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Primetag. Transformar píxeis em pontos de venda

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A cada dia, há 36 milhões de novas imagens publicadas nos blogues portugueses. Cada uma delas pode ser tornada interativa e cada uma pode ser um ponto de partida para uma compra. A ideia é esta: se alguém publica uma fotografia vestindo ou usando algo de que gostamos, por que não podemos, simplesmente, clicar na fotografia para adquirirmos esse produto?

Manuel Albuquerque, de 26 anos, e Pedro Sampaio, de 27, têm formações diferentes, em Engenharia Civil e Gestão, mas uma coisa em comum: perceberam, desde cedo, que a sua vocação não passava por trabalhar em grandes empresas, mas por criar novos projetos. Conheceram-se em junho do ano passado e, no verão, já a equipa de sete pessoas estava formada e nascia a Primetag, um software que permite a compra de produtos visualizados em imagens publicadas em blogues ou sites. A ideia partiu de outro projeto de Manuel Albuquerque, o Rad Legacy: uma espécie de LinkedIn para atletas, que permitia que estes se promovessem com imagens e vídeos e que os leitores interagissem com essas publicações, ao adquirirem os equipamentos que eram apresentados.

Uma semana bastou para perceber que esta fórmula de e-commerce produzia resultados sem comparação com outros tipos de publicidade. Se um anúncio lateral no Facebook gera uma taxa de conversão de 0,006%, aqui, mais de 20% das pessoas que viam as imagens dos atletas clicavam nelas para conhecer e comprar os equipamentos. “Tínhamos de fazer alguma coisa com isto”, recorda o co-fundador da empresa.

A Primetag, ainda em versão beta, foi lançada oficialmente a 1 de abril e só daqui a seis meses é que a equipa espera ter o produto completamente otimizado. Mas já tem resultados: um blogue com apenas 100 visitas diárias, que publicou imagens que mostravam como aplicar produtos de maquilhagem, com etiquetas para cada produto, conseguiu uma taxa de conversão de 69,9%. Significa que, das 100 pessoas que visitaram esse blogue, 70 clicaram nessas imagens para adquirirem os produtos.

O software, que conta com um banco de milhões de imagens interativas, funciona em três partes: o momento de inspiração, em que as pessoas visitam blogues e sites para seguirem as tendências, o momento de criação das imagens, e a conversão em publicidade, quando os visitantes clicam nas imagens. Há, desde logo, uma vantagem indiscutível sobre a publicidade tradicional. “O Google sabe tudo sobre mim. Sabe que gosto de futebol e sabe que gosto das chuteiras do Ronaldo. O que ele não sabe é o segundo exato em que quero comprar essas chuteiras. Trabalhar com imagens permite-nos estar 100% contextualizados com o interesse momentâneo de um utilizador”, explicam.

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Esta é, acreditam, “uma evolução natural para as marcas“, até porque “vão começar a perceber que a cadeia de valor dos materiais que criam para as suas campanhas não acaba quando acaba a imagem”, diz Pedro Sampaio. Aliás, “só aí é que começa, porque só aí é que as pessoas começam a utilizar os produtos”, acrescenta.

Para já, a Primetag só funciona com publishers que queiram usar o serviço; “o holy grail será conseguirmos atingir as grandes plataformas de social media, como o Facebook, o Twitter ou o Instagram”, admite Manuel Albuquerque. Quando esse dia chegar, significa que poderemos clicar em qualquer imagem, comercial ou não, publicada nestas redes sociais, para aceder a um portal de vendas e comprar uma camisola que um amigo tenha vestido e de que gostamos. Não é impossível: chama-se computer vision e permite fazer a leitura de uma imagem e convertê-la automaticamente. Mas traz questões em relação à privacidade. A solução pode ser a sugestão: “quando alguém estiver a construir um post, antes de publicá-lo, o sistema pode perguntar se o utilizador quer, ou não, tornar a imagem interativa”.

A Primetag trabalha com 200 publishers de blogues e sites. Até outubro, a equipa prevê atingir os 500 publishers e 300 marcas. Neste momento, contam já com o grupo Lanidor e a ideia é focarem-se nas marcas portuguesas, “por uma questão de patriotismo”.

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