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Panion: Comunidade de gostos em comum à distância de uma app

Melanie Aronson é a fundadora e líder da Panion. Fotografia cedida pela Panion
Melanie Aronson é a fundadora e líder da Panion. Fotografia cedida pela Panion

Melanie Aronson fundou na Suécia uma plataforma para criar grupos de partilha de interesses. A fazedora mudou-se para Portugal.

É como uma app de encontros mas sem essa função. A Panion é uma aplicação móvel que permite a criação de comunidades., nascida em 2018 para juntar pessoas com gostos e interesses profissionais semelhantes sem qualquer propósito amoroso – ao contrário do que acontece com o Tinder ou o OkCupid.

Melanie Aronson é norte-americana, fundou a startup na Suécia mas já depois do confinamento mudou-se para Portugal. A Panion entrou no programa de aceleração Maze X, gerido pelas fundações Calouste Gulbenkian e Edmond de Rothschild.

A aplicação pode ser descarregada gratuitamente e a partir daí permite a criação de comunidades privadas. Promover ligações mais genuínas e profundas entre os membros de cada um destes grupos, de forma virtual ou presencial é o principal objetivo desta solução.

Quem gere as comunidades tem acesso a dados como os principais interesses dos utilizadores e o número de conversas entre os membros do grupo. Também há planos pagos, com mais opções.
Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Nigéria são os países onde a solução tem tido mais sucesso. Os investidores já injetaram mais de 230 mil euros e a aplicação já conta com 140 mil utilizadores registados.

A startup nasceu por vontade da própria fundadora. Melanie estava na Suécia desde 2014, com uma bolsa de investigação sobre integração de imigrantes. “Percebi que era difícil entrar em contacto com as pessoas. São muito reservadas”, recorda em conversa com o Dinheiro Vivo. A ideia começou a ser desenvolvida aproveitando o tempo livre que tinha – as deslocações eram curtas, ao contrário do que acontecia quando vivia em Nova Iorque.

A norte-americana trabalhava sobretudo como realizadora. “Comecei o desenho do protótipo graças a algumas ferramentas digitais que fui encontrando na internet.” Ainda com um protótipo, Melanie conseguiu entrar numa aceleradora em Malmö, cidade perto da fronteira com a Dinamarca.

Já em 2018 e a trabalhar de manhã à noite, Melanie teve de optar entre o mundo das startups e a Sétima Arte. “Sentia que estava a desiludir toda a gente. Percebi que não podia continuar a fazer isso”. E foi então que parou a carreira no cinema e o guião virou-se para a Panion.

A fazedora, ainda assim, consegue encontrar pontos em comum. “Fazer um filme implica muita gestão de projeto. Temos de juntar pessoas talentosas de forma colaborativa para construir um produto e depois atrair uma audiência. O mesmo se passa nas startups: constrói-se a equipa, encontram-se as melhores pessoas em cada área, geralmente melhores do que tu, e criar-se um espírito de equipa e de missão.”

Contratar é outro desafio. “Estava habituada a ir buscar colaboradores para o curto prazo; numa startup, contrata-se a longo prazo e são necessárias pessoas que encaixem na cultura, como se fosse um casting.”

A equipa da Panion conta atualmente com dez elementos, todos em trabalho remoto e espalhados por vários continentes. Por opção, Melanie é a única pessoa que ainda não recebe ordenado mas consegue sustentar-se graças às sessões de storytelling dadas (remotamente) numa universidade sueca.

A Panion, entretanto, prepara-se para lançar novas funcionalidades e está a levantar um milhão de euros em investimento externo.

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