Plataforma de criptomoedas é o sétimo unicórnio com ADN português

Fundada por Diogo Mónica, Anchorage recebeu investimento de 350 milhões de dólares (310 milhões de euros) em série D. Injeção de capital servirá para aproximar-se ainda mais de instituições financeiras.

Há sete empresas tecnológicas com estatuto de unicórnio que contam com ADN português. Fundada por Diogo Mónica e Nathan McCauley em 2017, a Anchorage Digital (Anchorage) é mais recente companhia a juntar-se ao clube das empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares (885,8 milhões de euros). A plataforma de criptomoedas alcançou este patamar após fechar uma ronda de investimento de série D no valor de 350 milhões de dólares, segundo o anúncio feito nesta quarta-feira.

A injeção de capital servirá sobretudo para aproximar-se ainda mais de bancos e outras instituições financeiras, além de apostar no reforço do número de trabalhadores. A série D avalia a Anchorage em três mil milhões de dólares.

A operação foi liderada pelo fundo de investimento norte-americano KKR, o mesmo que levou as portuguesas OutSystems e Feedzai a atingirem o estatuto de unicórnio.

Segundo o comunicado, houve cerca de duas dezenas de entidades que também acompanharam a operação: Goldman Sachs, a Alameda Research, a Andreessen Horowitz, a Apollo, e fundos e contas geridas pela BlackRock, a Blockchain Capital, a Delta Blockchain Fund, a Elad Gil, a GIC, a GoldenTree Asset Management, a Innovius Capital, a Kraken, a Lux Capital, a PayPal Ventures, a Senator Investment Group, a Standard Investments, a Thoma Bravo, e a Wellington Management.

"Este financiamento coloca a Anchorage Digital numa posição confortável para responder à procura institucional sem precedentes deste mercado em rápida evolução", destaca o líder da Anchorage Digital, Diogo Mónica, citado em comunicado de imprensa.

Com a plataforma, qualquer banco pode criar produtos com mais de 100 criptomoedas. A solução da Anchorage também permite guardar criptomoedas ou mesmo abrir contas de depósito a prazo. A empresa também tornou-se, em janeiro, numa instituição regulamentada pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão independente do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Graças a isso, a tecnológica conta com clientes com instituições como o Goldman Sachs ou o fornecedor do setor bancário Finxact.

A equipa da Anchorage conta com mais de 200 trabalhadores, a esmagadora maioria deles nos Estados Unidos (185); há cerca de 30 pessoas a partir de Portugal, adianta Diogo Mónica ao Dinheiro Vivo. No início do ano, havia 75 funcionários da tecnológica.

O líder da Anchorage assinala que a empresa é amiga do trabalho remoto. "Esta forma de trabalho oferece um equilíbrio entre o tempo familiar e o trabalho dos nossos colaboradores, ao mesmo tempo que nos dá a vantagem dos múltiplos fusos horários para completar o trabalho e a comunicação assíncrona, que nos ajuda a avançar rapidamente."

A empresa não adianta, para já, quantas pessoas irá contratar em 2022. Refere apenas que haverá um "esforço ainda maior para contratar em Portugal, especialmente na área da engenharia". Para Diogo Mónica, "Portugal destaca-se pela sua excelente formação em computer science [ciência computacional] e engenharia".

Esta foi a segunda ronda de investimento captada pela Anchorage em 2021: em fevereiro, tinha obtido 80 milhões de dólares em serie C de investimento. Com a operação anunciada nesta quarta-feira, a tecnológica passa a acumular um total de financiamento privado no montante de 477 milhões de dólares.

Para saber como nasceu a Anchorage pode ler este artigo: Anchorage: A porta de entrada dos bancos para as criptomoedas ou então ouvir a entrevista de Diogo Mónica ao podcast do Dinheiro Vivo "Made In Tech".

Os outros seis unicórnios com ADN português são Farfetch, OutSystems, Talkdesk, Feedzai (o único registado em Portugal), Remote e SWORD Health.

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