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Quem é a Mercari, o unicórnio japonês que é o OLX ‘em esteróides’?

O CEO da Mercari, Shintaro Yamada, durante a cerimónia que marcou a estreia da empresa na Bolsa de Tóquio, no dia 19 de junho. REUTERS/Kim Kyung-Hoon
O CEO da Mercari, Shintaro Yamada, durante a cerimónia que marcou a estreia da empresa na Bolsa de Tóquio, no dia 19 de junho. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

No Japão, a Mercari revelou-se um sucesso, com um marketplace através do smartphone. Estreou-se na Bolsa de Tóquio e as ações subiram 77%.

O panorama das startups japonesas pode parecer modesto, principalmente quando comparado com o número crescente de startups e os milhões de investimentos que são movimentados nos Estados Unidos ou inclusive na China. No início desta semana, iniciou-se o IPO (oferta pública inicial) da Mercari, fundada em 2013, pelas mãos de Shintaro Yamada.

O resultado? Uma bem-sucedida estreia na Bolsa de Tóquio, com as ações da empresa a atingirem os 6 mil yen (cerca de 47 euros), o que resultou numa valorização da empresa de 7,4 mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros).

Na prática, isto transforma o IPO da Mercari na maior até agora no mercado japonês. Para o investidor inicial da empresa, a United Inc, os analistas chegaram a falar na multiplicação até 149 vezes do investimento inicial feito, que rondava os 300 milhões de yen.

A unicórnio Mercari (fala-se numa empresa unicórnio quando se ultrapassa a marca de mil milhões de dólares) é uma das estrelas do limitado mundo das startups no Japão. O facto de o país ter grandes empresas, como a Sony, por exemplo, que oferece salários apetecíveis, torna o mundo do empreendedorismo menos aliciante.

Descrevendo-se como “a app de vendas”, a aplicação criada pela empresa está atualmente disponível também nos Estados Unidos e no Reino Unido. A app permite vender e comprar tudo através do smartphone, também com produtos usados, mas há uma grande diferença em relação a plataformas mais reconhecidas pelos portugueses, como o OLX: dispensa os encontros entre comprador e vendedor, preservando o anonimato.

E, se estamos a falar do mercado japonês, onde a discrição é valorizada, o anonimato torna-se numa grande vantagem. A juntar a isto, há ainda o facto de a Mercari ter uma presença maioritariamente mobile, quando grande parte da concorrência continua a optar pelas versões em desktop.

Através de parcerias com lojas de conveniência e distribuidores como a Yamato Transport ou com os correios japoneses, quem vende artigos através da Mercari não precisa de combinar locais ou ter de se encontrar com estranhos. Os artigos recebem uma etiqueta para entrega e são depois entregues ao destinatário. Nos Estados Unidos, a Mercari tem um acordo com a FedEx, que garante as entregas e as etiquetas para envio.

Fazer um anúncio para vender algo na aplicação é gratuito; para se financiar, a Mercari recolhe 10% de comissão por cada venda feita. Ao longo dos anos, a empresa contabiliza mais de 100 milhões de downloads e todos os dias são listados 100 mil produtos na aplicação. A empresa refere que tem 10,5 milhões de utilizadores ativos.

A chegada aos Estados Unidos
Com um escritório em São Francisco, a experiência americana da Mercari parece não ser tão proveitosa quando comparada com a operação japonesa. A expansão para o mercado norte-americano causou dissabores à empresa: no ano passado, o prejuízo foi de 4,2 mil milhões de yen, o equivalente a 33 mil milhões de euros.

A empresa tem vindo a tentar a consolidação no mercado dos Estados Unidos – e para isso investiu em campanhas publicitárias para alcançar algum reconhecimento no mercado americano. No entanto, a tarefa não se afigura facilitada: há que concorrer com gigantes como o eBay, por exemplo. Em conferências de imprensa, o CEO da Mercari já referiu que tem confiança na presença da Mercari em solo americano, acreditando que seja possível chegar a território positivo na operação dos Estados Unidos.

Na Europa, a empresa conta com um escritório em Londres e lançou oficialmente a app neste mercado no ano passado. Inaugurado em 2016, foi o primeiro escritório da Mercari em território europeu. Segundo a Reuters, Shintaro Yamada não nega que haja mais países no roadmap estratégico da Mercari – fala-se na Alemanha e em França para o processo de expansão europeu da empresa unicórnio.

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