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“Não queremos ser maiores que a Web Summit. Queremos ser mais úteis”

Marianne Vikkula, CEO do Slush
Marianne Vikkula, CEO do Slush

Marianne Vikkula, CEO do Slush, falou sobre como este evento tecnológico será capaz de competir com a Web Summit

Em 2008, um grupo de estudantes finlandeses quis “fazer algo pela comunidade” finlandesa. Assim nasceu o Slush, o evento que junta startups e investidores de todo o mundo e que decorre entre esta quinta e sexta-feira em Helsínquia.

Aquela que pode ser descrita como “uma startup sem fins lucrativos” é o resultado de um ecossistema único: a cada ano nascem cerca de quatro mil startups na Finlândia, fruto de uma conjuntura repleta de incentivos e apoios à criatividade. O Slush nasceu graças a essa motivação em querer fazer mais e melhor. Do grupo que o fundou, o Dinheiro Vivo falou com Marianne Vikkula, que em 2008 começou como voluntária e, passados menos de dez anos já lidera a organização do evento.

“O Slush pode ser visto como uma empresa sem fins lucrativos, mas que ilustra bem o quanto uma empresa com as ideias certas pode crescer neste país [Finlândia]”, começa por dizer a jovem, que recusa ver o Slush comparado à Web Summit, na esperança que os resultados e a eficácia dos encontros e debates que promove falem por si.

“Nestes dois dias vão decorrer mais de 10 mil reuniões entre empresários e investidores. Seria muito triste que nada disso servisse para mudar a vida destas empresas. Nós só queremos criar a melhor plataforma possível para que isso aconteça. Não queremos ser maiores que a Web Sumit, queremos ser mais úteis”, afirma a responsável, garantindo que a vontade do grupo que o organiza é que “a dimensão do Slush não vá além daquela que tem atualmente”.

“Para nós [equipa], o propósito foi sempre saber como podemos ajudar a comunidade local, e essa tem de continuar a ser a prioridade do Slush”, acrescenta.

No entanto, o propósito da utilidade mantém-se e, como exemplo disso, Marianne Vikkula contou ao Dinheiro Vivo que, graças à edição do Slush do ano passado, “uma empresa que fabrica carne em laboratório nos Estados Unidos, encontrou-se com os investidores da DFG, também eles norte-americanos, aqui, no Slush. Estas são as histórias que nos orgulham”.

No caso deste ano, o 9.º do Slush, estão presentes oradores como Al Gore ou Adena Friedman, CEO do Nasdaq. Eles ajudam a promover o mediatismo do evento, mas isso pode mudar facilmente. “Se o feedback que recebermos for ‘achamos que é preciso focar mais no talento do que nos debates e oradores porque o acesso ao investimento está a aumentar’, então é isso que vamos fazer para o ano seguinte”.

Certo é que o modelo adaptado até agora tem resultado, uma vez que o Slush já foi replicado noutras metrópoles como Xangai, Tóquio e Singapura. “Os nossos eventos a nível global são geridos pela comunidade local. Da mesma maneira que o Slush nasceu em 2008 aqui em Helsínquia depois de termos percebido que era preciso fazer algo pelos empreendedores finlandeses, também essas três cidades se aperceberam do mesmo, especialmente no Japão, onde a cultura do empreendedorismo é péssima: Se formos ver os rankings da qualidade da cultura empreendedora, o Japão está em segundo a contar do fim”, explica Marianne, adiantando que “todas as semanas” recebe um pedido de diferentes países, mas que a autorização para se replicar o Slush depende de um certo conjunto de fatores, do qual se destaca o principal: “Certificar que quem o quer fazer não o quer fazer pelo dinheiro”.

E porque é que a Finlândia é um exemplo no que toca à fomentação de uma mentalidade empreendedora? “Porque pensamos todos enquanto uma única comunidade, em que todos se querem ajudar uns aos outros por saberem que, se todos estiverem bem, o país não consegue estar melhor”.

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