Reitoria. Grupo reforça Itália à mesa com abertura do Tra La Pasta Fresca

As massas frescas são a mais recente novidade do grupo de Frederico Azevedo. Negócio está a crescer, mas falta de trabalhadores e preços dos alimentos e da energia são preocupações maiores do que a pandemia.

O Tra La Pasta Fresca é a mais recente aposta de Frederico Azevedo, um food lover que fundou o conhecido restaurante portuense Reitoria. A gastronomia italiana ganha assim mais um espaço no grupo de restauração que, desde 2013, surpreendeu o mercado com as suas focaccia. O novo conceito está a ser explorado no Mercado Bom Sucesso, edifício icónico do Porto que reúne uma oferta variada de espaços gastronómicos de cozinha gourmet e tradicional. O segundo confinamento pandémico, já lá vai um ano, ofereceu a oportunidade desejada para o jovem empreendedor que deu vida ao projeto expandir a sua marca na cidade, associada desta vez às massas frescas tradicionais italianas.

"Apercebi-me que ia vagar um espaço e logo aquele que acreditei ter imenso potencial, pela sua localização e tamanho" e como já se tinha apercebido da tendência crescente no estrangeiro por massas frescas, associada a uma oferta quase inexistente no Porto, pôs mãos à obra. Com o Tra La, Frederico Azevedo decidiu lançar no mercado duas ofertas para cativar os amantes da cozinha italiana: a pasta fresca cozinhada e pronta a comer e a possibilidade de comprar a massa em cru, com o molho à parte, para cozinhar em casa num ambiente familiar ou entre amigos. E sem bandeira italiana ou toalha quadriculada vermelha e branca.

Como realça Frederico Azevedo, a pasta é produzida diariamente pelas equipas do Reitoria, com base numa receita própria, garantindo ao consumidor um produto único e autêntico. "Estamos muito satisfeitos com a procura que este conceito tem tido", desde a sua abertura em fevereiro deste ano. A aposta está a dar frutos. Afinal, "tal como a focaccia, a massa fresca reúne um conjunto de características que a tornam apetecível, não só para comer, mas também como negócio. E, como lembra o empreendedor, foi esse pão rústico italiano que serviu de inspiração à criação do seu negócio.

O primeiro Reitoria, na Baixa do Porto, abriu sob a influência de "uma trattoria italiana, que serve umas belíssimas focaccia em Lausanne, na Suíça, cidade que acolheu Frederico Azevedo quando estudou gestão hoteleira na escola local. Mas não só. Este projeto inicial no mundo da restauração, que teve a estrelinha de abrir num momento que "coincide com o surgimento do Porto no mapa turístico e toda a revolução que vimos acontecer na cidade, mais concretamente na Baixa", conjuga a cozinha italiana com a basca, que oferece a vertente das tapas e das carnes, especialmente a parrilla. No entretanto, abriu os RT Focaccias by Reitoria no Mercado Bom Sucesso e no NorteShopping, o Habitat Terra e Fogo e agora o Tra La.

Depois de dois anos de pandemia que impactaram fortemente o setor da restauração, o grupo Reitoria vê um futuro mais claro e auspicioso. Contudo, Frederico Azevedo não está para lançar foguetes. "Até à data, a procura tem estado bastante acima do ano passado - cerca de mais 30% em vendas -, impulsionada pelo regresso em força do turismo e do fim das restrições", mas se, por um lado, as contenções pandémicas "parecem ser uma coisa do passado, por outro, manda a experiência manter os pés bem assentes na terra". Por isso, o gestor optou por uma previsão de faturação "moderadamente defensiva" para 2022, na ordem dos três milhões de euros. Ainda assim, é uma estimativa de forte crescimento face ao ano pré-pandémico, quando o grupo faturou 2,2 milhões com os quatro restaurantes que tinha na altura em operação.

Frederico Azevedo, que desde o início do negócio já investiu 1,7 milhões de euros, vê algumas pedras no sapato no futuro próximo: o aumento dos preços dos alimentos e da energia é um desafio que "poderá ser ainda mais exigente do que a própria pandemia". Na sua opinião, os modelos de negócio terão de ser revistos. "O aumento de preços é uma das várias estratégias que poderão ser usadas, mas não podemos esquecer o impacto que o aumento das taxas de juro e a inflação terão no poder de compra das pessoas".

Outra das dificuldades é a contratação de colaboradores. O grupo emprega 70 pessoas e "mais empregaria se conseguíssemos contratar". Para ultrapassar este problema, defende que "os empresários devem repensar as condições de trabalho que oferecem aos seus trabalhadores, os funcionários devem reequacionar a forma como abordam a profissão e a relação com a entidade empregadora e, por último, deveria ser criado um plano fiscal adaptado ao setor.

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