Out of Office: Restaurantes transformam-se em espaços de trabalho

Com as empresas a apostarem cada vez mais no trabalho remoto e os restaurantes com menos receitas, a nova startup quer funcionar como um agregador de coworks em todo o país.

Restaurantes, hotéis, espaços de cultura e lazer podem transformar-se em locais de trabalho partilhado sem custos e com mais receitas ao final do mês. A Out of Office é a startup portuguesa que "quer ser para o trabalho remoto o que o Airbnb foi para os alojamentos".

José Luís Pinto Basto é o fundador deste conceito, que já conta com cerca de uma dezena de localizações em Lisboa, Cascais e Comporta. A médio prazo, chegar a todo o país é o principal objetivo traçado.

"Os restaurantes servem almoços e jantares e entre estes períodos não estão a rentabilizar o espaço. O Out of Office quer oferecer locais alternativos para trabalhar", nota o fazedor, entrevistado remotamente a partir de Miami, nos Estados Unidos, onde está sediado.

As reservas dos espaços são feitas exclusivamente pela internet, com a ajuda de um mapa interativo. Cada pessoa sabe ao que vai, pois cada local aderente indica se há internet sem fios, tomadas e outras facilidades. Os habituais espaços de trabalho partilhado não pertencem ao conceito. A Out Of Office não é proprietária de qualquer espaço.

Além da tarifa por hora (1,25 euros), há dois pacotes para os utilizadores: semanal, com 40 horas de utilização de qualquer um dos espaços aderentes (28 euros); e mensal, com acesso ilimitado a qualquer local (90 euros).

A Out of Office cobra uma comissão de 25% por cada transação, para trazer mais utilizadores e gerar receitas para a plataforma. Nas subscrições, da mesma forma que acontece no Spotify, os montantes são distribuídos conforme a ocupação.

A startup quer captar os trabalhadores remotos, que precisem de sítios para laborar por algumas horas por dia. José Luís recorda que várias empresas já estão a adotar o modelo de trabalho híbrido, em que um ou mais dias da semana os funcionários podem laborar a partir de qualquer local.

O fazedor também quer apaziguar a tensão entre empregados dos cafés e restaurantes e consumidores. "Vamos regular a permanência dos clientes nos espaços", assegura José Luís.

Há três anos nos Estados Unidos, o fazedor teve a ideia da Out of Office durante o ano passado. "O conceito já existe aqui há alguns anos. Os espaços físicos não estavam a ser bem aproveitados e com a pandemia estão a precisar de mais receitas. Os trabalhadores precisam de novos locais. Isto é uma ótima combinação."

Fundar o negócio representou um investimento inicial de 25 mil euros, dividido entre José Luís filho e José Luís pai, o líder da empresa de investimentos The Edge Group.

Entretanto, o fazedor encontrou uma responsável de operações, Maria Silva. Com Miami e Portugal a cinco horas de diferença, José e Maria acabam por trabalhar praticamente sincronizados apesar da distância porque a mulher prefere trabalhar à noite.

José Luís está a gerir o negócio ao mesmo tempo que toma conta da marca Labrador e do trabalho a tempo inteiro como consultor de estratégia. Conjugar as três atividades só é possível porque "trabalhar a partir de casa dá mais tempo para gerir outros negócios".

A próxima etapa é angariar uma ronda pré-semente (pre-seed) de 200 mil euros, para o negócio ganhar escala e angariar novas localizações em todo o país. O fazedor conta que logo no primeiro ano a Out of Office seja rentável, bastando, para isso, juntar mil utilizadores. O único investimento necessário é no reforço das capacidades tecnológicas da plataforma.

Dentro de alguns anos, a startup quer alargar a transformação de restaurantes em coworks para toda a Europa.

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