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Nimest. A história das cidades contada pelos seus ilustres

Carlos Morais é o fundador da Nimest.
( Álvaro Isidoro / Global Imagens )
Carlos Morais é o fundador da Nimest. ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

A Nimest é uma startup que está a desenvolver aplicações móveis para que seja possível conhecer uma cidade pela mão das personalidades mais famosas.

Quando alguém visita uma cidade, conhece os lugares pelo que lê ou pelo que lhe contam os companheiros de viagem. Mas e se fosse uma personalidade famosa local a contar-lhe o que por lá se passou?! Esse é o objetivo do trabalho que a Nimest, uma startup luso-brasileira, está a desenvolver.

“O que estamos a fazer é trazer de volta à vida aquelas pessoas que foram importantes para a história das cidades que estão a ser visitadas. Imagine que um turista chega a Lisboa e tem a oportunidade de ouvir explicações sobre a história da cidade contada pelos que viveram ali, cujos nomes estão nas ruas e nas estátuas. Estamos a trabalhar com realidade aumentada. Conseguimos ver o modelo 3D daquela pessoa e ela conta a história”, explicou ao Dinheiro Vivo Carlos Morais, CEO da empresa.

A ideia para este projeto, que está incubado na ANJE (Porto), nasceu fruto de uma “frustração” de Carlos Morais. “Sou um viajante nato; viajei a minha vida toda. Já visitei mais de 30 países e morei em cinco – Portugal é o quinto. Sempre tive uma frustração: sou muito curioso, visito os locais e vejo muito as cidades, mas se não se entende a cidade, não se aprende. A nossa intenção é trazer a história de volta para a vida, para que os turistas consigam contar as histórias quando voltarem. Quando uma pessoa entende uma história vai contar às pessoas quando voltar a casa e aí cria um sentimento” com o lugar que conheceu.

A empresa está a desenvolver para já as aplicações móveis (para Android e iOS) para a capital e para o Porto – chamando-se respetivamente Lisboa 4D e para Porto 4D – que vão permitir que os interessados vejam, através de uma espécie de projeção, a imagem da personalidade e interajam com a mesma. Fernando Pessoa, por exemplo, pode ser assim “chamado” a apresentar-se e a narrar uma parte da história da literatura nacional.

“Estamos a trabalhar numa parceria com a IBM para criar todo esse conteúdo de uma forma automatizada só com Inteligência Artificial, somente lendo documentos históricos. Isso iria permitir que, em vez de ter uma personalidade a contar simplesmente uma história, o utilizador possa fazer uma pergunta e a personalidade responda. Pode perguntar a Fernando Pessoa porque é tão famoso e ele responderia baseado no conhecimento que a Inteligência Artificial tem da personalidade”.

A entrada no mercado está agendada para o início do segundo trimestre de 2019. Embora, o primeiro passo seja desenvolver a aplicação para smartphones, o empreendedor acreditam que dentro de dois anos “as pessoas vão começar a substituir os smartphones por óculos de realidade aumentada”, acabando por haver um uso alargado dos chamados wearable. A Nimest está já a preparar-se para esse caminho. Mas antes há ainda uma outra aposta a fazer: novos mercados. A startup quer ir para França depois do produto estar afinado em Portugal, mas mudando um pouco a sua missão. Ou seja, quer passar a permitir que historiadores e guias turísticos criem os seus conteúdos e que estes fiquem disponíveis nas aplicações.

“É a mesma aplicação porém com uma escalabilidade maior. A intenção é estudar Portugal e [depois], dada a visão que há do turismo em França, conseguir escalar. É um país muito maior e queremos ver como é que se comporta com pessoas de locais diferentes a criar conteúdos, porque no momento temos o controlo do conteúdo”.

Até ao momento, o investimento realizado foi feito através de capitais próprios do fundador, com o apoio do Startup Voucher, medida inserida na estratégia nacional de apoio ao empreendedorismo e que consiste nomeadamente na atribuição de uma bolsa mensal e mentoria. Mas Carlos Morais não descarta a possibilidade de em meados do próximo ano avançar com uma operação para levantar financiamento. Caso esta se concretize, a equipa da Nimest – que conta atualmente com quatro pessoas – pode crescer, havendo um reforço da parte de engenharia.

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