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Musiversal. Gravar música de orquestra sem desafinar a carteira

André Miranda (ao centro) é o fundador e líder da Musiversal. Tem dez pessoas na equipa. 
(Orlando Almeida / Global Imagens)
André Miranda (ao centro) é o fundador e líder da Musiversal. Tem dez pessoas na equipa. (Orlando Almeida / Global Imagens)

André Miranda criou um negócio em que é possível gravar música com orquestra dez vezes mais barata do que o habitual.

A Musiversal criou uma solução para produzir música de orquestra em que todos ganham: os clientes pagam dez vezes menos e os artistas podem receber mais dinheiro no final do mês. Daqui a algumas semanas vai passar a ser possível requisitar músicos a solo, como bateristas, baixistas e guitarristas.

Para já, é possível fazer marcações com as orquestras de Lisboa, Londres e Praga, através da página da internet da Musiversal. As orquestras têm entre 12 e 54 membros. “Alugamos um estúdio e contratamos os músicos para um dia. Tratamos de toda a logística e produção”, explica André Miranda, fundador da Musiversal.

“Nós contratamos a banda e depois dividimos a hora por slots: de sete em sete minutos para poder gravar três takes de um minuto de música. Três takes dão material suficiente para a pós-produção.”

É possível, desta forma, rentabilizar os artistas e os estúdios. Habitualmente, uma orquestra aluga um estúdio por várias horas “para gravar faixas de três minutos”. E gravar várias faixas, de vários clientes, durante o mesmo tempo de aluguer de estúdio.

A solução criada em Portugal também permite que o cliente possa acompanhar toda a gravação, em direto, a partir do computador, e mesmo falar com a orquestra. Os preços começam nos 200 euros.
É desta forma que a Musiversal quer fazer a diferença no mercado mundial face à SoundBetter, empresa comprada em setembro pelo Spotify e que liga particulares a uma montra de músicos.

Apesar de o negócio ter arrancado apenas em maio do ano passado, a ideia de André para esta startup já estava a maturar há alguns anos, quando ainda estava a tirar um mestrado na universidade de Nova Iorque.

“Os estudantes investem muito tempo e dinheiro a aperfeiçoar a música que escrevem mas nunca a conseguem ouvir tocar. Onde é que está a orquestra para tocar o que compus? Passei anos e anos a aprender e a escrever música sem a ouvir tocar. Isso já me estava a fazer espécie.”

Algum tempo depois, André foi para Lisboa e juntou uns amigos músicos para fazer uma sessão de gravação de três horas “só para diversão”. Esta ideia soou a uma obra-prima para os colegas do fazedor português: “Perguntaram-me se poderiam pagar mil euros e gravar as músicas deles com os meus amigos.”

A ideia começou a transformar-se em negócio nesse momento. André Miranda criou duas campanhas na plataforma de financiamento colaborativo Kickstarter e angariou perto de cem mil dólares (90 mil euros).

“Criei a Musiversal depois de ter percebido como poderia estruturar as sessões de gravação, falar com os clientes e tratar de toda a logística.”

Ao fim de ano e meio, a música das orquestras já rendeu clientes de empresas como a Samsung, Universal e Sony Music e também centenas de particulares. “Há um mercado maior do que esperávamos.”

É por causa disso que a Musiversal vai lançar, nas próximas semanas, as gravações a solo. “Vai ser possível contratar bateristas, vocalistas, misturadores, baixistas…” E com preços mais baixos. “O cliente pagará 39 euros por um guitarrista em live streaming por uma hora.”

A startup também quer gravar músicas fora da Europa, em estúdios em Seul (Coreia do Sul) e em Nova Iorque ou Nashville (Estados Unidos).

Daqui a algumas semanas, poderá chegar a primeira ronda de financiamento seed e já há planos para levantar um investimento de cinco milhões de euros em série A no próximo ano.

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