O arquiteto da “Casa na Árvore”

O arquiteto César Rouco Marques
O arquiteto César Rouco Marques

Dois projetos portugueses de micro-casas sustentáveis andam nas bocas do mundo. Em Julho do ano passado, os ateliês dos arquitetos Mendes Pinheiro e César Rouco Marques foram distinguidos no concurso "Microhousing Ideas Competition", pela Denver Architectural League, nos EUA, entre mais de 100 candidaturas.

O Dinheiro Vivo foi conhecer melhor o projeto “Casa na Árvore”, de César
Rouco Marques, que tem dois pisos, 35 metros quadrados e uma grande
preocupação ambiental.

2

Fala-se muito que a “Casa na Árvore” tem preocupações de eficiência energética. Que preocupações são essas?

A casa é um ensaio crítico sobre uma habitação mínima com uma área de 35 metros quadrados, direcionada para uma estrutura familiar também mínima, como um casal ou um indivíduo numa fase inicial de vida adulta. Neste contexto, propusemos um edifício que tem como conceito a representação teórica de uma árvore, procurando uma estética que permitisse a colocação de um conjunto de equipamentos de aproveitamento de águas da chuva e da exposição solar, como forma de adequar a nova construção aos desafios contemporâneos. Na conceção do espaço, mantivemos esta relação comprometedora com a natureza com um envidraçado de quase cinco metros de altura, que inundasse o espaço interior, exíguo, com uma dinâmica fluida e cheia de luz.

Que materiais foram utilizados na construção desta micro-casa?

Para a estrutura do projeto foi utilizada a madeira. A cortiça foi usada nos revestimentos exteriores, as fibras foram usadas como elementos de inércia térmica, e o gesso cartonado foi utilizado nos acabamentos interiores.

Esta poderá ser uma casa muito barata, mas em que sentido? Barata de construir ou de manter?

Ambos. Acreditamos que, tanto a sua implementação como a sua manutenção no dia-a-dia será comportável e barata. Se pensarmos que o espaço é exíguo e volumetricamente satisfatório, basta haver luz exterior para que não seja necessário acender luzes no interior. O espaço interior é único, e, não tendo paredes divisórias, a habitação estará sempre “aberta” à luz solar. Por outro lado a iluminação é efetuada por led, equipamento que neste momento quase não consome eletricidade.

As micro-casas serão uma alternativa ao modelo habitacional atual?

As micro-casas são uma solução do presente. Os paradigmas sociais sobre a habitação estão numa fase de transformação, fruto dos tempos conturbados em que vivemos. Estas pesquisas em novas formas de habitação são fruto das necessidades com que nos deparamos, tanto no ateliê, como numa conversa de café com os amigos. Quando se fala de uma habitação, falamos, inconscientemente, do nosso próprio contexto, das nossas vontades agora. A casa é um elemento essencial ao nosso enquadramento social, mesmo que, por razões económicas, tenhamos que pensar na habitação já não como forma de estabilização familiar duradoura, mas talvez como forma de mobilidade pontual circunscrita ao tempo e num contexto, sem que, por isso, tenhamos que abdicar da construção de uma estrutura familiar.

*em Inglaterra

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Ilustração: Vítor Higgs

Indústria têxtil em força na principal feira de Saúde na Alemanha

O Ministro das Finanças, João Leão. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Nova dívida da pandemia custa metade da média em 2019

spacex-lanca-com-sucesso-e-pela-primeira-vez-a-nave-crew-dragon-para-a-nasa

SpaceX lança 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

O arquiteto da “Casa na Árvore”