Alimentação

Oatvita. Quando a aveia se reinventa, reinventa-se a indústria inteira

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Empresa portuguesa desenvolveu produto que transforma aveia numa matéria-prima concentrada: projeto passa por revolucionar a indústria alimentar

Joana e Isabel tiveram uma ideia: queriam usar a aveia como base para um novo produto, que permitisse usar este ingrediente numa maior variedade de pratos. Começaram a trabalhar no projeto em 2007 e foi com ele que concorreram ao programa COHiTEC, da COTEC.

Venceram e começaram a trabalhar no desenvolvimento daquilo que viria a ser, agora, a Oatvita: um ingrediente alimentar feito à base de aveia fermentada, criado pe-la empresa entretanto fundada, a 5ensesinfood. Envolvida no desenvolvimento da tecnologia está uma investigação desenvolvida na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto e validada comercialmente com o apoio do Programa COHiTEC.

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Fisicamente é um creme, viscoso e concentrado, que pode ser usado em bebidas, gelados, sobremesas e muitas outras receitas”

Com o crescimento do produto veio outra necessidade: investimento. Só que encontrar os parceiros certos para os 1,4 milhões necessários foi mais difícil do que imaginavam. E se, em 2007, a empresa trabalhou no desenvolvimento do produto, só dois anos depois se deu a entrada de cinco promotores no capital da empresa. A empresa assegurou o valor necessário para a construção da fábrica e o início da produção através de um consórcio constituído por investidores nacionais em capital de risco – Change Partners, Invicta Angels e Braininvest –, apoiados pelo Finova – Fundo de Apoio ao Financiamento à Inovação no âmbito do Compete/QREN, e por um conjunto de investidores em nome individual.

“Não conseguimos dar o pontapé de saída para a empresa nessa altura mas avançámos com a criação da sociedade por quotas. O projeto foi colocado à apreciação de potenciais investidores e, nesse mesmo ano, foi feito um plano de negócios que reúne, em linhas gerais, um desenho do que poderia ser o negócio da empresa”, explica José Amorim, 59 anos, CEO da empresa.

Os passos seguintes passaram por estruturar o negócio e repensar o mercado: o que inicialmente pensavam ser um produto para vender ao cliente final passou a negócio B2B, de empresa para empresa. “A ideia era tornar um produto de laboratório e poder mostrá-lo a todos”, explica Joana Inácio, 36 anos, cofundadora do projeto. “Assim acrescentamos valor à aveia”, explica José Amorim. O cliente consumirá a Oatvita em produtos finais.

“Fisicamente é um creme, viscoso e concentrado, que pode ser usado em bebidas, gelados, sobremesas e muitas outras receitas. É obtido através da fermentação da aveia e, por isso, concentra todas as vantagens do ingrediente base e pode ser usado em muitos pratos”, dependendo da imaginação e criatividade, esclarece a engenheira industrial Maria Isabel Franco, 33 anos, cofundadora do projeto.

Os benefícios da aveia na saúde são reconhecidos: rica em fibra, que melhora a saúde da flora intestinal e promove a saciedade, tem também fibras solúveis, com efeitos na redução do colesterol. Maria Isabel Franco esclarece: 1 g de Oatvita tem a dose diária recomendada de uma substância responsável por ajudar a reduzir esse valor.

“Não se trata só das propriedades da aveia mas do processo industrial reinventado: o produto, o processo e a aplicação são inovadores”, detalha a engenheira alimentar. A empresa já garantiu a patente do produto em Portugal, Rússia, África do Sul, Austrália, China, Japão e México. E não quer parar. “A aveia não tem glúten mas, como é muitas vezes trabalhada em fábricas que processam outros produtos, é contaminada e pode conter vestígios de glúten”, explica José Amorim. No caso da Oatvita, até esse processo foi corrigido uma vez que a fábrica só trabalhará a aveia.

A estratégia do negócio da empresa passa agora pela diversificação das aplicações do ingrediente no maior número de indústrias possível, de maneira a expandir a carteira de clientes e levar a cada vez mais pessoas os produtos derivados desta clean label, que também se constitui como alternativa aos derivados lácteos.

“É um negócio com tendência de crescimento: estima-se que cresça entre 4% e 8% até 2020. Os produtos naturais como alternativa a outros com glúten e a busca de opções mais funcionais estão na génese das características que tivemos em conta ao desenvolver a Oatvita”, explica José Amorim. Assim, os primeiros mercados em que a empresa vai investir serão europeus: bebidas funcionais, indústrias dedicadas a alimentos naturais, dinâmicos, sector das bebidas vegetais com ou sem fruta e muitas outras”, conta.

Com odor, sabor e cor neutros, a Oatvita pode ser usada em todas as variantes da indústria alimentar. O ano de 2016 marca a inauguração da fábrica-piloto que, quando estiver em pleno funcionamento – três turnos diários –, deverá assegurar a criação de 15 a 20 postos de trabalho.

“Será um produto para responder às necessidades do mercado e, por isso, a produção dependerá dos clientes”, detalha José Amorim.

Em estudo está a possibilidade de produzir dois Oatvita: um produto premium, que exige ciclos de produção mais longos, e uma versão mais básica. “Em todos os casos, ter uma matéria-prima inovadora vai permitir à indústria alimentar criar uma nova linha de produtos porque a aveia é um cereal muito trabalhado e de muito fácil industrialização”, garante.

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