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Paladin. O piri-piri é sacana e o vinagre também tem maracujá

Carlos Gonçalves, dono do grupo Mendes Gonçalves
Carlos Gonçalves, dono do grupo Mendes Gonçalves

Quando o grupo Mendes Gonçalves comprou a portuguesa Paladin, em 2004, a marca de temperos só produzia mostarda. Hoje, saem da fábrica da Golegã dezenas de produtos, entre vinagres, molhos e condimentos, para serem vendidos em 23 países.

Só em Marrocos, a marca Paladin já está à venda em 3000 lojas e as vendas, em um ano, atingiram meio milhão de euros.

E ainda em maio, seguir-se-á a Argélia: os produtos já estão prontos, rotulados em árabe, e foi, inclusive, desenvolvida uma linha de vinagretes especial para este mercado. Líbia, Jordânia, Iraque, Irão e Emirados Árabes Unidos também estão na lista para 2014.

Antes de partir para estes países, a Paladin obteve as certificações Kosher e Halal, por forma a respeitar as leis da alimentação judaica e muçulmana. “Fazemos mais do que exportar, internacionalizamos a Paladin. Não vendemos produtos, temos um acordo com um distribuidor local e fazemos, nesses países exatamente o mesmo que em Portugal”, explicou Carlos Gonçalves, o dono do grupo Mendes Gonçalves, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A fórmula é a de sempre. Vender mais em países em crescimento, ávidos deste tipo de produtos e de inovação, para compensar os mercados mais maduros, como Portugal e a Europa.

O grupo Mendes Gonçalves, criado em 1982, para produzir vinagre a partir do figo – produto que ainda hoje vende -, faturou 22 milhões de euros em 2013, mais 20% do que no ano anterior.

“Temos crescido na casa dos dois dígitos e é o que esperamos continuar a fazer, capacidade que saiu muito reforçada com o relançamento, no verão passado, da Paladin, que tem apresentado crescimentos de 100%”, acrescentou o empresário.

As previsões do grupo para o final do ano apontam para um volume de negócios de 26 milhões de euros, sendo que a Paladin deverá chegar aos seis milhões de euros. A restante faturação é proveniente da produção para as marcas de distribuição e outras marcas industriais, bem como de outras insígnias do grupo Mendes Gonçalves.

A Pensinsular, que nasceu com o grupo, em 1982, é, ainda hoje, a referência para a hotelaria, responsável, por isso, por volumes maiores, e em Angola. O objetivo é, porém, a de transformar a Paladin na bandeira do grupo. “A Paladin é uma marca de temperos transversal, não é só de maionese, ou de ketchup”, defendeu Carlos Gonçalves. E para isso, foram criados produtos exclusivos, como o molho de azeitonas e orégãos, vinagres com polpa de frutas e em spray, ou o piri-piri com laranja, limão e ananás.

Picante sem ofensa

O piri-piri da Paladin é sacana, feito com malaguetas olho de pássaro – pequenas, enrugadas, feias, mas muito picantes -, importadas de Moçambique. E a Paladin, marca relançada com um investimento de quatro milhões de euros, brinca com a palavra. Na quadra escrita na embalagem – todos os produtos têm um pregão diferente – está escrito: “É picante sem ofensa, é tradição bem apurada, este sacana faz bem a diferença, sem entrar pela asneirada”.

O piri-piri é, no entanto, uma exceção, porque a quase totalidade das matérias-primas utilizadas na Paladin é de origem nacional. Segundo explica Carlos Gonçalves, a empresa importa apenas alguns ingredientes, como os aromas, que não existem em Portugal. “Temos uma taxa de incorporação nacional de 88%. O óleo, o tomate, o figo e o vinho, entre outros ingredientes, são portugueses. A Paladin foi, aliás, uma das primeiras marcas a ter o selo Portugal Sou Eu”, frisou o mesmo responsável.

Cinco milhões em nova fábrica

Para já, a produção está toda concentrada na Golegã. A fábrica, que tem uma capacidade para produzir 30 milhões de litros de vinagre e 10 milhões de quilogramas de molhos por ano, está, neste momento, a funcionar 16 horas por dia, para enfrentar o habitual pico de venda que afeta os produtos da Paladin no verão. Trabalham na fábrica 180 pessoas, a maioria do concelho da Golegã, que tem cerca de cinco mil habitantes.

Mas, ainda este ano, o grupo Mendes Gonçalves irá construir uma fábrica no estrangeiro. Neste momento, os locais já foram identificados e estão em curso as negociações para a criação, de raiz, de uma nova unidade de produção, em Angola ou Moçambique. “Vamos ter produção fora de Portugal. É impensável continuar a exportar produtos de baixo valor unitário para países a milhares de quilómetros, já que os custos de transporte pesam muito”, justificou Carlos Gonçalves.

Segundo o mesmo responsável, “lá para agosto ou setembro já existirá uma decisão sobre a internacionalização da produção. Num destes dois países, já que não podemos fazer tudo ao mesmo tempo”. O investimento previsto é de cinco milhões de euros. Numa segunda fase, o grupo Mendes Gonçalves poderá vir a ter mais fábricas no estrangeiro, nomeadamente no Médio Oriente, um mercado forte para a Paladin.

O objetivo da Paladin é tornar-se na marca de temperos de Portugal, já que lhe será difícil concorrer com as grandes multinacionais, como a Unilever ou a Heinz. “O nosso desafio não é liderar na maionese, é sermos os primeiros nos temperos. Queremos ser a Paladin de Portugal, entrar no coração dos portugueses. Tanto nos faz que seja num vinagre, numa maionese, ou num ketchup”, frisou Carlos Gonçalves.

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