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Portuguesa Uniplaces vai contratar 80 pessoas e quer entrar nos EUA

Startup portuguesa anunciou esta terça-feira ter levantado 22 milhões de euros de financiamento, quer manter liderança no mercado de arrendamento universitário e planeia quase duplicar a equipa até final de 2016

A Uniplaces quer fazer crescer a equipa e prepara-se para, com a ronda de financiamento anunciada esta terça-feira, criar novos serviços dentro do nicho em que trabalha e investir no mercado norte-americano. Miguel Santo Amaro garante que, para isso, é preciso aumentar a equipa de 120 para cerca de 200 colaboradores durante os próximos meses. Por isso prepara-se para duplicar a equipa de engenheiros – sediada em Portugal – e reforçar os restantes departamentos.

Estamos a falar numa série A. A Farfetch vai numa série F. Há um percurso a fazer, não é só o início mas de certeza que não é o fim. Se as coisas correrem bem vamos fazer provavelmente mais rondas de financiamento para continuarmos a crescer de uma forma sustentável. Temos uma grande ambição de nos transformarmos numa empresa de mil milhões, nestes unicórnios de que toda a gente fala mas, mais do que isso, que as pessoas gostem de trabalhar em Lisboa. Espero que daqui a um ano tenhamos crescido 10 vezes o que crescemos este ano e, se assim for, acho que vamos ter o apetite de continuar a alimentar este sonho”, diz o co-fundador da empresa.

O negócio, que nasceu em 2012 de uma “frustração” detetada pelos próprios fundadores que, quando estudavam, tinham muitas dificuldades em encontrar casa onde ficar, foi juntando valências e moldando o modelo de negócio às necessidades do mercado. Por isso, em breve, além de querer manter a liderança no mercado de alojamento universitário, a startup portuguesa – que conta com mais de 40% de colaboradores estrangeiros – quer apostar em novas áreas complementares ao negócio.

“Queremos evoluir na oferta em termos de serviço, não apenas no alojamento como para as áreas de apoio ao estudante. Integrar as contas nos pagamentos, apoio ao estudante na procura do ginásio, do restaurante, do próximo cartão de crédito ou telemóvel. No fundo, proporcionar uma experiência completa”, explica o co-fundador da plataforma.

O investimento de 22 milhões de euros anunciado esta terça-feira, em Dublin – que torna a startup a portuguesa mais valorizada de sempre nas Séries A – vai, por isso, cumprir objetivos especificados em três vetores fundamentais, garante Miguel Santo Amaro: fazer crescer a equipa, “já que é realmente necessária uma carga humana muito maior do que aquela que temos neste momento, não só em termos técnicos como de apoio ao cliente”,  consolidar os mercados onde já têm operação “tanto ao nível de número de parceiros como de casas” e crescer para novos mercados, “nomeadamente para os Estados Unidos”.

Apesar dos planos de expansão internacional, Miguel Santo Amaro considera que Portugal continua a ser o melhor país-sede para a empresa.

“A nossa ideia é manter a base em Portugal. (…) A vantagem aqui, provavelmente um ponto de diferenciação, é que tentamos fazer tudo a partir de Lisboa, com várias equipas: gestão, apoio ao cliente, ao marketing, operações e engenharia. Hoje somos 120 pessoas, nos próximos 12 meses vamos chegar às 200”, afirmou, em entrevista aos jornalistas à margem do anúncio do financiamento liderado pela Atomico, fundo criado em 2006 pelo co-fundador e CEO do Skype.

O financiamento, que faz totalizar quase 30 milhões em capital capturado pela empresa, faz aumentar o orgulho no caminho feito ao longo dos últimos três anos como a responsabilidade, sublinha Miguel. “A pressão que isto exerce não só em nós, fundadores, como na equipa, na própria empresa e nas expectativas que estamos a criar para o país e para a cidade como um hub, cria muita ansiedade. Mas temos conseguido transformá-la numa ambição gigante e numa paixão que se percebe quando as pessoas estão a trabalhar. É um sonho que queremos tornar realidade”, acrescenta.

“A pressão que isto exerce não só em nós, fundadores, como na equipa, na própria empresa e nas expectativas que estamos a criar para o país e para a cidade como um hub, cria muita ansiedade.

No entanto, a confiança não anula o maior dos medos: defraudar expectativas. “Os investidores obviamente criaram grandes expectativas para aquilo que nós queremos, para o que hoje sonhamos e que, daqui a 12 meses, temos que tornar realidade.” Claro que as expectativas dos investidores só se comparam às que a equipa de Miguel tem para si. “Queremos conseguir evoluir e que a empresa consiga acompanhar o crescimento, as mudanças de processos e de equipas e transformar uma organização com o foco no ‘como é que vamos ser líderes mundiais e tornar-nos uma potência mundial com uma visão muito clara?’ Acreditar que podemos ser essa billion dollar company, dominar um sector que provavelmente não existe: não temos hoje uma marca que domine um mercado do estudante de uma forma completa”, diz. No entanto e, apesar do financiamento, Miguel garante que as grandes decisões continuam a ser da responsabilidade da equipa de gestão. E nega, para já, a possibilidade de uma exit (venda da empresa) ou de um IPO (entrada em bolsa).

“Há sempre negociação, estamos a falar de um Venture Capital por isso há uma expectativa de uma saída – eles têm que ter esse retorno. (…) Em termos de gestão do dia a dia, não. É próprio, é nosso e espero que continue assim. Espero que toda a equipa consiga pegar no projeto e moldá-lo àquilo em que acreditamos. Somos nós que estamos lá todos os dias e sentimos as necessidades da empresa. Os investidores têm uma palavra importante mas sem dúvida que o poder de decisão está nas nossas mãos.”

Uniplaces assegura a maior parte dos serviços da empresa a partir da sede, em Lisboa.

Uniplaces assegura a maior parte dos serviços da empresa a partir da sede, em Lisboa.

Por isso mesmo não admira que Miguel queira que, apesar do crescimento da equipa, a Uniplaces se mantenha startup durante muito tempo. “É mais uma filosofia do que um estado na vida de uma empresa. Acho que se continuarmos a ter esta mentalidade hacker de fazer crescer o negócio e continuarmos a crescer ao ritmo de até agora, obriga-nos a ter uma atitude de conseguir mudar muito rapidamente, ser muito ágil, não criar processos e hierarquias que não nos permitam adaptar ao mercado. Espero acreditar que conseguimos continuar como startup”.

E isso, garante, tem tudo a ver com mentalidade. “Ambicionar ser número um é, especialmente na Europa, visto como arrogância. E depois há outra parte dessa cultura que é o risco de falhar e esse preconceito que faz com que as pessoas muitas vezes não arrisquem tanto. Pergunto-me muitas vezes: como é que o país que em 1500 era o que mais arriscava, passados 500 anos está radicalmente diferente enquanto cultura? O que se passou nesta história? Não acredito que tenha sido só a ditadura. Tentarmos perceber o falhanço, a ambição, não como arrogância mas como algo positivo”.

 

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