fazedores

Proptech Challenge. O imobiliário abriu a porta aos algoritmos

(Jorge Amaral / Global Imagens)
(Jorge Amaral / Global Imagens)

As startups espanholas UDE e LOLOLO ganharam um concurso da CBRE com a promessa de revolucionar um setor tão tradicional como o imobiliário.

As obras custaram 20 milhões de dólares e duraram cinco anos. Para as autoridades de Pittsburgh, no Estado norte-americano da Pensilvânia, era uma frustração ver uma das principais praças da cidade sem movimento, depois de tanto trabalho. Graças à UDE, uma startup espanhola, hoje passam milhares de pessoas todos os dias pela Market Square.

Rodrigo Delso é arquiteto, programador e um dos fundadores da UDE (Urban Data Eye), uma das vencedoras da última edição do Proptech Challenge, uma iniciativa da consultora imobiliária CBRE que pretende trazer a tecnologia para um ramo onde a tradição ainda é o que era. A visita a Lisboa faz parte do prémio, que incluiu ainda um cheque de 20 mil euros.

“O que fazemos é ajudar à gestão de grandes espaços, como municípios ou retalhistas, a maximizar investimentos. Pegamos em imagens de câmaras de vigilância, por exemplo, e aplicamos um algoritmo que capta o movimento das pessoas, de forma a percebermos o uso real que o espaço tem”, explica o cofundador da UDE.

No caso de Pittsburgh, o algoritmo da UDE percebeu que as pessoas só frequentavam o centro da praça, ignorando tudo o resto. “E o perímetro é a parte mais importante, porque é onde estão o comércio e os serviços. Após a análise, sugerimos mudanças na disposição do mobiliário urbano e em quatro dias o número de pessoas que circulavam na praça duplicou e as lojas ganharam clientes”.

Desde então, a tecnologia da UDE já foi aplicada noutras cidades, como Madrid. Graças à vitória no Proptech Challenge, o próximo desafio da startup espanhola é criar um produto específico para centros comerciais. “Há muitos dados sobre o número de pessoas que frequentam centros comerciais mas quase nada sobre como as pessoas se movimentam lá dentro. Nós conseguimos dizer quantas pessoas passam à frente de cada loja, quantas param para ver a montra, quantas entram e se não entram, para onde se dirigem a seguir. É possível perceber, por exemplo, porque há zonas sempre mais vazias”, destaca Rodrigo Delso. O projeto está a ser desenvolvido em conjunto com a CBRE e já está a ser testado num dos maiores centros comerciais da capital espanhola. O objetivo é expandir para todo o mundo.

Location, location…

A expectativa é partilhada por Álvaro Cosido, o outro vencedor do Proptech Challenge. Também ele espanhol e arquiteto, fundou a LOLOLO quando estudava em Paris. Enquanto a UDE venceu o prémio para melhor startup, a empresa de Álvaro, cujo nome se traduz como Location Location Location levou o troféu de melhor ideia disruptiva. Ao prémio de 10 mil euros juntou um contrato com a CBRE para tornar em negócio o projeto que lhe deu a vitória.

A LOLOLO usa big data, visão artificial e sintaxe espacial para ajudar uma empresa a perceber qual poderá ser a melhor localização para o seu negócio ou para colocar um anúncio. “Se, por exemplo, um supermercado quiser abrir um espaço novo e tiver duas localizações em mente, eu consigo calcular a probabilidade de os clientes se dirigirem a uma ou a outra. Também é possível calcular quantas pessoas vêm uma montra ou um anúncio, e conseguimos distinguir entre transeuntes, carros e bicicletas”, explica Álvaro Cosido.

Para a CBRE, o balanço do primeiro Proptech Challenge aberto a Portugal foi “muito positivo”, diz Francisco Horta e Costa, diretor-geral da empresa. Apesar da falta de portugueses entre os vencedores, houve três startups nacionais entre os finalistas, sendo que uma delas garantiu uma parceria com a CBRE. “Estamos a trabalhar com a Alfredo num projeto na área da avaliação de imóveis. É uma aplicação que nos poupa dias de trabalho. Não tira empregos mas tira horas de trabalho mecânico de recolha de dados. No geral, estas empresas permitem-nos ter uma perspetiva do produto imobiliário que era impossível até agora”.

Além da Alfredo, a CBRE Portugal quer trabalhar em conjunto com uma das startups espanholas que venceram o desafio. Horta e Costa não desvenda qual será a escolhida, mas fala de “um projeto concreto” que a CBRE tem Portugal e que poderá beneficiar do uso da tecnologia. “Num momento em que a promoção imobiliária está em alta em Portugal, com alguns projetos de grande dimensão, estas tecnologias permitem afinar o produto final no que diz respeito ao tipo de uso, ou tentando antecipar o tipo de utilizadores que vão habitar naquele empreendimento”, antecipa.

A próxima edição do Proptech Challenge arranca depois do verão. No concurso de 2018 participaram 181 startups, 21 das quais portuguesas. A edição de 2019 deverá ser alargada a “seis ou oito” países.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno, ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ

Peso da despesa com funcionários volta a cair para mínimos em 2020

26/10/2019 ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Conselho de Ministros aprovou Orçamento do Estado

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República portuguesa. Foto: REUTERS/Benoit Tessier

OE2020: PR avisa que é preciso “ir mais longe” em matérias como a saúde

Outros conteúdos GMG
Proptech Challenge. O imobiliário abriu a porta aos algoritmos