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Neste bootcamp eles aprendem a dar nas vistas

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Mais de 50 startups participaram esta semana no campo de treino da Web Summit.

Foi como aterrar nas páginas amarelas ao vivo e a cores. Era o segundo dia da Web Summit e Pedro Lancastre apostou todas as fichas no stand da Global for You. A startup de consultoria de IT tinha acabado de nascer e era preciso caçar clientes. Acabou por não dar em nada. “Foi o pior dos três dias em que lá estive. Passa ali muita gente mas ninguém repara nas startups expostas porque parecem todas iguais”, desabafa. Mas Pedro não baixou os braços. Foi um dos vencedores do programa Road 2 Web Summit e veio ao bootcamp aprender como se brilha no escuro.

“Estou aqui para perceber como tirar partido do stand. Quero saber como posso destacar a minha empresa e transformar a participação na Web Summit em negócios”, conta o fundador da Global for You ao Dinheiro Vivo durante um dos intervalos do campo de treino, que neste ano trocou as fábricas do Hub do Beato pelos contentores do Village Underground.

Pedro Lancastre é um dos mais de 80 fazedores que participam na terceira edição do programa criado pela Startup Portugal e pela equipa de Paddy Cosgrave para que as startups portuguesas não caiam sem paraquedas nos pavilhões da FIL.

Os primeiros conselhos do dia não são novidades para os repetentes da Web Summit como Pedro Lancastre. “Falem com o maior número de pessoas que conseguirem, apostem em merchandising, procurem a imprensa e levem o pitch bem estudado, porque 90% deles não prestam”, avisa Tomás Bento, diretor de eventos da Beta-i e mestre de cerimónias do bootcamp.

“Essa parte está bem estudada. Estamos treinados para conseguir uma reunião em dois minutos. O objetivo é captar três ou quatro possíveis clientes por dia e marcar reuniões para fora dali. No ano passado consegui marcar um encontro com a Farfetch, que adorou o nosso negócio. Foi por isso que voltei a apostar no stand. O investimento acaba por ser baixo para o retorno que pode ter. Tenho uma rede de contactos grande, mas só ali é que consigo falar com empresas como a Microsoft ou a Apple”, resume o fundador da Global For You. A startup que é uma espécie de Tinder da consultoria de IT só existe há ano e meio mas “já dá dinheiro”. Tanto que Pedro Lancastre tem a meta para 2020 definida: chegar à Web Summit ao volante de um Ferrari amarelo.

Em busca de Guardiões

Os conselhos dos mentores são postos em prática nas pausas das sessões do bootcamp. Quem não se conhece de lado nenhum passa a conhecer-se ali. Na cadeira do lado pode estar um futuro parceiro de negócio. Pedro Horigoshi aprendeu essa lição no ano passado, um mês depois de ter largado a vida de sempre no Brasil para começar do zero em Reguengos de Monsaraz.

É um dos fundadores da The Guardians of Alentejo, uma startup de turismo que vai ser lançada em plena Web Summit.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

“É uma proposta inovadora de turismo sustentável. Ao contrário de plataformas grandes, como o Booking ou o The Fork, que trabalham especificamente alojamentos ou restaurantes, nós oferecemos uma experiência integrada. Juntamos alojamentos, restaurantes, passeios, eventos, mas a nível regional. O objetivo é que o turista chegue ao destino com a sua agenda montada”, conta o brasileiro de origem italiana e japonesa, que abandonou o mundo corporativo para mergulhar de cabeça no empreendedorismo. Vão abrir com 64 parceiros mas querem chegar aos 300 num ano.

Na Web Summit, os “guardiões” vão à procura de potenciais parcerias e investidores, já que todo o dinheiro aplicado até agora na tecnologia saiu do bolso dos quatro fundadores. Para pescar tubarões precisam do pitch perfeito e foi por isso que vieram ao bootcamp. “Queremos aprender a passar a mensagem da forma mais eficaz possível. Porque num pitch de um ou dois minutos as pessoas retêm dez segundos.”

Nos próximos quatro anos, os Guardiões querem chegar a pelo menos dez regiões, ou secret spots, dentro e fora de Portugal. “Queremos aproveitar o buzz da Web Summit para dar o salto”, confessa Pedro Horigoshi. E como é que vão evitar ser a agulha no palheiro? “Através da mensagem.” Neste ano ainda não há dinheiro para merchandising.

Pedro sabe que a concorrência é forte e que os Guardiões não vão ser a única novidade dos corredores da FIL. Entre os alunos do bootcamp, há pelo menos mais uma startup que reservou o dia 6 de novembro para sair da caixa. Literalmente, como explica Sara Aguiar, cofundadora da Ready2Start. “Vendemos ideias de negócio prontas a funcionar para que toda a gente possa experimentar o que é ser empreendedor”. A startup tem um catálogo de negócios prontos a funcionar, com nome, logótipo, redes sociais, plano de marketing e até uma plataforma que permite gerir a faturação e pagar impostos. É só escolher e esperar que a caixa chegue à caixa do correio com o negócio dentro.

Na Web Summit, vão apostar forte no merchandising, como aconselha a organização. “Quem passar pelo nosso stand vai levar um bocadinho da Ready2Start para casa. E não posso revelar mais. É surpresa. Mas vamos chamar a atenção”, exclama. Como uma folha em branco nas páginas amarelas.

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