Imobiliário

Quanto vale a minha casa? A Urbiwise dá-lhe a resposta de graça

Fotografia: Arquivo/ Global Imagens
Fotografia: Arquivo/ Global Imagens

Não é uma agência imobiliária nem quer fazer-lhes frente, mas propõe-se a revolucionar o setor através da análise de dados.

Tem 28 pisos e quase 300 apartamentos, distribuídos por 90 metros de altura. O edifício Nova Póvoa, na Póvoa de Varzim, é o prédio com mais habitantes em Portugal. Para uma empresa de telecomunicações ou de eletricidade, é uma mina de oportunidades. É também o exemplo de “um tipo de informação que em Portugal mais ninguém tem” e que a Urbiwise quer transformar em negócio.

A empresa lançada esta terça-feira nasce com a ambição de revolucionar o mercado imobiliário na Europa, ao mesmo tempo que garante não ser concorrente das imobiliárias tradicionais. “Para começar, não vendemos casas, nem vamos vender”, sublinha Pedro André Martins, CEO da Urbiwise, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A empresa nasce com vários objetivos, explica o responsável: facilitar a venda, compra e arrendamento de casas ao consumidor comum, mas também potenciar negócios a imobiliárias, bancos, seguradoras, fundos de investimento ou utilities. Como? “Através da análise de dados e Inteligência Artificial avançada”.

Para o utilizador comum, a proposta é simples. A plataforma permite saber, sem custos, quanto vale o metro quadrado de uma casa, quer seja o vendedor, comprador, senhorio ou arrendatário.

“Se o utilizador não quiser registar-se na plataforma, basta inserir um código postal de sete dígitos e nós fornecemos o valor médio de arrendamento da casa, por metro quadrado, e o valor médio de venda das casas naquela área, ao nível da junta freguesia”, explica Pedro Martins.

Fazer o registo na plataforma dá acesso a mais informação. Nomeadamente, cerca de três páginas de dados sobre o valor da casa, a sua valorização nos últimos meses, ou o número de casas que estão à venda ou para arrendar na mesma na zona.

Mas também, adianta Pedro Martins, informação detalhada sobre o que existe à volta da casa. “Quando alguém compra uma casa quer perceber como é a zona em questões de segurança, quanto tempo demora a chegar ao trabalho, que escolas ou hospitais existem à volta, quais os pontos de interesse. Com a base de dados que criámos, temos muita informação que fornece este serviço”.

A “Bloomberg do imobiliário”

A base de dados da Urbiwise é composta por seis milhões de moradas e 650 mil casas. Dados anónimos que a empresa recolheu ao longo dos últimos anos a partir, sobretudo, de fontes públicas, como portais de imobiliário ou o próprio Google. Depois, é só pôr o algoritmo a trabalhar.

Para quem quer comprar casa e precisa de crédito à habitação, o valor estimado pela plataforma é apenas indicativo. “Mas testámos com 10 imobiliárias e os nossos valores andam muitíssimo próximos da realidade”, sublinha Pedro Martins.

O modelo de negócio da Urbiwise passa, no entanto, pela venda de informação a outras empresas. Há, para já, três ofertas disponíveis. A primeira é destinada a empresas com interesse no mercado imobiliário, que inclui rankings ou padrões detetados nas zonas de interesse da empresa.

Há um produto específico para fundos de investimento, grandes agências imobiliárias ou empresas de serviços, como elétricas. Aqui é feito um relatório personalizado para cada cliente e disponibilizado a cada dia, semana ou mês.

A terceira oferta é específica para agentes imobiliários, e permite ver que imóveis estão à venda numa zona, as casas que entram e saem do mercado, bem como os valores e características das habitações.

Pedro Martins dá exemplos. “A Inteligência Artificial é usada não só para avaliar casas mas, por exemplo, para detetar oportunidades de negócio com base na informação. Com os algoritmos fazemos análise preditiva, para prever quantas casas serão vendidas numa determinada rua, ou quais as zonas com mais poder de compra. Isto é útil para empresas de serviços saberem onde devem atuar. São informações que nunca ninguém trabalhou desta forma. Somos uma espécie de Bloomberg do imobiliário”, sintetiza.

O objetivo da Urbiwise é expandir o serviço para França e Alemanha já a partir do próximo ano. A empresa conta com seis investidores com experiência no setor da tecnologia e do imobiliário, que ao todo aplicaram meio milhão de euros no desenvolvimento da plataforma. Esperam faturar até 400 mil euros em 2020 e “duplicar ou triplicar a faturação” todos os anos daí para a frente.

A plataforma nasceu no seio da Singularity Digital Enterprise, uma tecnológica portuguesa parceira da Microsoft que trabalha dados internos e externos de empresas, e que já criou plataformas para a NOS ou para a ERSE.

“Há muitas coisas que fazemos e que não podemos dizer, porque temos acesso a dados altamente confidenciais. Trabalhamos com um clube de futebol, na análise preditiva das suas vendas ao longo do ano, por exemplo, explica Pedro Martins, que também é um dos fundadores da Singularity DE. Outro dos sócios da Urbiwise é o espanhol Javier Manãs, que em 2012 criou a primeira proptech da Europa, que depois vendeu ao BBVA.

A Urbiwise tem neste momento 10 trabalhadores, todos da área tecnológica, mas para fazer face à expansão prevê contratar 15 pessoas no próximo ano.

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