Padaria Portuguesa vs Zara. Democratizar o modelo de negócio em 5 passos

Comparar A Padaria Portuguesa a uma Zara das pastelarias? “Quem me dera”, responde Nuno Carvalho.

No entanto, o gestor admite rever-se em alguns dos princípios do fundador do grupo Inditex, dono da Zara.

1. Ter um best-seller

O pão de Deus d’A Padaria Portuguesa foi um produto desenvolvido para ser a ‘especialidade’. “É uma técnica que os americanos usam muito, chama-se signature item. Em Portugal, a especialidade era pastel de nata em todas as pastelarias. Decidimos apostar num serviço diferente que tem uma adesão grande por parte do consumidor e criar uma base de fidelização nas manhãs, com um menu pequeno-almoço com uma proposta de valor imbatível: value for money, efetivamente. É um produto muito relevante nas nossas vendas".

2. Garantir inovação

Há um ano, A Padaria criou um ateliê de inovação próprio que assegura novos produtos a cada 6 a 8 semanas. “Criámos um entusiasmo através de campanhas de comunicação muito apetecíveis visualmente, com amostras que criam entusiasmo num negócio estandardizado”. Outra estratégia passa por trazer produtos regionais para a cidade - exemplo do travesseiro de Sintra. “Nesse sentido fazemos um papel muito parecido com o da Zara: eles democratizam a moda, nós democratizamos a pastelaria regional com preços razoáveis”.

3. Estabelecer uma velocidade

Para gerir um projeto de standardização de lojas, e todas as ideias ruidosas à volta que vão aparecendo, Nuno foi eliminando algumas, muitas vezes suas. “Temos um modelo de expansão: quando assino um contrato de arrendamento, exatamente cinco semanas depois está uma loja aberta”. Isso significa que todos os fornecedores estão habituados ao processo e que a equipa de recursos humanos tem um plano de formação de quatro semanas para criar chefias de loja. “A standartização é fundamental”.

4. Mudar hábitos de consumo

Cidades mais globais obrigam as marcas a adaptar-se e transformam hábitos de consumo. “Em Lisboa, quando começámos a desenvolver o merchandising e packaging da marca, pedi para se desenvolver os copos de galão em papel, personalizados, com uma tampa, para irmos a beber um galão ou uma meia de leite por uma rua fora”, conta Nuno. Na altura, os colegas diziam “isto não é um Starbucks, isto não é Londres nem Nova Iorque, esquece”. “Não há dia em que não veja copos destes da Padaria Portuguesa a circular”, conta. Para Nuno, o consumidor português está a mudar. E, nesse sentido, talvez as alterações levem A Padaria “a olhar para o mercado com cuidado”.

5. Financiar-se

O projeto da Padaria Portuguesa foi sempre financiado com capitais próprios e, desde a 5.ª loja, que gera cashflow operacional positivo. Nuno explica: “As receitas operacionais pagam os custos operacionais da empresa. E é com o dinheiro gerado pelas lojas que vamos abrindo que temos feito a expansão. Não temos recurso à banca a não ser para leasings no valor residual das vendas, 0,5%, porque é fiscalmente mais eficiente”. No entanto, a um ritmo de expansão acima do cashflow, Nuno admite “vir a precisar de pequenos apoios financeiros para dar continuidade à expansão”. “É um ponto de honra: recebemos primeiro dos clientes antes de pagar aos fornecedores e aos colaboradores. Não nos financiamos nestes stakeholders, pagamos a tempo e horas aos colaboradores com estes prémios de remuneração de que falei, pagos em valor líquido no mês seguinte. De 15 em 15 dias estamos a injetar dinheiro na economia”.

Conheça a 40ª loja d'A Padaria Portuguesa. Veja o vídeo

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