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Plataforma permite-lhe acompanhar a forma como são usados os seus donativos

Veronica e Klaus estiveram em Lisboa para apresentar a EnlightAid na Web Summit. Fotografia: Facebook EnlightAid
Veronica e Klaus estiveram em Lisboa para apresentar a EnlightAid na Web Summit. Fotografia: Facebook EnlightAid

Fintech de missão social, baseada na Noruega, explicou a plataforma que desenvolveu para trazer mais transparência às organizações de caridade

Marcou a atualidade nesta semana, mas o caso Raríssimas está longe de ser uma exceção. Em Portugal, tal como no mundo inteiro. “Os números oficiais apontam para que 30% de todo o dinheiro, a nível global, que é doado para instituições de caridade se perca para corrupção”, explica Veronica Celis, CEO da EnlightAid. “E nós sabemos que os números oficiais nunca mostram a realidade completa. E se, ao que se perde em corrupção, juntarmos os desvios de fundos, a má gestão ou os erros que acontecem, o que sobra para a ajuda efetiva é muito menos do que o que devia ser”, acrescenta.

O impacto imediato desta estatística reflete-se na enorme desconfiança que as pessoas sentem em relação ao apoio às causas sociais. Veronica chocou com essa realidade um pouco por acaso.

“Sou chilena e quis abrir uma instituição de solidariedade no meu país. Pedi ajuda ao meu amigo Klaus Hatle, que tinha conhecido durante um trabalho no Canadá. Juntos desenvolvemos uma plataforma através da qual as pessoas podiam perceber de que forma é que estávamos a usar os donativos que nos davam. E o interessante foi constatar que o que fez mais furor não foi tanto a nossa missão social, mas a tecnologia em si. Tivemos várias organizações a contactar-nos, a pedir-nos para usar a nossa plataforma, porque também queriam ser transparentes com os donativos que recebiam.”

Dessa forma nasceu a EnlightAid, uma startup baseada na Noruega, de onde é o cofundador Klaus, que se assume como fintech de missão social. Através desta plataforma, as pessoas podem acompanhar a forma como as causas sociais utilizam os donativos que lhes são entregues.

“As organizações inscrevem as suas campanhas e as pessoas contribuem, podendo acompanhar sempre o desenvolvimento do projeto e a forma como o seu dinheiro está a ser aplicado”, explica a responsável, que adianta que o facto de se sentirem envolvidas é uma motivação para as pessoas contribuírem mais. “Sobretudo a geração millennial. Esses já não dão dinheiro só porque sim. Precisam de acompanhar e sentir que fazem parte do trabalho que está a ser desenvolvido.”

Até ao Natal, a EnlightAid espera ter sete campanhas ativas na plataforma e cerca de 200 utilizadores. “Nem todos são doadores, muitos são apenas observadores das causas. Mas cerca de metade já pôs dinheiro nalguma campanha”, explica Veronica que, no passado novembro, esteve em Lisboa para a Web Summit, exatamente à procura de mais utilizadores e de investimento.

“Correu bem, já vamos para a segunda reunião com alguns representantes de fundos de investimento, o que é sempre uma boa notícia”, admite a fazedora. Mas esses nem foram os melhores contactos que trouxeram. “O melhor da Web Summit foi termos conhecido uma pessoa da ONU que gostou muito da nossa startup. Imaginem… as Nações Unidas… seria para nós um cliente incrível.”

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