Remote chega a 90 países até final do ano com salário mínimo anual de 35 mil euros

Startup cofundada pelo português Marcelo Lebre continua lançada na sua estratégia de expansão. A garantia deixada pelo COO é de chegar a 90 países até fim do ano, mantendo um salário mínimo anual de 35 mil euros.

Passaram-se praticamente quatro anos desde que foi fundada e a Remote continua firme no seu crescimento. Até ao final do ano, a plataforma de gestão de recursos humanos em teletrabalho vai expandir a sua presença dos atuais 70 para 90 países, mantendo um salário mínimo anual de 35 mil euros, disse esta quinta-feira o seu cofundador e COO (chief operating officer), Marcelo Lebre, ao Dinheiro Vivo, numa entrevista à margem da Web Summit.

Segundo contou o responsável, neste momento, os principais desafios do unicórnio com ADN português são expandir os seus produtos principais para os vários mercados, continuar a atrair negócio e a servir as empresas e as pessoas que através da plataforma são contratadas. No fundo, pontos que considera serem transversais a todas as empresas com um pico de crescimento semelhante ao da Remote.

Já uma dificuldade que aparenta não ter em comum com os negócios "irmãos" é a tão falada escassez de talento, uma vez que, em julho deste ano, a startup procedeu ao despedimento de 100 colaboradores, dos quais oito em Portugal - "e não 8% da equipa" lusa, "como tinha sido avançado", esclareceu.

"Tendo em conta que estamos perante uma crise financeira, aquilo que fizemos foi decidir sobre aquilo que não íamos continuar a investir, para poder reforçar e continuar com outras áreas", explicou Marcelo Lebre, quando questionado sobre o motivo da decisão e de que forma poderia ela produzir um efeito positivo a longo prazo no percurso da empresa. Esta é "a parte infeliz de uma análise de investimento", lamentou.

Empreender nos dias de hoje

Está a tornar-se mais fácil empreender em Portugal nos dias de hoje. Mas esta não é ainda uma tarefa descomplicada. Para o cofundador da Remote, "cada vez mais se normaliza o facto de as pessoas poderem criar o seu próprio negócio" - e os muitos programas governamentais e privados que existem, ajudam as pessoas a "prosseguir os seus sonhos", incentivando "novas ideias e novos negócios".

Numa conferência de imprensa durante o segundo dia da cimeira tecnológica, Marcelo Lebre disse que o desafio atual do ecossistema de empreendedorismo nacional consiste em descobrir novas formas de atrair startups, investidores e talento. No entanto, quando olhamos para os sete unicórnios com identidade lusa, a grande maioria escolheu sediar-se fora de terras lusitanas, nomeadamente nos Estados Unidos e Reino Unido. Contrariará esta realidade o discurso frequente propalado?

"Aqui não se trata dos empreendedores não quererem ter sede cá [em Portugal]. Trata-se simplesmente de no mundo das startups, o investimento ser feito tipicamente através de grandes fundos que existem por todo o mundo. Ao investirem, [estes fundos] precisam de garantias dos governos locais de que terão acesso ao seu retorno, tendo em conta as leis e as diretivas que conhecem", justificou o empreendedor, dizendo ainda que o país "não está propriamente na lista" dos quais grande parte dos investidores está à vontade para fazer este tipo de negócio.

O desconhecido assusta os investidores. E, além disso, o período que demora para um investidor externo poder investir numa empresa em Portugal "é tão largo" (levando só a parte burocrática vários meses) "que a empresa pode deixar de existir", isto porque "as startups têm um período de tesouraria (e de vida) muito curto". Segundo o COO, passos "muito largos" têm de ser dados neste sentido.

Um novo enquadramento legal, sobre o qual se tem especulado nas últimas semanas, deverá ser parte da solução para que as empresas escolham Portugal como destino da sede. Agora membro do conselho estratégico da Startup Portugal, Marcelo Lebre garante que é nisso que a iniciativa pública está a trabalhar, lado a lado com o Governo.

A par, pretende-se ainda criar "um contexto fiscal, corporativo e financeiro dentro do país que permita e dê confiança aos investidores externos investirem nas empresas" portuguesas, garantiu.

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