NoSho: Mesas de última hora para quem gosta de surpresas

Aplicação ajuda mais de 30 restaurantes a combaterem cancelamentos de reservas e procura investimento. Solução ainda só está disponível em Lisboa, mas a ideia é chegar ao mercado internacional.

Quando um restaurante funciona com base em reservas, um cancelamento de última hora tem o mesmo efeito que uma refeição estragada: não é possível dar logo a volta à situação e as contas ficam azedas por algum tempo. A NoSho é uma aplicação móvel que resolve o problema e ainda surpreende os apreciadores de comida de gama superior.

Aberta a todos os consumidores desde o mês passado, tem mais de 30 restaurantes na lista mas cuja identidade não pode ser revelada.

"Nós oferecemos mesas impossíveis à última hora", destacam ao Dinheiro Vivo os fundadores da NoSho, Salvador Rodrigues e Tânia Figueiredo. A ideia é agarrar os "clientes espontâneos, que querem ter uma grande experiência mas que não gostam de reservar".

Do lado dos restaurantes, "ter alguém no restaurante a ligar para a lista de espera (em caso de cancelamento repentino) pode demorar muito tempo. Além disso, a pessoa a que estão a ligar é apanhada desprevenida e provavelmente não irá conseguir aparecer".

A aplicação da NoSho está disponível para os sistemas operativos iOS (Apple) e Android (Google). Depois de completar o registo, surge um mapa com o concelho de Lisboa. Se lá surgirem pontos, quer dizer que há mesas disponíveis.

Depois de carregar num dos pins, é possível ver o nome do restaurante, tipo de cozinha, preço médio e se tem uma promoção ativa. Caso queira ver mais detalhes, aparece o menu completo, galeria de imagem e mais informação sobre um eventual desconto disponível.

Se quiser levar a surpresa a sério, basta deixar ativas as notificações e esperar que, de repente, surja uma mesa para duas ou mais pessoas. A aplicação dá prioridade à proximidade e disponibilidade do restaurante e não o nome.

Os restaurantes têm uma versão própria da NoSho. Para lançar os avisos, escolhem uma mesa, hora de chegada pretendida e ainda podem ativar uma opção de flexibilidade - isto é, uma mesa que daria para quatro pode ser ocupada por apenas duas pessoas.

Os estabelecimentos podem enviar uma notificação para que os clientes compareçam no prazo de 15 minutos a duas horas. No futuro, a ideia é sentar as pessoas 15 a 30 minutos depois de se saber que uma mesa ficou vaga.

Para já, a NoSho está em fase de laboratório e é totalmente gratuita para consumidores e proprietários dos estabelecimentos. "Temos uma seleção muito apertada dos restaurantes. Normalmente, só aceitamos um espaço com estrela Michelin ou com cozinha de autor", assinalam os fundadores.

Lisboa funciona como uma "experiência" porque Salvador Rodrigues e Tânia Figueiredo querem ir mais longe a nível europeu.

"O mercado português pode ainda não estar preparado para não reconhecer a mais-valia de poder jantar num restaurante sem ter de esperar uma ou duas semanas pela reserva. Quem for de fora reconhece a mais-valia de explorar este modelo. Mas não sabemos se Lisboa será o local ideal para lançar isto."

A primeira ideia para a NoSho surgiu em 2015. Salvador Rodrigues, formado em cinema e televisão, trabalhava em agências de publicidade e na área de edição vídeo.

Nessa altura, "havia um problema mundial nos restaurantes de luxo e com estrelas Michelin. A operarem com margens de negócio mínimas, tinham um prejuízo brutal cada vez que alguém não aparecia. São espaços com quase um ano de fila de espera e que depois não podiam ser aproveitados à última hora". A ideia de Salvador Rodrigues ainda foi apresentada em alguns concursos mas terminou numa gaveta.

Em 2019, o fazedor conheceu Tânia Figueiredo na empresa de partilha de trotinetas Frog, que então acabara de entrar em Lisboa. A pandemia levou ao fim do negócio em Portugal. Salvador e Tânia tiveram de encontrar alternativas.

A ideia de 2015 foi resgatada em 2020 e foi a tempo de participar no concurso de ideias para a restauração From Start to Table. Os dois fazedores, a estrearem-se no mundo das startups, permitiram que a NoSho ganhasse a categoria de tecnologia na iniciativa promovida pela associação Startup Lisboa. O prémio de 10 mil euros foi o impulso necessário para criar a aplicação, com a ajuda de programadores estrangeiros.

A verba foi fundamental para desenvolver todo o projeto sem necessitar de mais capital externo. Mas está a chegar a hora de entrar no restaurante do capital de risco.

"Estamos a começar a tratar da nossa primeira ronda de investimento. Precisaremos de 150 mil a 250 mil euros para promovermos a NoSho no mercado. O nosso objetivo é chegarmos ao verão com toda a aplicação a funcionar a 100%", esperam os fundadores.

Para o futuro, a NoSho quer afirmar-se como a aplicação de referência para reservas de última hora neste tipo de restaurantes, com mesas disponíveis em permanência.

Mais além ainda está a adaptação da plataforma e outro tipo de atividades, como cabeleireiros ou espetáculos culturais.

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