Nanotecnologia potencia a produção de culturas agrícolas

Solução biodegradável desenvolvida pela Krilltech Nanotecnologia Agro é a grande vencedora da primeira edição do KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator

O grande vencedor da primeira edição do KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator foi a Krilltech Nanotecnologia Agro, uma empresa brasileira que utiliza a nanotecnologia para aumentar a produção das culturas e solucionar problemas como o stress hídrico.

A empresa, explicou ao Dinheiro Vivo Diego Stone Aires, CEO da Krilltech, passou sete anos a desenvolver a tecnologia e, nos últimos três, a testar com os produtores em mais de 25 culturas diferentes esta solução, que não é "um mero fertilizante", "é um revelador fisiológico da planta" e é biodegradável na sua composição.

Basicamente, ao fim de cerca de 15 dias, o produto desaparece da planta e, caso se deseje, é necessário fazer a reaplicação ou a planta volta ao seu "estado normal". Sem que haja qualquer vestígio do produto no resultado final, diga-se na fruta, legumes, grão, cereais.

A tecnologia de base foi desenvolvida por Marcelo Rodrigues, professor da Universidade de Brasília (UnB), e tem a vantagem de poder ser aplicada no solo ou nas folhas das plantas, ou até mesmo na água, no caso de culturas hidropónicas.

"O que fizemos no campo foi identificar as dosagens e o modo de aplicação", refere o CEO da Krilltech, acrescentando ser esse o ponto que varia - de cultura para cultura e de local para local. "Por isso é que, para cada cultura, temos um produto diferente". A mesma tecnologia, mas a fórmula muda para "poder atender as necessidades específicas da cultura em causa".

Poder-se-ia pensar que, sendo uma tecnologia nova e pela sua especificidade, esta solução implicaria um investimento avultado para o produtor. Nada mais errado, nas palavras de Diego Stone Aires, "os nossos preços são muito acessíveis". A explicação está no facto de a empresa não só ter desenvolvido o produto, mas, também o processo. Isto significa que, por exemplo, no Brasil, o preço médio por hectare para a soja é de 20 a 25 dólares - menos de 20 euros. Um valor baixo se tivermos em conta os aumentos da produção. "No caso do tomate, os resultados que temos é de 40 para 1", ou seja, por cada dólar investido "o produtor ganha, em média, mais 40".

A empresa tem trabalhado também a questão do stress hídrico, no sentido de apoiar a planta a receber a água necessária. O que faz com que seja uma ferramenta de apoio em áreas onde há pouca água. Diego Stone Aires deu o exemplo de um teste que foi feito, num local onde já não chovia há 65 anos. De um lado, a cultura normal e do outro a cultura com a solução da Krilltech. O resultado? De um lado, uma plantação amarela, seca, onde não se aproveitou nada, perda total, do outro, uma plantação verde com uma colheita de seis toneladas. A empresa está agora a testar outros tipos de stress, como o térmico, para "gerar novos produtos".

Neste momento, a empresa tem clientes no Brasil - onde tudo começou - e em Abu Dhabi, mas brevemente deverá entrar em Portugal. Diego Stone Aires está em negociações com o polo tecnológico do Fundão. A ideia, revela o CEO da Krilltech, é de, no futuro, Portugal funcionar como um hub para a internacionalização da empresa no mercado europeu. No caso português, além das culturas tradicionais estão também a analisar as vinhas, as cerejeiras...

A Krilltech não só mostrou provas dadas como também deu uma resposta aos novos desafios. Algo que não só despertou o interesse dos jurados do KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator, como de Nasser Sattar, head of Advisory da KPMG em Portugal, que referiu que "a inovação é que vai trazer, para a sociedade em geral, o melhor da vida e da qualidade". O projeto escolhido como vencedor provou que a tecnologia está em todo o lado e faz parte da solução para resolver os problemas atuais (e futuros) da humanidade.

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