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Portugal Ventures: O que querem os fazedores e as incubadoras?

Startups

Em dia de AG da Portugal Ventures, falámos com alguns atores do ecossistema para perceber o que é que gostariam que a capital de risco fosse.

A assembleia-geral da Portugal Ventures (PV), sociedade pública de capital de risco, realiza-se esta quinta-feira, a partir das 10h30. Numa altura em que estará em cima da mesa uma mudança de liderança, falámos com alguns dos atores do ecossistema para perceber o que é que gostariam que a capital de risco fosse.

“A Portugal Ventures tem uma oportunidade única com a escolha da nova administração”, entende João Jesus. O fundador da rede social de alarmes Cuckuu considera que a sociedade pública “pode finalmente tomar o lugar que deveria sempre ter: ser a referência principal de fundo de investimento em Portugal”. Este fazedor entende ainda que a PV “precisa de dar o exemplo, ser transparente nas suas decisões e aumentar a velocidade com que toma essas mesmas decisões”.

José Figueiredo, diretor-geral do ComparaJá – empresa que faz comparação de créditos e de telecomunicações – defende ao Dinheiro Vivo que “a Portugal Ventures poderia adotar um modelo funcionamento enquanto fundo de co-participação de investimento privado em startups em que, ao invés do atual ‘modus operandi’, investiria em conjunto com investidores privados muito especializados nos diferentes setores com quem pudesse repartir os riscos do investimento, aumentando desta forma a responsabilidade e envolvimento dos seus parceiros privados”.

Citando o caso do iniciativa israelita Yozma – que na década de 1990 comparticipou com 40% o valor dado pelos privados em fundos combinados -, José Figueiredo defende que este modelo garantiria à PV “uma maior amplitude nos seus investimentos, e isto com menos riscos, sendo que o seu foco estaria sobretudo direcionado para a seleção dos melhores fundos para co-investir de acordo com a estratégia, equipa, filosofia e histórico de resultados”.

Miguel Fontes, líder da Startup Lisboa, também gostaria que a capital de risco fosse mais rápida a tomar as decisões de investimento e uma promoção do ecossistema para conseguir atrair investimento de outras capitais de risco, podendo, eventualmente, estar disponível para co-investimento. Defende ainda que deve ser uma entidade ágil e próxima dos empreendedores de forma a conseguir perceber quais as necessidades do ecossistema.

Para a empresa de brinquedos Science4you, a capital de risco deve manter a aposta em empresas nacionais “sempre com um grande enfoque na inovação”. “A Portugal Ventures é um elemento muito importante do ecossistema de empreendedorismo nacional e tenho a certeza de que a nova gestão continuará esse legado”, defendeu Miguel Pina Martins, líder da empresa.

Por outro lado, Pedro Oliveira, um dos fundadores da Landing.jobs – startup que tem uma plataforma online de recrutamento na área tecnológica – diz “de uma forma muito simplificada” que gostaria de perceber junto da nova administração qual a nova “estratégia da Portugal Ventures” e “se vai existir maior proximidade da gestão de topo junto das participadas”.

Maria Salomé Rafael, presidente da NERSANT (Associação Empresarial da Região de Santarém) advoga a “criação de uma nova dinâmica que permita aproximar” a sociedade pública de capital de risco “do tecido empresarial”: “reforçamos que é importante que os mecanismos de capital de risco cheguem às empresas que deles necessitam, algo que não tem vindo a suceder”, acrescenta.

A Portugal Ventures nasceu em junho de 2012, fruto da fusão de três empresas públicas de capital de risco e ‘private equity’ – a AICEP Capital Global, o InovCapital e o Turismo Capital.

O primeiro presidente da Portugal Ventures foi José Epifânio da Franca. Marco Fernandes sucedeu-lhe em 2015 e, no final de maio de 2016, Celso Guedes de Carvalho assumiu os comandos da sociedade. Agora, os destinos da capital de risco devem passar a ser conduzidos por Rita Marques.

João Jesus termina com um desejo: “Espero que esta nova administração seja formada com pessoas que sejam empreendedores ou que tenham o apoio de quem de verdade conhece as nossas dores e o que precisamos de verdade, precisamos de deitar abaixo as barreiras e ser capaz de falar cara a cara e sem politicas a impossibilitar o crescimento das startups.”

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