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Prodsmart. Acabar com as pilhas de papel na indústria

Gonçalo Fortes quer acabar com o desperdício nas fábricas
Gonçalo Fortes quer acabar com o desperdício nas fábricas

Se gerir uma fábrica de sapatos, de que lhe adianta saber hoje que há três dias que as solas estão a sair com defeito? A resposta é fácil: de muito pouco. Três dias de trabalho vão para o lixo. Gonçalo Fortes nunca trabalhou numa fábrica de sapatos, mas sabe o que isto é.

O engenheiro informático de 34 anos veio de Évora para se instalar em Lisboa e, aos 24, já tinha criado a primeira empresa, uma consultora de software, que acabou por dar origem àquilo que veio ser a Prodsmart. Mas já lá vamos. Antes disso, o porquê. “Tenho uma relação muito grande com o mercado da manufatura. O meu pai fundou, nos anos 1990, uma empresa na área da eletromecânica, e eu acabei por ir ajudar”, conta Gonçalo Fortes.

Enquanto lá esteve, sentiu que havia necessidade de “desmaterializar” muito do que estava em papel. “O papel é um sistema de informação, simplesmente não é muito versátil.” É que, ao contrário de tudo o que é digital, não permite obter dados “com qualidade e em tempo real acerca do que se passa, a nível do estado da produção ou do ciclo de vida de um produto, por exemplo”. Resultado? Não sabemos se vamos cumprir um prazo, se alguma máquina está com problemas ou se há desperdícios de matéria-prima.

É aqui que entra a Prodsmart. A empresa que criou em 2012 com dois colegas, e que hoje conta com cinco colaboradores, quer, muito megalomaniacamente, acabar com o papel na indústria. “É um bocado impossível”, reconhece Gonçalo Fortes. “Mesmo que haja muitos automatismos, muitas máquinas a medir dados, há sempre grandes partes do processo que são manuais”, acrescenta. Mas o software da Prodsmart é um bom ponto de partida.

“É um sistema de gestão da produção que permite, em tempo real, recolher dados diretamente do chão de fábrica, com recurso a aparelhos móveis e sensores, indicando, em qualquer momento, uma visão de helicóptero do estado global da produção”, explica o engenheiro informático. “Conseguimos saber imediatamente tudo o que está a acontecer com a fábrica sem sair do lugar”, resume. No fundo, “é feedback de curto prazo que permite alterar comportamento de longo prazo”.

Mais importante, o software aumenta a produtividade dos trabalhadores, que deixam de ter de assentar cada passo em papel, e reduz o risco de desperdício. “O simples facto de se saber que houve um desperdício pouquíssimo tempo depois de ele acontecer permite reduzi-lo em 75% a 80%”, aponta Gonçalo Fortes. Já a eficiência da empresa pode aumentar 10% a 20%. “É como aquela história do senhor que perdeu 10 kg só porque se pesou todos os dias. Quanto mais se utiliza o sistema, e quanto mais se atua em cada um dos eventos que o sistema notifica, melhor será o resultado.”

E há ainda a “perceção de inovação”, salienta o empreendedor. “Somos diferentes de todos os sistemas deste género que existem pela desmaterialização do papel, o tempo real, a inclusão de aparelhos móveis e a internet das coisas à mistura. E estamos a trabalhar com empresas, em muitos casos, já bastante antigas, onde existe uma perceção de inovação, os trabalhadores ficam orgulhosos de fazer parte disto”.

O sistema “funciona para todos”, mas “estamos muito focados em empresas com 50 a 300 pessoas”, diz Gonçalo Fortes. Para já, a Prodsmart conta com uma dúzia de clientes, mais de 1100 trabalhadores fabris que utilizam o software e alguns nomes de peso. Audi, Volkswagen, Mercedes, Louis Vuitton, Chanel ou Hermès são algumas das marcas que recorrem a fábricas que já usam a Prodsmart.

Para este ano, o objetivo é faturar 180 mil euros, “um aumento considerável face ao ano passado”, e começar a operar no Reino Unido, que poderá também ser um salto para os Estados Unidos. “Estamos naquele momento em que vamos escalar. A empresa está numa situação muito interessante e gostava de fechar o ano com cinco vezes mais clientes e a operar em dois países”, conclui Gonçalo Fortes.

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