Pôr restaurantes no digital vale investimento de 3,25 milhões à Kitch

Startup portuguesa trabalha com mais de 100 restaurantes, incluindo o 100 Maneiras, Boa-Bao e Amélia. Expansão para Espanha e reforço da equipa em 30 elementos são os próximos passos.

A Kitch ajuda a colocar os restaurantes no mundo digital. A plataforma portuguesa pode lojas online, fornecer um serviço de entrega e de take-away ou simplesmente colocar estes espaços nas principais plataformas de entrega. A trabalhar com mais de 100 restaurantes na Grande Lisboa e no Grande Porto, a Kitch recebeu um investimento de 3,25 milhões de euros em ronda seed (semente).

Acelerar o desenvolvimento da plataforma, duplicar a equipa - das 30 para as 60 pessoas - e apostar no mercado espanhol são os principais objetivos da injeção de capital anunciada nesta terça-feira. Os fundos de capital de risco Atlantic Food Labs e Market One Capital lideraram esta operação, que foi acompanhada pelo Seedcamp e a Mustard Seed Maze.

A entrada de novos investidores eleva o financiamento total da Kitch para 4,25 milhões de euros: em maio de 2020, a plataforma já tinha arrecadado um milhão de euros em ronda pre-seed, comandada pela Mustard Seed Maze e o Seedcamp.

A startup foi fundada há pouco mais de um ano por Rui Bento, ex-líder da Uber em Portugal, em conjunto com Nuno Rodrigues, outro ex-responsável local da plataforma de transportes.

Na altura, a startup apresentou-se ao mercado como um agregador de cozinhas virtuais para entregas em casa.

"Quando começámos a operar, tínhamos uma ambição e objetivos diferentes, que tinham sido pensados no mundo pré-pandemia. O nosso primeiro objetivo era ligar às pessoas à comida favorita das cidades nas suas casas. As cozinhas virtuais eram uma parte muito importante daquilo que fazíamos. Estávamos a criar a noção de um mercado virtual de comida e a criar tecnologia para simplificar a vida aos restaurantes que estavam connosco nestas cozinhas virtuais", recorda ao Dinheiro Vivo o líder da Kitch, Rui Bento.

Ao longo de 2020, a plataforma começou a apostar na tecnologia para os restaurantes digitalizarem as entregas e o take-away. "Mas isto não era suficiente", lembra.

"As dificuldades dos restaurantes para a digitalização eram cada vez mais evidentes: terem de lidar com custos elevados para as entregas e o levantamento na loja e a falta de acesso à informação dos próprios clientes - que era uma componente muito particular dos restaurantes independentes e que foi perdida com a adesão às plataformas."

A Kitch tornou-se numa solução para "ajudar os restaurantes a terem mais controlo e a manterem-se independentes no mundo digital". A mudança de estratégia chegou a tempo do segundo confinamento e responde a várias necessidades destes estabelecimentos.

Um restaurante mais conhecido beneficia mais com a criação de um portal próprio, com as entregas a serem geridas por parceiros da Kitch e comissões mais baixas, de 5,9% mais três euros por cada pedido - em vez dos 30% cobrados, em média, pelas plataformas de entrega.

Um estabelecimento que se quer dar a conhecer pode pedir à Kitch para ser incluída nas aplicações de entrega: nestes casos, a comissão é de 3,9% mais três euros por cada vez.

A plataforma permite ainda ao restaurantes gerir num só dispositivo todas as aplicações de entrega com as quais pretende trabalhar e ainda ter acesso a toda a informação de venda, para aumentar o controlo.

Para prestar estes serviços é cobrada uma mensalidade de 49 euros para restaurantes com uma a três localizações. Na página oficial, a plataforma defende que os estabelecimentos poderão poupar 620 euros após 1000 pedidos com um preço médio de 15 euros.

100 Maneiras, Boa-Bao e Amélia são três dos mais de 100 restaurantes que já aderiram à plataforma.

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