Hotelaria e Restauração

Prochef. As fardas que conquistaram o “10 estrelas” Michelin

Orquídea Silva, proprietária da Prochef, empresa especializada em fardas de cozinha personalizadas. Fotografia: Ivo Pereira/Global Imagens
Orquídea Silva, proprietária da Prochef, empresa especializada em fardas de cozinha personalizadas. Fotografia: Ivo Pereira/Global Imagens

Empresa produziu as fardas da equipa do restaurante basco do chef Martín Berasategui, um cliente a juntar aos prestigiados nomes da cozinha portuguesa

A Prochef, empresa especializada na conceção e fabrico de fardas para chefes de cozinha e profissionais do canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés), foi escolhida pelo reputado cozinheiro basco Martín Berasategui para vestir a sua equipa no restaurante de Lasarte-Oria. O chef, que já soma dez estrelas Michelin, rendeu-se às jalecas fabricadas em Vila do Conde, que já vestem conceituados nomes da cozinha portuguesa como José Avillez, Henrique Sá Pessoa, Vítor Matos, Tiago Bonito, Filipe Carvalho ou Olivier da Costa.

A empresária, que comercializa no país um sistema de limpeza de utensílios muito queimados e engordurados para o canal Horeca, via constantemente os cozinheiros e as suas equipas com “umas fardas muito feias”. “As mulheres até vestiam roupas de homem”, frisa. Desta constatação até à criação da Prochef foi um segundo. A filha Natacha Teixeira de Magalhães segurou no lápis e, em 2005, saiu a primeira coleção de fardamento profissional. O mercado ficou rendido.

Impulsionada pelo sucesso conquistado, Orquídea Silva lançou a Prochef Pastry (pastelaria) e a Prochef Kids. Como adianta, as sobras de tecidos permitem fazer jalecas, aventais e gorros para crianças e, desta forma, valorizar os desperdícios. Os fardamentos para as áreas da saúde, limpeza e spa foram outras apostas. Em simultâneo, lançou uma linha de sapatos adequada à atividade de cozinha, que exige biqueira de aço, solas antiderrapantes, elevado conforto e leveza.

Espanha na mira
O sucesso das fardas da Prochef deve-se ao passa-a-palavra. “Não temos vendedores”, sublinha Orquídea Silva, “são os clientes que vêm ter connosco”. E, por isso, só agora é que a empresa vai investir na internacionalização. As fardas da marca portuguesa já vestem profissionais em Inglaterra, Dubai, Angola e Macau, mas são encomendas que chegam diretamente, sem nenhum esforço comercial. O primeiro mercado a desbravar será Espanha. A empreendedora espera ser bem recebida, depois de ter conquistado o premiado Martín Berasategui. Em preparação, está a criação de um site da marca em espanhol para apoiar a comunicação com os potenciais clientes.

A aposta na internacionalização também obrigou a reforçar a área produtiva. No ano passado, a empresa foi obrigada a recusar encomendas, porque a unidade fabril, onde trabalham nove pessoas, já não garantia resposta às solicitações. Orquídea Silva formalizou entretanto três parcerias com fábricas em Vila do Conde e Guimarães, para assegurar capacidade de resposta. Em breve, vai também adquirir novas máquinas de acabamentos em Vila do Conde, num investimento de 60 mil euros.

No ano passado, o grupo Prochef gerou vendas de 1,1 milhões de euros, um crescimento da ordem dos 70 mil euros face a 2017, que só não foi maior por incapacidade de resposta da produção. Solucionada essa lacuna, Orquídea Silva estima que no atual exercício a faturação possa registar um incremento de 30%. A comercialização do sistema de limpeza de utensílios para o canal Horeca, sob a marca Fat-Tank, é o negócio mais forte do grupo, valendo perto de 600 mil euros. As fardas para profissionais Horeca contribuem com 400 mil euros e o remanescente é obtido através da agência e dos serviços para a área da culinária.

O grupo tem ainda uma loja na Póvoa de Varzim e há dois anos apostou no comércio eletrónico, canal que tem registado uma forte procura do mercado interno, mas também de origens como Inglaterra ou França. Em estudo está a abertura de um espaço físico em Lisboa, que Orquídea Silva gostaria de animar com workshops de culinária.

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