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Olivier brinda com Porto antes da entrada na Tailândia

(Orlando Almeida / Global Imagens)
(Orlando Almeida / Global Imagens)

O negócio está quase fechado. Depois de S. Paulo será Banguecoque a abrir portas a Olivier. Em 2019 o chef promete uma novidade “bombástica”

À moda do Porto e em dose dupla. Depois de mais de 20 anos a investir na capital, o chef e empresário Olivier da Costa tem casa nova na Invicta. Sem olhar à especulação, escolheu duas das zonas mais nobres da cidade: o KOB vai abrir mesmo junto aos Aliados e o Guilty será vizinho da Casa da Música. Os dois conceitos há muito que são conhecidos do paladar lisboeta.

Há anos que o Porto estava na mira do grupo, admite o chef em entrevista ao Dinheiro Vivo. Faltava encontrar os parceiros certos. “Avançar sozinho não fazia sentido. Queríamos fazer um projeto com alguém que tivesse conhecimento do mercado e que respeitasse as minhas exigências.”

Sem revelar ainda quem são os “parceiros-chave”, porque a estrutura acionista não está fechada, o chef desvenda apenas que são dois empresários locais da hotelaria e do turismo, estando em aberto a entrada de um terceiro.

Suspenso por detalhes está também aquela que será a grande novidade em 2019. Olivier prepara-se para assinar os papéis com o grupo Minor, dono dos hotéis Tivoli, para a abertura de um restaurante em Banguecoque, na Tailândia. “Estamos a negociar, está 90% fechado. O entusiasmo é grande.”

O salto para a Ásia acontece dois anos depois da inauguração do Seen em São Paulo, no 23.0 andar do Tivoli. “Foi um sucesso brutal. Abrimos em maio de 2017 e fechámos a faturar dez milhões de reais (2,3 milhões de euros). Em 2018 a faturação rondou os 16 milhões de reais (3,7 milhões de euros). Nos hotéis que o grupo Minor tem em todo o mundo não há um restaurante que fature mais.”

O “sucesso brutal” em São Paulo levou a que a Minor quisesse replicá-lo em Lisboa. Em novembro do ano passado abriu o Seen no Tivoli da Avenida da Liberdade, com “resultados extraordinários”. Sem revelar as contas, Olivier garante que o investimento que faz num restaurante “fica pago em quatro ou cinco meses”.

Em 2018, o grupo Olivier, que inclui cinco restaurantes, faturou 8,8 milhões de euros, mais 10% do que no ano anterior. Já a marca Olivier, em que estão inseridas as parcerias, como o grupo Minor ou a dona do Pine Cliffs, alcançou os 14 milhões de euros. Para 2019 as metas são mais ambiciosas: chegar aos nove milhões com o grupo e tocar a fasquia dos 20 milhões somando todas as parcerias e novos projetos. Um deles já tem nome e data para abrir: o sushi do Yakuza chega em março a Cascais.

Há mais duas novidades na calha, mas o empresário quer manter, para já, o segredo. “Se tudo correr bem, vamos abrir duas marcas novas. Uma é bombástica, um conceito novo e, penso eu, único no mundo, e contamos com um parceiro forte. A outra é uma vontade minha.”

A expansão para mais países vai depender dos parceiros, como o grupo Minor, que nos próximos dois anos vai crescer na Ásia e reforçar na América do Sul. “Não está nada falado, mas enquanto estiver a dar bons números podem surgir oportunidades.”
A grande oportunidade que o grupo agarrou nos últimos anos foi o apetite dos turistas por Portugal. O marketing digital é o grande investimento de Olivier desde 2017.

“Esta coisa do TripAdvisor foi muito mau para nós porque criou monstros autênticos, somos quase reféns disso. Mas noto que isso está a passar e que as pessoas estão a dar mais atenção às redes sociais. É aí que apostamos. Funciona como forma de internacionalizar a marca”, explica. Dos 13% que o grupo cresceu em 2017, mais de metade foi com estrangeiros.

“Não comunicamos para quem compra bilhetes de avião low-cost ou fica em hostels. Mas também não somos o alvo do turista rico, o nosso preço mais alto são 60 euros. Começámos a olhar de forma tática para o turismo e tem resultado. Mas a maior parte dos clientes continuam a ser portugueses. Nem queremos ter mais de 50% de estrangeiros”, afirma.

O empresário diz que a restauração em Lisboa não está saturada, mas está mais competitiva. “Estamos na fase em que toda a gente acha que pode abrir um restaurante, e há muitos amadores. Mas os bons não têm com que se preocupar.”.

Para a concorrência, Olivier deixa uma mensagem. “Há dez anos em Lisboa, quem jantava fora três vezes por semana eram 1500 pessoas. Hoje, juntando os estrangeiros, devemos ir às três mil. Dizem-me que há mil e tal restaurantes em Lisboa, portanto não há hipótese nenhuma de sobrevivência para todos. Quando abri o Guilty há oito anos era novidade. Hoje há 300 do mesmo género e metade são cópias. Não há muitos que consigam vingar.”

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