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Portugal subscreve carta aberta para criar “união europeia da tecnologia”

Simon Schaefer, CEO da Startup Portugal, fotografado em Lisboa.  (Sara Matos / Global Imagens)
Simon Schaefer, CEO da Startup Portugal, fotografado em Lisboa. (Sara Matos / Global Imagens)

Algumas das maiores associações europeias de startups querem uma política mais aberta e amiga por parte da União Europeia depois do Brexit.

Criar uma “união europeia da tecnologia” para contrariar eventuais prejuízos do Brexit. Esta é a ideia defendida por algumas das maiores associações europeias de startups numa carta aberta divulgada esta sexta-feira, dia em que o Reino Unido sai oficialmente da União Europeia. Simon Schaefer, líder da associação Startup Portugal, e Ricardo Marvão, um dos fundadores da plataforma de inovação Beta-i, estão entre os subscritores desta missiva.

13 associações de startups defendem que a União Europeia tem de produzir gigantes tecnológicos para poder competir com os blocos da China e dos Estados Unidos. Para isso, é necessária a intervenção dos líderes europeus em relação à proteção de dados, ao recrutamento de talento extracomunitário e ainda diminuir as barreiras ao investimento.

No caso de Simon Schaefer, não é a primeira vez que o líder da Startup Portugal subscreve uma carta aberta dirigida aos líderes europeus. Em abril de 2018, este responsável defendeu que a Comissão Europeia deveria financiar o ecossistema em vez de investir diretamente nas startups.

Partilha de dados

“Recusamo-nos a ver a nova relação com os nossos amigos britânicos como uma rivalidade. Acreditamos que o nosso ecossistema precisa de um mercado único digital para produzir gigantes tecnológicos”, assinalam os subscritores na carta publicada no portal Sifted.

Para isso, apela-se a que o Reino Unido reconheça a importância da livre circulação de dados entre as scaleups de dados no continente europeu e que chegue a acordo com a União Europeia. Sem entendimento, vão existir dificuldades “sobretudo para as plataformas e startups de inteligência artificial.

Vistos para talento

O Reino Unido tornou-se no país europeu de referência no mundo das startups por causa do fácil acesso ao talento internacional. Ao sair da UE, o país vai enfrentar mais dificuldades para conseguir ir buscar pessoas ao estrangeiro.

As associações de startups entendem, por isso, que o Brexit pode ser uma união para criar um visto europeu para startups, de modo a facilitar o recrutamento de talento e a concorrência com as grandes empresas tecnológicas fora do continente. Os 27 países da UE também poderão disponibilizar “stock options” aos trabalhadores, isto é, oferecer participações de empresas como meio de remuneração.

Fundos pan-europeus e NASDAQ europeu

As startups britânicas receberam mais investimento no último ano (11,43 mil milhões de euros) do que as startups alemãs e francesas em conjunto (11,1 mil milhões de euros). Isto quer que o Brexit “é um enorme sinal de despertar para o ecossistema tecnológico europeu, muito dependente dos investimentos domésticos”. Isto “prova que a Europa continua longe de ter um mercado único digital”.

Além do desenvolvimento de fundos de investimento pan-europeus, as associações de startups querem que os líderes dos 27 considerem a criação de um índice tecnológico europeu semelhante ao norte-americano NASDAQ.

Além de Portugal, esta carta é subscrita por associações de startups de França, Alemanha, Eslováquia, Áustria, Bulgária, Países Baixos, Dinamarca, Croácia e Irlanda e ainda pelas redes de startups Allied For Startups e European Startup Network.

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