novos negócios

Prodsmart. “O CEO é um evangelista. Tem de se vender de forma desenvergonhada”

Gonçalo Fortes, CEO da Prodsmart. Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens
Gonçalo Fortes, CEO da Prodsmart. Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens

À conversa com o Dinheiro Vivo, Gonçalo Fortes passou em revista um ano cheio de sucessos e deixou as suas expetativas para o futuro da empresa

Carismático, o líder da Prodsmart tem levado a startup à ribalta. A empresa tecnológica que ajuda a otimizar processos industriais teve um ano em cheio. Foram selecionados pelo governo para estar na Web Summit, foram também os vencedores do desafio da Microsoft e ainda arrecadaram o primeiro prémio do Caixa Empreender Award.

Gonçalo Fortes espera manter o ritmo em 2017. Filho de industriais, de Évora, donos de uma empresa familiar, desde pequeno que tem contacto com o mundo da indústria. “Sempre gostei de gadgets e tecnologia. Partia os brinquedos todos para tirar os motores e as lâmpadas. Fazia experiências com a eletricidade. Cada vez que os fusíveis de casa rebentavam, a primeira coisa que se ouvia era a minha mãe gritar o meu nome porque já sabia que tinha sido eu”, conta ao Dinheiro Vivo.

A empresa era na área da eletromecânica e Gonçalo dava uma ajuda, na medida do que podia. “Fui depois estudar Engenharia Informática para o Técnico e, nessa altura, comecei a desenvolver pequenos sistemas que ajudavam na gestão da empresa.” Uma coisa leva à outra e, em 2005, criou uma software house, completamente focada em serviços.

Mais tarde percebeu que o melhor seria adotar uma estratégia de produto, de crescimento e de escala, e focou-se na manufatura. Foram os primeiros passos que levaram ao nascimento da Prodstmart.

“Começámos a trabalhar na Prodsmart em 2012. Fomos finalistas do Seedcamp mas a ideia era muito embrionária. Na altura, a receita das startups ainda era ter uma ideia, arranjar investimento e depois fazer. Fomos atrás disso ao Seedcamp, numa altura em que estava a começar o boom das startups em Portugal. Mas cedo percebemos que a receita não era universal porque as características do produto, do mercado, da estratégia e do timing afetam muito. Historicamente este tipo de produtos é vendido como consultoria, demoram um ano a ser vendidos, dois anos a ser implementados, e não era essa a nossa ideia. O nosso objetivo é ser uma startup com um potencial de escala e uma distribuição rápida”, recorda.

“Íamos alternando entre construir a Prodsmart, fazer consultoria para pôr dinheiro na conta bancária e voltar à Prodsmart. Isto foi no início de 2013.”

Sem investimento, decidiram-se pelo bootstrapping, ou seja, utilizar as receitas conseguidas com a empresa para se autofinanciarem. “Íamos alternando entre construir a Prodsmart, fazer consultoria para pôr dinheiro na conta bancária e voltar à Prodsmart. Isto foi no início de 2013. Só nos focámos completamente na Prodsmart na segunda metade de 2014, porque já gerava receita suficiente para isso. Fizemos bootstrapping até ao início de 2016 mas já completamente focados só neste produto”, conta.

Ainda assim, a perspetiva de angariar financiamento não foi totalmente posta de parte. “Ou se levanta investimento no início ou muito depois do lançamento. Para nós foi uma questão de timing. A nossa visão era esta e naquele momento não sabíamos como a alcançar. Então fomos trabalhar, construir essa visão, angariar uma base de clientes interessante, construir uma rede de parceiros de distribuição, um produto robusto. Depois disso percebemos que o lançamento já tinha acontecido há algum tempo e que estávamos no momento de escalar e aí fomos procurar quem nos quisesse ajudar nessa missão.”

A ajuda chegou há sensivelmente um ano. A Caixa Capital investiu na Prodsmart no início de 2016, com o prémio Caixa Empreender. Até ao momento a empresa só recebeu esse financiamento, apesar de se estar a preparar para uma ronda a acontecer no primeiro trimestre de 2017. A distinção do capital de risco da CGD foi apenas o tiro de partida para um ano cheio de reconhecimentos. Gonçalo Fortes reconhece que ter optado pelo bootstrapping fez a empresa conseguir apresentar números mais robustos. “Com o bootstrapping conseguimos validar muita coisa e apresentar uma boa tração. E o slide da tração é normalmente o slide que fecha o negócio.”

“Acho que a equipa é a base disto tudo. Sou eu quem recebe o prémio mas o slide vencedor é criado por muitas pessoas que fazem parte de uma equipa bem oleada e que trabalha para uma visão comum.”

Mas quando se falam de prémios e investimentos, não interessam apenas os números. Quem está do lado de lá também quer saber das pessoas. “Acho que a equipa é a base disto tudo. Sou eu quem recebe o prémio mas o slide vencedor é criado por muitas pessoas que fazem parte de uma equipa bem oleada e que trabalha para uma visão comum.” E ter um líder tão carismático como Gonçalo Fortes é meio caminho andado para que júri e investidores sintam empatia.

“O CEO é apenas a cara do trabalho que está a ser efetuado. Se for alguém charmoso ajuda (risos). Estou a brincar. Mas é mais isso: é uma cara de muitas caras. É alguém que está a representar muita gente. Mas os CEO têm de ser obcecados e megalómanos. O CEO é um evangelista. Tem de haver uma constante atitude de se vender de forma desavergonhada. É preciso haver muita exposição, falar com muitas pessoas, estar permanentemente a comunicar. Se não estivermos a comunicar não existimos. Sendo o CEO a cara da empresa, é natural que haja mais essa personificação concreta da organização.”

Depois de um ano em cheio, a Prodsmart quer continuar a crescer. A empresa gere mais de duas mil pessoas em três países diferentes: Portugal, Roménia e Alemanha. Caminha também para o Reino Unido e os Estados Unidos virão em 2017. “Nós temos uma visão muito clara que é acabar com o stock do planeta e transformar a produção dos bens físicos numa barra de download. É uma visão ambiciosa quanto baste. E eu acho que é isto. Daqui a três anos o que vamos estar a fazer é para que essa visão se concretize e nós estejamos numa camada de massificação que vai trazer a indústria 4.0 às PME”, assume Gonçalo Fortes.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Web Summit ofereceu, em 2016, 10 mil bilhetes a mulheres empreendedoras para aumentar a assistência feminina. (Fotografia: Web Summit)

Tecnologia. O estigma de ser mulher num mundo de homens

José Vieira da Silva e Mário Centeno. Fotografia: Mário Cruz/Lusa

ISEG prevê crescimento de 1,4%, melhor do que diz o governo

Fotografia: REUTERS/Vincent West

BBVA e Montepio estimam crescimento do PIB de 1,2% em 2016

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Prodsmart. “O CEO é um evangelista. Tem de se vender de forma desenvergonhada”