Douro

Quinta da Pacheca: Os melhores vinhos à mesa dos franceses

Maria do Céu e Paulo Pereira investem em Portugal
Maria do Céu e Paulo Pereira investem em Portugal

Paulo Pereira e Maria do Céu Gonçalves, dois empresários portugueses radicados em França, nunca pensaram ser proprietários de uma quinta no Douro. Mas, em 2012, investiram mais de sete milhões de euros na aquisição da histórica Quinta da Pacheca e agora têm mais projetos em vista por todo o país. "A oportunidade de investir em Portugal é agora", diz o empresário.

“Nunca pensei que pudéssemos ser donos de algo tão grande e tão bonito”, confessa Maria do Céu Gonçalves, hoje satisfeita com os resultados do investimento, apenas possível devido à “ousadia” do sócio, Paulo Pereira. “Sim, vamos recuperar o investimento em muito pouco tempo”, sorri a empresária, nascida em Vila Real há 45 anos. Em 2014, a Quinta da Pacheca faturou 4,2 milhões de euros (este ano, deverá chegar aos 5 milhões), dos quais 3 milhões de euros em vinhos.

“Já houve quem nos quisesse comprar por muito mais do que pagámos, mas não queremos vender. Não foi um negócio de dinheiro, mas de pessoas”, acrescenta Paulo Pereira, 47 anos, natural de Felgueiras e emigrante desde bebé.

Maria do Céu gere as contas, o pessoal e a casa. Paulo idealiza, planeia, persiste e fecha negócios. Juntos, dividem os negócios da Agribéria, a principal distribuidora de produtos portugueses em França, e dois hotéis – um ainda em construção – em Orleans (França), da Quinta da Pacheca, e uma guesthouse que abre em outubro, no Porto.

A aposta em Portugal começou em 2012, quando um amigo lhes falou da Quinta da Pacheca, casa centenária do Douro – a primeira a engarrafar vinho de marca própria, em 1738 -, a precisar de investimento. A quarta geração da família Serpa Pimentel encabeçava as várias vertentes do negócio da quinta: Maria é enóloga, José é comercial e Catarina, a única que abandonou o projeto, ocupava-se das visitas e do recente Wine House Hotel.

“Havia a preocupação de manter os pais na quinta, por isso têm o usufruto da casa até ao fim da vida. Não corremos com ninguém, porque a história da quinta é deles e só podíamos beneficiar do savoir-faire de quem cá estava”, recorda Paulo Pereira.

Mais do que de dinheiro, nota Maria do Céu Gonçalves, a quinta implorava por uma “gestão empresarial, em vez da gestão familiar”, por estar “sempre aberta ao público” e por ter “uma equipa a sério”. Quando chegaram, só seis pessoas trabalhavam na quinta. Hoje são 42. “Demorámos 18 meses a constituir equipa, mas hoje temos os melhores”, assegura.

Desde que a quinta foi comprada, os seus 52 hectares de vinha nunca foram tão bem “espremidos”. A produção de vinho passou de 80 mil garrafas para 600 mil e este ano deverá chegar a 800 mil. No ano passado, 360 mil garrafas foram para França, 150 mil foram vendidas em Portugal e o restante seguiu para os EUA, Brasil, Angola e Bélgica. Este ano, já se exporta para novos mercados: Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Suíça.

Uma das mais importantes vitórias foi chegar à carta de vinhos de um dos restaurantes de Joel Robochun, o chef mais premiado do mundo, com 28 estrelas Michelin. Incluir o Grande Reserva Touriga Nacional Quinta da Pacheca na carta de vinhos do parisiense Le Atelier foi um desafio à medida da perseverança de Paulo Pereira. “Para lá chegar, tive de insistir: os franceses têm o melhor chef, nós temos o melhor vinho. A partir daí, o vinho falou por mim”, explica, confessando que “não percebia nada de vinhos” quando começou a trabalhar, no final dos anos 90, para um distribuidor de produtos portugueses.

Foi assim que conheceu Maria do Céu, na época dona de um restaurante nos arredores de Paris, a quem vendeu “umas paletes de vinho branco quase fora do prazo”. Maria do Céu zangou-se com o vendedor, conseguiu reaver o dinheiro e ficaram amigos. Em 2002, tornaram-se sócios na empresa de distribuição fundada por Paulo Pereira: a Agribéria, que fatura 100 milhões de euros por ano, emprega 142 pessoas e inclui a rede de supermercados Paniers du Monde, onde 80% dos produtos são portugueses.

“Como não gosto de comunitarismo, vendemos também produtos asiáticos, franceses, italianos…”, enumera Paulo Pereira. Esta filosofia da pluralidade de culturas é parente da “democratização do Douro” que o empresário quer implementar com a Quinta da Pacheca. “O Douro era muito fechado e aristocrático. Não devemos excluir ninguém”, diz.

Os turistas perceberam o convite e o Wine House Hotel, vencedor dos prémios de 2015 Best of Wine Tourism e Melhor Enoturismo Boa Cama Boa Mesa, tem estado “praticamente esgotado entre maio e as vindimas”.

Até 2016, está previsto o investimento de mais dois milhões de euros no projeto que acrescentará 12 quartos ao hotel, uma nova wine shop e uma cozinha para o pavilhão de eventos.

Com capacidade para 300 pessoas, é um espaço raro no Douro cuja agenda está, nesta altura, “esgotada em praticamente todos os fins de semana de verão, incluindo em 2016”. Os casamentos na Quinta da Pacheca já atraíram noivos de países longínquos como Nova Zelândia, EUA, Brasil e Alemanha.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
A Poveira, conserveira. Fotografia: Rui Oliveira / Global Imagens

Procura de bens essenciais dispara e fábricas reforçam produção ao limite

Fotografia: Regis Duvignau/Reuters

Quase 32 mil empresas recorrem ao lay-off. 552 mil trabalhadores em casa

coronavírus em Portugal (covid-19) corona vírus

266 mortos e 10 524 casos confirmados de covid-19 em Portugal

Quinta da Pacheca: Os melhores vinhos à mesa dos franceses