novos negócios

Rainha da Holanda calça português

Rodrigo Leite teve, no calçado, o primeiro emprego aos 11 anos. Ao calçado regressa, aos 87. (Fotografia: Tony Dias/Global Imagens)
Rodrigo Leite teve, no calçado, o primeiro emprego aos 11 anos. Ao calçado regressa, aos 87. (Fotografia: Tony Dias/Global Imagens)

Símbolo de luxo e glamour nos 80, os sapatos Paulo Brandão estão de volta. O empresário nortenho, Rodrigo Leite, comprou a marca e renovou a fábrica.

Passaram duas décadas desde que Paulo Brandão calçou Sarah Jessica Parker em O Sexo e a Cidade. A marca, que foi um ícone do calçado feminino de luxo na década de 80 e 90, renasce agora pelas mãos de Rodrigo Leite, o empresário que dedicou a vida aos transportes e à logística. Hoje, três dias depois de completar 87 anos, Rodrigo Leite inaugura oficialmente a nova fábrica VersãoLatina, em Oliveira de Azeméis, onde são produzidos os sapatos Paulo Brandão e até os sapatos da rainha da Holanda.

A bem da verdade, quem é cliente de Rodrigo Leite é Jan Jensen, o estilista que calça Máxima, a rainha da Holanda.

E que compra, sob a sua marca, na fábrica de Oliveira de Azeméis. O empresário investiu um milhão de euros na compra da marca Paulo Brandão e da unidade fabril VersãoLatina, bem como na sua renovação e ampliação.

No novo pavilhão da Zona Industrial de Travanca, que ocupa aproximadamente 900 metros quadrados, os cerca de 200 convidados poderão hoje conhecer a coleção de primavera/verão 2016 no desfile preparado para assinalar o momento.

A prioridade de Rodrigo Leite é devolver o brilho e o esplendor de outrora aos sapatos Paulo Brandão, que se demarcam, agora, de uma marca de autor para passarem a ser uma “marca de tendências com identidade própria.

Solicitações de clientes em regime de private label, como as de Jan Jensen, não faltam, mas Rodrigo Leite admite que ainda está a estudar se avança, em força, nesse segmento de negócios. “É uma aposta que estamos a encarar com alguma prudência. Teríamos de aumentar muito a produção para dar resposta a essas solicitações e não sei. Não está nada definido”, garante.

O que não invalida que esteja já a negociar mais uma máquina de corte automático. Um processo que leva alguns meses e o empresário até admite que a máquina acabará por se tornar necessária. É um equipamento que representa um investimento da ordem dos 100 a 150 mil euros e que, a ser adquirido, levará à contratação de mais quatro a cinco pessoas. “Mas ainda é muito cedo para pensar nisso. Os preços no private label são muito esmagados, temos de analisar muito bem se vale ou não a pena. Estamos aqui para ganhar dinheiro, não é para perder nem para fazer favores”, argumenta.

Só produz calçado de senhora, apesar das solicitações para que entre noutros sectores.

“É muito cedo”, volta à carga. A sua prioridade é devolver o brilho e o esplendor de outrora aos sapatos Paulo Brandão, que se demarcam, agora, de uma marca de autor para passarem a ser uma “marca de tendências com identidade própria”, procurada pelo “seu know how, originalidade, exclusividade e qualidade dos sapatos dedicados ao público feminino”.

Com 20 trabalhadores, a VersãoLatina está preparada para fazer até cem pares por dia. Para já, não vai além dos 80, já que “cada par de sapatos é trabalhado artesanalmente e com elevado nível de exigência”. O uso das peles de elevada qualidade e do vinil, os vernizes e a aplicação dos metais são exemplos de processos que exigem uma componente de trabalho manual muito especializado e que confere a cada sapato o seu carácter único no qual o conforto, mesmo nos saltos altos é obrigatório, é uma das prioridades e características distintivas da marca.

Com 20 trabalhadores, a VersãoLatina está preparada para fazer até cem pares por dia. (Fotografia: Tony Dias/Global Imagens)

Com 20 trabalhadores, a VersãoLatina está preparada para fazer até cem pares por dia.
(Fotografia: Tony Dias/Global Imagens)

Europa, Médio Oriente, Angola, África do Sul e Austrália são os principais mercados onde a Paulo Brandão está já representada. E embora esteja a encetar alguns contactos na China, Rodrigo Leite admite que “ainda é muito cedo para entrar, com qualidade” neste mercado. Já o Brasil e a Colômbia, onde a marca esteve presente na ColombiaModa, em julho, são países com grande interesse, mas “com direitos elevadíssimos”, o que torna difícil uma aposta com sucesso. “No Brasil os direitos alfandegários chegam a ser da ordem dos 60%”, diz Rodrigo Leite.

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