Nevermind. Ganhar asas com expansão do setor da construção

Nasceu em 2019 para criar e promover grandes eventos para crianças, mas foi obrigada a explorar novas áreas de negócio para sobreviver. Apostas estão ganhas e está a contratar.

A Nevermind quer contratar mais de 20 profissionais de áreas como arquitetura, carpintaria, lacagem, gestão de projetos ou qualidade, higiene e segurança. A empresa de Vila do Conde está disposta a pagar acima da média nacional e as ofertas de emprego destinam-se quer a trabalhadores com experiência nas funções, quer a jovens estagiários, e estão também abertas a pessoas com deficiência. Este processo de recrutamento é uma vitória para a jovem empresa, que nasceu em 2019 para criar e organizar grandes eventos para crianças, mas que foi obrigada a reinventar-se para sobreviver aos tempos pandémicos.

É que o incontornável cancelamento dos programas de entretenimento agendados para 2020, devido ao deflagrar da pandemia, obrigou a CEO da Nevermind, Susana Silva, a encontrar soluções para rentabilizar o investimento inicial de 1,5 milhões de euros na criação da empresa, que integrou a adaptação de umas antigas instalações fabris à nova atividade e a instalação de uma indústria 4.0 especializada em carpintaria, e assegurar a manutenção dos postos de trabalho. Um ano e meio depois do choque da paragem da economia, a Nevermind tem novas áreas de atividade e um negócio a crescer.

Como conta, a primeira aposta foi a criação da Love in a Box, marca de parques infantis, com produtos para o interior e exterior das casas, e de mobiliário para crianças. Mas havia ainda que ganhar mais fôlego e, já no último trimestre do ano passado, a empresa decidiu que era preciso encontrar novas soluções para a área da carpintaria. Com o apoio do companheiro, Carlos Lopes, a empreendedora avançou para a produção e montagem de produtos de apoio ao setor da construção. De um momento para outro, começou a fabricar roupeiros, armários, cozinhas, soalhos, portas, entre outros. A aposta foi certeira. Segundo revela, tem "já em carteira para os próximos dois anos um volume de negócios na ordem dos cinco milhões de euros e mais 25 milhões em propostas apresentadas".

O espírito empreendedor não se ficou por aqui, apesar de agora, já com a pandemia a dar reais sinais de estar sob controlo, a área dos eventos esteja aos poucos a retomar a normalidade. "Já voltámos ao trabalho em junho com os parques aventura na Bélgica e em França e, para o Natal, temos projetos já aprovados em Espanha. Estamos em negociações finais com clientes de outros países, incluindo Portugal", adianta. Mas, ainda assim, a empreendedora decidiu lançar mais uma unidade de negócio, a Organic. Este projeto, que será oficialmente apresentado em 2022, visa a conceção, produção e montagem de casas modulares em madeira e mobiliário para casa e jardim. Nesta fase inicial, a empresa está a trabalhar com arquitetos e decoradores de interiores com vista ao cliente particular, numa lógica de conforto, sofisticação e sustentabilidade.

A estratégia de reinvenção do negócio tem-se mostrado vencedora. Como sublinha Susana Silva, as contratações em curso "devem-se ao aumento das encomendas e ao crescimento da empresa nas diversas áreas de negócio". E lembra que, já entre 2020 e este ano, passaram de seis para 28 colaboradores. Nas previsões da empresária, a Nevermind deve fechar o ano com uma faturação da ordem de um milhão de euros, com 65% a ser gerado pela área de carpintaria para o setor da construção, 20% pela Love in a Box, 10% pelos eventos e 5% pela Organic. O mercado interno deverá valer 70%. A confirmar-se estas estimativas, a pequena empresa de Labruge deverá dar um salto exponencial nas vendas e atirar para trás os efeitos negativos da pandemia no negócio, que em 2020 garantiu vendas de 300 mil euros.

Loja. Love in a Box chega à Suíça

A Love in a Box, unidade da Nevermind especializada em design, produção e montagem de casinhas, parques e mobiliário para crianças, captou a atenção do empresário português residente na Suíça Marco Carneiro, e do seu sócio, Simon Friedlos, que investiram 200 mil euros na abertura no mercado alpino. O espaço tem 400 m2, o que permite ao cliente experimentar os vários produtos. Os dois empresários ficaram também com a representação da marca na Alemanha, Áustria e Liechtenstein. Em Portugal, Susana Silva mantém a estratégia das vendas assente nas plataformas digitais e no showroom instalado na sede da empresa, em Vila do Conde, estando também a negociar parcerias com novos revendedores.

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