Portugal Ventures

Portugal Ventures: “Kinematix não cumpriu os objetivos estabelecidos”

Tune foi um dos dispositivos desenvolvidos pela Kinematix, que fechou após ter recebido oito milhões de euros de investimento. Fotografia: DR
Tune foi um dos dispositivos desenvolvidos pela Kinematix, que fechou após ter recebido oito milhões de euros de investimento. Fotografia: DR

Celso Guedes de Carvalho justifica fim do investimento na empresa do Porto

A Kinematix vendia dispositivos eletrónicos sobretudo para o segmento desportivo desde 2007. Acabou por anunciar o seu encerramento no início deste ano, depois de a empresa ter anunciado – durante a Web Summit de 2016 – uma ronda de investimento (série C) de dois milhões de euros com a Portugal Ventures. Este montante iria servir para lançar no mercado brasileiro o wearable TUNE, equipamento que revolucionava a forma como olhamos para a nossa forma de correr.

Do lado da empresa, a Kinematix disse na altura que “o investidor decidiu não colocar mais dinheiro na empresa”. A Portugal Ventures, através do próprio líder, Celso Guedes de Carvalho, conta a sua versão sobre este episódio, e anuncia também que está a preparar-se para divulgar um documento com os erros nos investimentos da sociedade de capital de risco pública.

Na Web Summit de 2016, foi anunciado um investimento de dois milhões de euros da Portugal Ventures na Kinematix. Três meses depois, esta startup anunciou que iria fechar porque a Portugal Ventures estava em falta. O que se passou com esta operação?

Não foram cumpridos os objetivos estabelecidos no contrato de reforço de investimento. Este projeto vem de 2008, teve pelo menos duas versões de produto e chegámos a uma fase em que não era admissível reforçar o investimento na empresa sem o cumprimento de objetivos, sobretudo a nível de vendas e resultados, não havia adesão do produto aos mercados e nenhum dos outros investidores admitia reforçar o investimento na empresa, com ou sem a Portugal Ventures. Houve ainda o desinteresse absoluto de sociedades de capital de risco internacionais em comprar a nossa posição. A decisão era óbvia.

Não tinham anunciado uma série C de dois milhões de euros durante o evento?

Quando anunciamos reforços de investimento, estes estão associados a determinados objetivos e são atribuídos através de tranches. Os objetivos não estavam a ser cumpridos e não havia indicação de que o projeto estava a ter sucesso junto dos clientes ou dos investidores.

Este investimento não foi anunciado cedo demais?

Anunciámos com base no compromisso estabelecido com a equipa: o montante foi definido mediante o cumprimento de marcos verificados periodicamente. As condições não estavam a ser cumpridas. Foi uma decisão fácil de tomar.

Os dois milhões de euros acabaram por não sair das vossas contas?

Na totalidade, não.

Que montante ainda resta na Kinematix?

Até ao final do ano será possível dar mais informações sobre este processo e, globalmente, sobre os falhanços construtivos que temos tido nos investimento que temos feito. Internamente, este trabalho está feito e foi concluído na semana passada. Temos alguns casos e há vários pontos em comum que gostaríamos de partilhar. Enquanto entidade pública podemos dar esse contributo para que outros players e empreendedores não cometam os mesmos erros do que nós. Reconhecer falhanços e publicá-los não é habitual numa capital de risco. Fizemos mais de 90 investimentos desde 2012 e temos uma carteira anormalmente grande.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje

Página inicial

Página inicial

BIRD-LISBOA-CAPA-d4e8542c1277f7c093f38ac1a96935540df9ef2a

Custo de vida em Lisboa aproxima-se de Berlim, Madrid e Barcelona

Outros conteúdos GMG
Portugal Ventures: “Kinematix não cumpriu os objetivos estabelecidos”