Angola

Posso emigrar para Angola sem vínculo a uma empresa?

Angola é dos principais destinos
Angola é dos principais destinos

Num artigo publicado no jornal espanhol El País, em Outubro de 2010, o embaixador de Portugal em Luanda, Franciso Ribeiro Telles, divulgou os números oficiais de portugueses em Angola: 85 000 residentes inscritos no Consulado de Portugal em Luanda e 12 000 em Benguela. Naquela altura havia 20 voos semanais entre Lisboa e Luanda, um movimento de 8000 pessoas.

O diplo­mata referia que havia um dado novo nesta nova emigração de Portugal para Angola: muitas das pessoas chegam a Angola para ficarem por algum tempo. Dava como exemplo os números da Escola Portuguesa de Luanda que, com 1600 alunos, tem uma lista de espera de 700. Estes dados indicam que os portugueses que estão a emigrar para Angola não são apenas expatriados, com o vínculo contratual previamente definido.

Há também os emi­grantes puros que decidem partir à procura de uma nova vida. São normalmente jovens entre os 25 e os 30 anos, embora também surjam pequenos empresários que fazem um vaivém constante entre Lisboa e Luanda. Quais as condições para emigrar para Angola? Antes de mais, pesquise e obtenha boa informação. As embaixadas de Angola e Portugal são pontos de partida óbvios, assim como o AICEP (www.portugalglobal.pt).

Depois, claro, faça a análise estratégica necessária. Se pretende ir à procura de emprego, existe oferta no seu sector? Contacte as empresas do seu meio e profissionais que estão ou estiveram em Angola. Se, por outro lado, quer abrir uma empresa, qual é neste momento a situação do mercado angolano no seu sector? Existe procura de uma empresa e dos serviços como a que pretende operar?

A partir daqui, conheça as necessidades mínimas: ter um visto e 10 000 dólares em cash é uma condição indispensável para se «aguentar» durante três meses, o tempo permitido pelo visto. Este visto pode ser prorrogado por mais duas vezes mas sempre com a duração máxima de três meses de permanência. Emigrar sem planeamento é um processo arriscado, já que o custo de vida em Angola é elevado e o mercado da habitação não é nada fácil. Assegure-se de que tem alguém amigo que lhe arranje um espaço, nem que seja um quarto. Se encontrar trabalho, dificilmente será remunerado como um expatriado.

Se for como pequeno empre­sário à procura de um negócio, tente ir já com alguns contac­tos locais em carteira, que são absolutamente fundamentais no mercado angolano, uma vez que conhecem a realidade local, têm ligações de negócios estabelecidas e uma rede alargada de contactos, facilitam a integração e os contactos com a burocracia angolana.

Por outro lado, investigue a fundo as especificidades logísticas e operacionais do sector em que quer operar. Por exem­plo, o desalfandegamento de produtos é ainda uma tarefa morosa e complexa, e montar uma rede de distribuição sofre dos mesmos problemas. Veja o exemplo dos grandes. A Sonae, com toda a sua experiência, só avançou para o território angolano depois de fazer uma parceria com a empresária Isabel dos Santos, filha do presi­dente da República de Angola.

Do livro Trabalhar em Angola – Guia essencial para trabalhadores portugueses, de Hermínio Santos

www.planeta.pt

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