próxima semana podemos chegar aos 1000 casos por dia”, avisa Costa

Fachada da Caixa Geral de Depósitos. 
(Sarah Costa / Global Imagens)

Clientes da CGD sem acesso ao serviço Caixadirecta

App Stayaway covid

App Stayaway Covid perto do milhão de downloads. 46 infetados enviaram alertas

Musa. A inspiração que faltava para democratizar a cerveja artesanal