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Quer casar com um vestido destes?

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Tudo corria bem no mundo de Joana e de Patrícia, mas só isso não chegava. As duas designers, amigas desde os tempos da Escola de Moda de Lisboa, conseguiram montar o seu atelier, fazem o que gostam, o negócio corre bem, mas agora querem mais: “Queremos tornar a nossa marca a marca de vestidos de noiva em Portugal”, contaram ao Dinheiro Vivo Joana Montez e Patrícia de Melo.

Para isso, terão, primeiro, de abrir as portas a novos investidores e encontrar uma fábrica capaz de produzir os seus vestidos. “Queremos alargar a oferta a vestidos de noite, sapatos, enfim, tudo o que engloba uma loja de vestidos de noiva, não só para fornecer lojas multimarca, mas também para abrir lojas próprias. É um projeto ambicioso. Nós temos o produto e o que nos falta é tornar o preço competitivo”, explicam.

Veja aqui o vídeo da entrevista

E tornar o preço competitivo não é mais do que baixar o custo dos vestidos de noiva, através da produção em fábrica. Atualmente, a coleção é assegurada por uma equipa de sete pessoas, entre modelista, corte e modistas.

E os vestidos, esses podem variar entre 2.200 e os seis mil euros. “O preço dos vestidos de coleção variam entre os 2.200 e os 3.400 euros. Se se tratar de um modelo exclusivo, os preços começam nos 3.000 e podem chegar aos 5.000 ou 6.000 euros”, explicaram. O vestido mais caro que já saiu das mãos de Joana Montez e de Patrícia de Melo custou 7.000 euros. O que tinha de especial? “Bordado”. Os tecidos, sobretudo seda, vêm todos de Itália, Holanda ou Hong Kong, porque o que existe em Portugal é vendido por revendedores que importam.

As negociações com empresários portugueses para a produção em Portugal estão a decorrer e o objetivo é ter tudo fechado a tempo do lançamento da coleção de 2015 (no caso dos vestidos de noiva, só há uma por ano), que deve estar nas lojas no final de setembro.

“Neste momento, já encontrámos o nosso parceiro. Temos que ter uma fábrica por detrás dito tudo”, adiantaram as estilistas, que começaram, em 2000, com uma loja num primeiro andar de um prédio no Largo de Camões, em Cascais, onde as pessoas faziam fila até à rua para experimentar os vestidos.

Joana e Patrícia mantiveram este espaço até 2008 para depois abrirem um atelier, também em Cascais. Este é, além de uma loja multimarca no Dubai, o único ponto de venda dos vestidos portugueses. O que vai mudar já a partir deste ano. As duas criativas, empresárias por necessidade, querem chegar a 10 lojas, em Portugal e no estrangeiro.

“Há espaço para nós na Europa, mesmo em Espanha, líder mundial em vestidos de noiva, com a Pronovias. Os espanhóis têm um estilo muito diferente do nosso”, garantem Joana e Patrícia. A marca portuguesa tem planos para entrar em duas ou três lojas em Portugal – uma em Lisboa e duas mais para Norte -, em quatro em Espanha, em Madrid e Barcelona, em Itália, França e Inglaterra.

“Os espaços estão mais ou menos identificados e o investimento para fornecer estas lojas, entre produzir, fotografar, catálogos e distribuição, pode variar entre os 100 mil e os 150 mil euros”, disseram ao Dinheiro Vivo. E o tipo de lojas eleito está à volta das galerias La Fayette, em Paris, ou o Harrods, em Londres: “Temos que estar em lojas que já trabalham o nosso target”, acrescentam. O projeto de abertura de lojas próprias avançará numa segunda fase.

Assim, sem fábrica, Joana Montez e Patrícia de Melo produzem, em média, 200 vestidos por ano. Questionadas sobre o volume de negócios de 2013, as duas amigas não quiseram revelar essa informação por estarem prestes a iniciar um novo projeto, mas considerando um preço médio de 2500 euros por vestido, a facturação anual poderá rondar os 500 mil euros. E agora, como será depois deste salto? Joana e Patrícia preferem deixar o mercado falar: “Acreditamos que o produto tem espaço para crescer, mas, neste momento, não conseguimos prever qual será o aumento das vendas”, dizem.

De Barcelona para o Grand CanyonO mundo destas duas amigas começou a mudar há uns anos, mais precisamente, em maio de 2012, quando decidiram participar na 22ª edição da Barcelona Bridal Week, o evento mais importante de noivas de todo o mundo. Na sequência da passagem pela passarelle Gaudí Novias, que se realiza desde 1989, a crítica, sobretudo a inglesa, foi poderosa e começaram a surgir os convites do estrangeiro.

O desfile não passou despercebido à modelo e empresária asiática Jessica Minh Anh, que fez o convite e Joana e Patrícia para participaram num dos desfiles mais mediáticos que aconteceram nos Estados Unidos durante o ano passado, o primeiro desfile realizado no Grand Canyon Skywalk, no Colorado, a 4000 pés de altura.

Os vestidos portugueses conquistaram a organização, que os escolheu para a fotografia oficial do evento. “Depois disso, o desfile não tem parado de passar na Fashion TV, em horário nobre. O primeiro passo para a nossa internacionalização foi dado com a ida a Barcelona”, admitem as estilistas, especialistas em vestidos de noiva.

Joana Montez e Patrícia de Melo já vestiram muitas noivas – “pessoas que gostam de moda e de vestir bem” – quais não contam, porque, dizem, não gostam de se promover através das pessoas que vestem, mas sim através do seu trabalho. Tudo começa com uma primeira visita ao atelier em Cascais. Fica o conselho das especialistas: não leve uma multidão: “É um momento de grande vulnerabilidade e, muitas vezes, muitas opiniões dificultam a escolha”, garantem.

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