Fazedores

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Mariana Tomé Ribeiro
Mariana Tomé Ribeiro

Mudar de escritório pode levar a uma mudança de estratégia? Na
Supply sim. Foi a mudança de um segundo andar para o rés do chão
que serviu de alavanca ao negócio desta designer. Mas comecemos pelo
princípio.

Mariana Tomé Ribeiro, 31 anos, tinha 18 e acabara de entrar em
design de comunicação quando criou o primeiro negócio: a agência
Supply, nascida na sala da sua casa. Fazer flyers e a criar a imagem
de algumas festas na universidade era o objetivo. “Quase sem
planear, sem me aperceber, tinha criado uma empresa”, conta ao
Dinheiro Vivo.

O que fazia nos tempos livres passou a trabalho principal, as
aulas foram empurradas para a noite e de repente o curso já não era
um meio para chegar a um fim mas um complemento. Mariana tinha criado
o passaporte para uma entrada no mercado de trabalho mais suave do
que a dos colegas universitários. E começou a criar empregos:
quando os freelancers já não podiam responder aos clientes que
aumentavam a cada mês, instalou-se num segundo andar arrendado.

Mas o crescimento não abrandou e a empresa precisou de mudar de
casa. Entre um mestrado em marketing de luxo e a procura de um
escritório novo, surgiu a oportunidade de arrendar um rés-do-chão
com montra num prédio centenário do Porto, na Rua do Rosário – a
oportunidade para mostrar ao mundo o que faziam. “E que melhor
maneira de nos publicitar do que criar uma marca própria?” Foi
assim que, em 2009, a Supply lançou os primeiros três cadernos
Fine&Candy: um vermelho, um azul-escuro e um azul-turquesa.
“Queria criar algo útil mas que se posicionasse como objeto de
coleção, de decoração, que as pessoas gostassem de ter e que nos
ajudasse a chegar a um público que nunca tinha ouvido falar da
agência”, conta. E ainda ajudava a divulgar os artesãos que
produziam os cadernos.

“Estávamos a vender um produto com valor acrescentado, fine
(por causa do papel de boa qualidade) e candy (por serem objetos de
desejo e gulodice). De maneira a criar a vontade de comprar tudo em
cada pessoa que entrasse na loja.” Mariana já não se lembra bem
de quanto investiu nos primeiros cadernos mas a produção depressa
evoluiu para os 12 modelos atuais, lançados quatro vezes por ano,
além de edições especiais e exclusivas, num total de 72 modelos em
três anos.

Foi este o portfólio que encantou os armazéns londrinos
Harrod”s, onde a marca começou a ser vendida no início deste ano.
“Tínhamos começado a traçar a nossa estratégia de
internacionalização mas nem sequer tínhamos integrado o Harrod”s
na lista. Foi uma grande surpresa contactarem-nos e um sinal de que
estamos no caminho certo. E sobretudo de que nada é impossível”,
diz Mariana. “O mais engraçado foi escreverem-me a perguntar se
estaríamos interessados em vender lá os nossos cadernos!”

Entretanto a equipa cresceu, mas o tempo para novos projetos foi
reduzido, uma vez que a Fine&Candy se tornou no principal cliente
da agência e fonte de receitas fundamental – já assegura mais de
50% da faturação da Supply. E 2014, o que reserva à empresa?
“Decerto novas apostas e mudanças.”

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