Os fatos de ballet mais confortáveis

A fundadora da Micaela Larisch Design
A fundadora da Micaela Larisch Design

Sonhou ser bailarina, mas não chegou a dançar – um problema de
saúde e uma timidez considerável afastaram-na dos palcos. Ainda
assim, foi à volta das roupas, que parecem de bonecas, que Micaela
Larisch
construiu a sua vida, depois de aprender tudo sobre a
conceção de fatos para bailado – das texturas ao corte, aos
desenhos e silhuetas ideais para dançar – e profissionalizar-se,
passando a controlar todo o processo de criação de fatos, debaixo
da marca que recebeu o nome da criadora. Otimista por natureza,
desenvolveu o seu próprio método de confeção de peças de roupa e
acessórios para ballet, foi crescendo no mundo do espetáculo,
internacionalizou-se e hoje é um nome incontornável na área.

Mas, afinal, o que há de especial nos fatos de ballet? “O
problema é que as roupas usadas nos espetáculos são tudo menos
confortáveis; há bailarinas que chegam a sentir-se mal em cena, por
não conseguirem respirar, ou simplesmente ficam presas nos fatos,
impedidas de fazer certos movimentos. As pessoas que aqui chegavam
para trabalhar comigo eram costureiras profissionais, sabiam de
tecidos, de corte, mas não tinham formação específica na
manufatura de fatos de dança.” À base de licra, as peças de
Micaela tornam-se tão confortáveis como os maillots de treino, sem
perderem o brilho que o palco exige. O trabalho é facilitado pela
abordagem de Micaela: “Nunca desenho uma peça sem pensar na sua
execução.”

“Fazer roupa de criança não é a mesma coisa que uma roupa
de adulto de dimensões reduzidas. Estudei as medidas das crianças
durante muito tempo, interpretei-as e aprendi sozinha a fazer moldes
em CAD [computer aided design]”, recorda Micaela Larisch, que
terminou o curso há quase três décadas e hoje ensina, anualmente,
cerca de uma dúzia de estagiários que passam pela empresa, em Leça
da Palmeira, Matosinhos.

A certa altura, produzir roupa para espetáculos de ballet já não
chegava, por isso, a Micaela Larisch Design começou a executar
equipamentos básicos e, em 2000, por uma feliz coincidência,
alargou a atividade a produções para teatro e artigos de decoração.
“Eu fazia uns desenhos de roupa para espetáculos, que depois
eram confecionados profissionalmente, e uma marca de roupa para
criança viu e fez-me uma encomenda.” A coisa correu tão bem
que, quando dei por isso, não tinha mãos a medir com tantas
encomendas, alargando a atividade ao mais complexo guarda-roupa para
espetáculos. Já este ano lançou-se num novo desafio: a produção
de uma linha de acessórios e peças de decoração cénica, além de
uma coleção de artigos temáticos que qualquer um pode levar para
casa, como pufes, almofadas anti-stress ou necessaires em forma de
sapatilha.

Com uma equipa de nove pessoas, na Micaela Larisch Design todos
têm de fazer de tudo um pouco. É que chega a haver encomendas, para
os espetáculos de Natal e de fim de ano letivo, de fatos para 200
miúdos, sendo garantida a entrega, no máximo, em três semanas.
Quando o trabalho aperta, até o pessoal administrativo dá uma mão
na produção, garante.

Além da paixão pela dança, a estilista de fatos de ballet e de
espetáculo trabalha com um certo espírito de missão. Razão pela
qual, nos dez anos passados desde que começou, se empenha a ajudar
os jovens do ensino profissional que estagiam na sua empresa a
entrosar-se com a realidade do mundo do trabalho. “A dança dá
equilíbrio às pessoas, impõe disciplina às crianças e
permite–lhes serem melhores estudantes”, explica a empresária,
filha de mãe portuguesa e de pai alemão e neta do empresário
Adriano Lucas – fundador das Fábricas Triunfo e do Diário de
Coimbra, entre outros negócios.

“Sou alemã na hora de entrada no trabalho, exijo rigor”,
explica Micaela Larisch. A herança materna “revela-se na hora
de saída, imprevisível, principalmente se houver um daqueles picos
de trabalho”, como acontece em épocas festivas.

No seu atelier, os jovens aspirantes a estilistas aprendem, por
exemplo, a diferença que fazem as peças “amigo do utilizador”.
“O melhor exemplo são os laços já feitos de origem, algo que
me apercebi ser um problema quando frequentei os bastidores dos
espetáculos. Outro exemplo é o facto de todos os produtos serem
pensados para servirem bem a grupos heterogéneos, em tamanhos
standard, apenas com alguns ajustes nos acessórios ou nas cores – o
que também ajuda a baixar os preços finais”, diz.

Tais cuidados são reconhecidos em lojas da especialidade e
profissionais, incluindo os bailarinos da Companhia Nacional de
Bailado e mesmo escolas estrangeiras. Entre os bailados e teatros,
para os quais a estilista já produziu guarda-roupa, incluem-se
grandes espetáculos como O Principezinho, O Quebra-Nozes, Lago dos
Cisnes, Dom Quixote, O Feiticeiro de Oz, Alice no País das
Maravilhas e A Pequena Sereia.

Com a empresa a crescer, Micaela prevê, este ano, quase duplicar
a faturação de 2011 (150 mil euros), atingindo os 250 mil euros. A
estilista já exporta para Itália, Espanha, França, Bélgica e
Eslovénia, entre outros países, e prepara-se para duplicar a área
de produção nas novas instalações, que inaugura em setembro.
“Gosto de desafios e é neles que invisto o máximo das minhas
capacidades. Está na hora de começar a investir mais nos bailarinos
profissionais, que tenho descurado por estar mais virada para a
própria empresa e a preparação da equipa.”

http://www.micaelalarisch.com/pt/

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