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Portugal ao Domicílio: Para matar a saudade de casa

Luís criou a loja em dezembro de 2012
Luís criou a loja em dezembro de 2012

Sempre que um português viaja, há uma coisa que é queixa certa: o café. Agora, imagine o que é viver fora de Portugal e, além de sentir falta da bica, haver uma infinidade de coisas de que tem saudades. Foi a pensar nessas necessidades que Luís Fonseca, 39 anos, e a mulher, Sandy, 33, criaram o Portugal ao Domicílio.

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A viver em Paris há um ano e meio (depois de uma temporada na Grécia e, depois, em Espanha), Luís tinha sempre a mesma queixa: saudades de Portugal, dos petiscos e da comida portugueses. Usou os conhecimentos do curso de Economia e Marketing e juntou o útil – a criação do próprio negócio – ao agradável: levar o que de melhor se faz em Portugal aos emigrantes portugueses.

Com um investimento de 15 mil euros, lançou, a 12 de dezembro, o site onde, a partir de qualquer parte do mundo, se pode comprar produtos portugueses que, diretamente do centro logístico no Porto, são enviados para qualquer ponto do globo. “Nós e todos os amigos que vivem longe de Portugal sentimos a mesma coisa. Queremos comer coisas portuguesas e muitas vezes não conseguimos encontrá-las. A ideia do negócio foi criar um site que facilitasse a compra de produtos portugueses aos emigrantes que vivem longe do país.”

No Portugal ao Domicílio, Luís e Sandy vendem bacalhau, vinho, pomada Halibut, pasta de dentes Couto, pastilhas Gorila, rebuçados Dr. Bayard, conservas Minerva, leite com chocolate Ucal e refrigerante Sumol, e muitas outras marcas e produtos, de vinhos a cervejas, de brinquedos a livros. Tudo produtos nacionais. E nem as alheiras ficaram de fora: Luís e Sandy encomendam o enchido a um fornecedor que o entrega, fresquinho, sempre que alguém o encomenda.

A escolha dos produtos disponíveis no Portugal ao Domicílio teve em conta dois fatores fundamentais, explica Luís. “Por um lado, produtos de mercearia, que se consomem no dia a dia, como um hábito. Por outro, produtos que representem o que de melhor se faz em Portugal. E, dentro destes últimos, estamos a falar de um segmento de referências mais gourmet.”

Para começarem o negócio os dois sócios compraram mercadorias para compor o armazém, no Porto. É de lá que saem todas as encomendas, embaladas, para qualquer parte do mundo.

O negócio é feito para portugueses que estejam fora de Portugal. Por isso, tem uma perspetiva global e permite a Luís e Sandy estarem em qualquer parte do mundo. “O importante é estarmos fora de Portugal junto das comunidades portuguesas. Mas a base será sempre em Portugal.”

Em apenas dois meses, o Portugal ao Domicílio tem 2400 pessoas inscritas no site ou que acompanham a marca via Facebook. O feedback tem superado as expectativas. “Em tão pouco tempo, o número de pessoas a contactar-nos foi muito acima do que esperávamos”, confessa.

As encomendas exigem o registo do cliente no site e podem ser pagas através de uma conta de PayPal, por transferência bancária e por cheque. Depois, a entrega tarda entre dois e quatro dias para países europeus. A espera por uma boa posta de bacalhau pode chegar a duas semanas, se o destino for mais longínquo.

Entretanto, além das encomendas privadas – a maioria dos pedidos até agora foram feitos por emigrantes a viver no Reino Unido -, o Portugal ao Domicílio já tem vários clientes comerciais, como restaurantes e pequenas lojas em Paris. E para fazer crescer a carteira de clientes Luís já tem estratégia: a marca é uma boa forma de mostrar Portugal aos amigos estrangeiros sem sair da mesa de jantar em Londres, em Pequim ou em Nova Iorque.

“Este ano queremos consolidar os clientes e vê-los transformarem-se em compradores habituais. E também alargar o número de clientes. Claro que temos pensados outros projetos para a marca, mas possivelmente ficarão para o ano que vem”, diz.

A Portugal ao Domicílio (siga a loja online no Facebook) prevê uma faturação de 60 a 80 mil euros no primeiro ano de negócio, o que vai permitir à empresa atingir o break-even do investimento em meados de 2014. Além de ser a maneira mais simples de poupar as costas aos emigrantes, que partem sempre de malas cheias.

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