Nata Lisboa. A conquistar o mundo, um pastel de cada vez

Nuno Seabra e José Carlos Campos, da Nata Lisboa
Nuno Seabra e José Carlos Campos, da Nata Lisboa

Irene Simões entrou na loja Nata Lisboa em Abu Dhabi e não conseguiu conter a emoção. Não sabe se foi a música dos Deolinda que a recebeu à entrada, ver os pastéis de nata alinhados na montra ou a ilustração da Torre de Belém, do Terreiro do Paço ou do elétrico 28, o certo é que chorou, contou a portuguesa residente nos Emirados Árabes Unidos no Facebook da coffee shop portuguesa.

“Há muitos mais portugueses na cidade do que pensava e ali a saudade sente-se mais. E com isso o orgulho aumenta”, diz José Carlos Campos, um dos cinco sócios fundadores da Nata Lisboa. O orgulho levou os residentes a levar os amigos a provar um pouco de Portugal, afinal, como promete a cadeia the world needs Nata.

“A loja de Abu Dabhi é estrategicamente muito importante. Responde a muitas pessoas que tinham a dúvida se conseguíamos colocar o produto em qualquer parte do mundo”, afirma José Carlos Campos. “É como se tivéssemos descoberto o caminho marítimo para a Índia, mas com um pastel de nata”, acrescenta humorado o também diretor criativo da Strat, que um dia na agência, ao ver a forma como desapareciam os pastéis de nata no pavilhão português na Expo de Xangai, pensou: “E porque não uma loja no Oriente que vendesse só pastéis de nata.”

A ideia de conquistar o mundo com um pastel de nata de cada vez ganhou ritmo acelerado depois de Álvaro Santos Pereira, antigo ministro da Economia, ter defendido que no pequeno bolo podia estar o segredo para o sucesso de Portugal lá fora. “Fomos bombardeados com pedidos de informação de pessoas que queriam abrir lojas. Tivemos de acelerar”, lembra Nuno Seabra, diretor de expansão da Nata Lisboa.

Abriram em junho de 2012 um showroom no Príncipe Real, mas a primeira loja foi só em dezembro, no Porto. Desde então todos os meses nasce uma Nata Lisboa. Até final do verão vão abrir mais sete lojas elevando para mais de 30 a rede. Em Portugal são mais de 19.

“O conceito não é obrigatoriamente para turistas: temos lojas em Barcelos, Leiria, Guarda, onde o peso dos turistas é residual”, diz Nuno Seabra. Nazaré, Montijo e Viseu são as próximas. “E no estrangeiro não existimos apenas para servir o mercado da saudade”, acrescenta. Barcelona, Pamplona e Viena de Áustria são algumas das cidades onde a Nata Lisboa está presente. Antuérpia, uma segunda loja em Viena de Áustria e Peterbourogh, no Reino Unido, são as que se seguem. Esta última vai nascer pela iniciativa de um inglês. “A esmagadora maioria dos pedidos de franchising que nos chegam é de portugueses, mas são cada vez menos à medida que começam a abrir lojas no exterior. Começamos a receber muitos pedidos de estrangeiros”, adianta Nuno Seabra.

Europa é o mercado imediato, por uma questão de proximidade, para a entrega dos pastéis de nata que saem da fábrica localizada na margem Sul para as diversas Nata Lisboa. “Fora da Europa só equacionamos abrir através de master franqueados”, adianta o diretor de expansão. Para regiões como Austrália, Brasil ou Estados Unidos é preciso alguém que conheça o território e que controle no terreno a expansão.

Mas o produto mantém o fabrico em Portugal e, nisso, os responsáveis da Nata Lisboa não são flexíveis. “As matérias-primas – as farinhas, os ovos, água, leite – são fundamentais. Não é por acaso que em países como o Brasil não se consegue encontrar um bom pastel de nata”, diz Nuno Seabra. A fábrica da Nata Lisboa tem capacidade para servir mil lojas e, caso a procure aumente, possibilidade de aumentar a linha de produção para assegurar que a receita exclusiva do produto estrela da cadeia chega ao seu destino.

De Portugal seguem igualmente os salgados da Confraria da Empada, com os sabores bem portugueses como a alheira e farinheira, o rissol de camarão o pastel de bacalhau. Mas também os sabores da Casa de Prisca ou os Sabores de Santa Clara “É um lado interessante da Nata de Lisboa: à medida que se está a expandir leva uma marca muito forte de Portugal. Ela está a vender Portugal.”, diz José Carlos Campos. E muito pastel de nata: em média 300 a 400 por dia… em cada loja.

“Os franchisados só têm de encontrar o espaço para a loja. Nós fazemos tudo”, diz Nuno Seabra, assegurando que se trata de um serviço chave na mão, com a Nata Lisboa a garantir a realização do plano de arquitetura do espaço, a gestão da obra, bem como formação dos franchisados e colaboradores. Os materiais promocionais nas lojas são produzidos pela equipa de Lisboa, com a adaptação a ser feita com uma equipa de freelancers local, sob a supervisão de José Carlos Campos.

Abrir uma loja em Portugal custa em média entre 65 a 70 mil euros (com custos de entrada na ordem dos 22,5 mil euros), já no exterior entre 90 a 100 mil euros (entrada de 25 mil euros). O ano passado faturaram mais de 2,5 milhões de euros. Este ano esperam obter mais de 4,5 milhões em receitas. “Se aparecer um senhor em Alcoutim ou uma senhora de Londres a querer abrir uma loja nós ouvimos. The world needs Nata pode ser em qualquer parte do mundo”, defende José Carlos Campos.

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