Mycareforce. Match expandido a auxiliares de saúde vai permitir crescer 10 vezes mais em 2023

Plataforma já preencheu 61 mil horas. Startup conta hoje com mais de 80 empresas-clientes e 8800 enfermeiros registados.

Dois perfeitos desconhecidos, selecionados para o programa de incubação da Demium, fizeram nascer uma plataforma que se compromete a agilizar a conexão entre unidades e profissionais de saúde. Criada em 2021, por João Hugo Silva (COO) e Pedro Cruz Morais (CEO), a Mycareforce começou por permitir que enfermeiros preenchessem os turnos disponíveis em diversas instituições do país de forma simplificada. Agora, incentivada pela adesão de mais de 80 empresas-clientes e 8800 profissionais, expande os seus serviços a técnicos auxiliares de saúde, com o objetivo de crescer dez vezes mais no país, no ano que se avizinha.

"Em plena pandemia, apercebemo-nos de que havia uma lacuna no mercado relacionada com a dificuldade que as unidades de saúde tinham em chegar aos profissionais de saúde", começa por contar o diretor de operações da startup, afirmando que este era um processo que não estava otimizado para nenhuma das partes. A solução passaria por uma ferramenta que colmatasse as falhas enraizadas no sistema e que, acima de tudo, "empoderasse" os trabalhadores.

"Já há muito tempo que os enfermeiros têm o seu turno e um trabalho complementar, a recibos verdes", frisa João Hugo Silva. A justificação? A tão falada falta de progressão na carreira. Aquilo a que a Mycareforce se propôs foi precisamente a explorar este segmento, facilitando a vida de quem procura um extra. Mas com um bónus: a flexibilidade de poder escolher quando, onde e quantas horas quer trabalhar.

Até ao momento, a jovem empresa já levantou um total de 695 mil euros em ronda pre-seed, na qual têm quota-parte a Demium Capital, a Shilling, o Serviço Médico Permanente e vários business angels. O capital angariado tem servido essencialmente para desenvolver o produto, que adotou diferentes formas com o passar do tempo. Se antes a plataforma focava apenas os turnos que as instituições tinham por preencher, atualmente permite também recrutar para part-times e full-times. A intenção, explica o COO, é "centralizar toda a contratação de profissionais de saúde num só sítio".

O processo de conexão entre os interessados acontece de forma descomplicada. Hospitais, unidades de cuidados continuados, clínicas, residências e laboratórios, que se registam através de uma chamada onboarding, publicam as suas necessidades, indicando os detalhes da oferta. Depois, os profissionais inscritos, sujeitos a validação junto da Ordem dos Enfermeiros, candidatam-se consoante o seu interesse e disponibilidade. Por último, cabe às empresas de saúde avaliar qual o match ideal para as suas propostas de trabalho.

Quanto ao modelo de negócio da Mycareforce, este assenta em comissões cobradas por serviço. No caso dos turnos , é feita uma cobrança sobre o valor por hora pago ao profissional e nos part-times sobre o total de horas preenchidas mensalmente. Já os full-times, implicam uma comissão única por contratação. Sem interferência sobre a tabela de valores praticada, a startup limita-se a dar feedback às instituições sobre a competitividade de preços face à concorrência.

O alargamento dos serviços a uma outra categoria de profissionais surge com o apoio da Associação Portuguesa dos Técnicos Auxiliares de Saúde (APTAS) e faz parte da estratégia de expansão da empresa, que conta já com cerca de 700 auxiliares inscritos e espera atingir os quatro mil no próximo ano, um número ambicioso que está par a par com a expectativa de mais que duplicar para 20 mil os enfermeiros registados.

Desde maio de 2021, a Mycareforce já preencheu 61 mil horas em mais de 120 unidades de clientes como o Grupo Trofa Saúde, SAMS, Grupo Orpea, Residências Montepio e diversas Santa Casa da Misericórdia. Lisboa e Vale do Tejo e Algarve são as regiões onde a plataforma regista uma maior afluência, assumindo a capital 50% dos profissionais registados. Enquanto o Centro começa a dar tímidos sinais de adesão, o Norte é ainda um desafio.

Ao Dinheiro Vivo, João Hugo Silva avança que a ambição da startup passa por levantar a ronda seed até finais de 2022, num valor que ainda não está fechado, mas que garantidamente será confortável para poder escalar o negócio. Nos últimos quatro meses, a plataforma gerou para os enfermeiros cem mil euros por mês, um patamar cujas previsões indicam que subirá 50%, para 150 mil euros, até fecho do ano.

A curto prazo, o objetivo é a nova categoria de profissionais, uma aposta que vai permitir à Mycareforce crescer dez vez mais em números na temporada que se adivinha e aumentar a equipa, agora constituída por nove elementos, para 30 a 40 colaboradores. O processo de recrutamento está já acontecer, com seis vagas em aberto para as áreas de comunicação, vendas e desenvolvimento tecnológico. A internacionalização consta também nos planos da startup, que tem a América Latina debaixo de olho, à espera de saber o resultado da próxima ronda de investimento.

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