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Ricardo Vice Santos: Um programador português em Nova Iorque

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Tem 26 anos e está à frente de uma equipa de engenheiros que
coordena o Spotify – esse mesmo, o serviço online que permite ouvir
música gratuitamente e de forma legal que chegou a Portugal na
semana passada. Ricardo Vice Santos é um dos quatro portugueses que
trabalham para que mais de 20 milhões de pessoas possam ouvir música
em streaming a partir de 23 países.

Leia aqui a entrevista a Ricardo Vice Santos

Em 2009, Ricardo vivia em Barcelona e conheceu o Spotify através
de amigos suecos. Em 2010, rumou à Escandinávia, passou por
Helsínquia (onde só ficou uma semana) e desceu até Estocolmo,
depois de contínuas chamadas telefónicas com o serviço de música
streaming que estava então a começar. No outono de 2011, mudou-se
para Nova Iorque para fundar do zero uma equipa de engenheiros de
software de um dos serviços mais populares do mundo.

Ricardo Vice Santos, 26 anos, nasceu em Lisboa, cresceu em Faro, e
não chegou a acabar o curso no Técnico. O seu percurso e perfil são
tudo menos ortodoxos – uma história cada vez mais comum no mundo da
tecnologia.

“Quando era ainda mais novo era muito virado para história e
queria ser egiptólogo ou algo assim. Depois, por volta dos 12 ou 13,
comecei a programar por interesse próprio. Apanhei o bichinho das
start–ups ao ler sobre os muitos empreendedores da área das
tecnologias, ao acompanhar as suas biografias.” Hoje, trabalha
com um deles. Daniel Ek, CEO do Spotify, fez 30 anos esta semana, e
fundou a sua primeira empresa aos 14. Esteve por detrás do popular
µTorrent e aos 29 anos entrou na lista das pessoas mais ricas do
Reino Unido, com uma fortuna avaliada em 190 milhões de libras
(cerca de 220 milhões de euros, algo parecido com o que tem Mick
Jagger ou o casal Beckham). Tal como Ricardo, Ek não acabou o curso
que começou no Royal Institute of Technology, em Estocolmo.

“É bem-disposto, calmo, ambicioso, carismático, humilde,
presente”, descreve Ricardo Vice Santos. “E pensa sempre a
longo prazo. Apesar de termos escritórios em todo o mundo, ele
visita com regularidade os principais. Isso é muito bom, as pessoas
gostam de o ver e de conversar com ele. Às vezes vamos almoçar
juntos. Jogamos FIFA, conversamos casualmente de episódios
engraçados, do Spotify, de música, de empresas, tecnologia ou
futebol.”

Cinco anos antes de entrar para o Spotify, quando ainda estudava
na secundária em Faro, Ricardo Vice Santos ganhou as Olimpíadas
Nacionais de Informática. Como consequência, foi convidado pela
Gulbenkian a participar numa palestra, em Londres, no verão de 2006.
Hoje, parte do seu trabalho é precisamente andar pelos Estados
Unidos e pela Europa a dar conferências. Da primeira experiência,
recorda-se de que foi também a primeira vez que viajou de avião.
Mas esta foi a menor das coisas que o marcou. “Nesta conferência
participaram jovens brilhantes de todo o mundo e de diferentes
culturas, selecionados pelos respetivos países nas áreas de física,
matemática, biologia, informática, etc. Esta foi, na verdade, não
só a primeira vez que viajei de avião como a minha estreia num
ambiente tão multicultural. Para além de fazer amigos para a vida,
também me abriu os horizontes e curiosidade para o que estava lá
fora.”

O futuro era promissor, mas nem por isso começou como um génio.
Um dos seus primeiros trabalhos foi “carregar malas no aeroporto
de Faro”, depois de ter sido obrigado a deixar os estudos a meio
por questões familiares. “Sempre acreditei que, fosse o que
fosse que eu quisesse, estava ao meu alcance e que dependia de mim e
só de mim lá chegar. Até admito que possa nem sempre ser assim,
mas prefiro acreditar cegamente nisto do que acreditar na sorte ou no
azar e assumir que não tenho o controlo do meu destino.”

Antes de se me mudar para Barcelona trabalhou um ano e meio numa
start-up em Miraflores, a Guestcentric. Sair do país não era
obrigatório. “Podia sentir-me realizado em Portugal. Nem tudo
era perfeito, mas também nunca é, e não serve de desculpa. Não
tenho como objetivo voltar só por voltar, mas também não digo que
não, dependeria do projeto. Também não penso ficar para sempre nos
Estados Unidos. Ainda tenho curiosidade de experimentar outros
países. Seja como for, com a facilidade de transportes e
comunicação, julgo que o sítio onde vivo é o menos relevante.”

O Spotify faz parte desse grupo de tecnológicas onde o staff é o
mais internacional possível. No mundo inteiro, emprega cerca de 700
pessoas. “Mais do que trabalhadores, somos utilizadores do nosso
serviço e como tal temos todos opiniões e vontade de o tornar ainda
melhor. É uma vantagem que nem todas as empresas têm, mas que
resulta em motivação.” Nos últimos meses, parte do trabalho
de Ricardo Vice Santos está diretamente ligada a aumentar essa
equipa. Um conselho a quem lhe queira seguir os passos? “Estamos
a contratar. Se alguém se quiser juntar a nós, o meu Twitter é
@ricardovice.”

Retrato

Portugal é o vigésimo país a adotar o Spotify, um serviço
online que permite ouvir música gratuitamente e de forma legal. Tem
20 milhões de utilizadores ativos em todo o mundo. Ricardo conheceu
o Spotify através de amigos suecos, em 2009, quando vivia em
Barcelona. Telefonou para os escritórios e perguntou se podia
aparecer em Estocolmo no dia seguinte para uma entrevista. Em 2011
seguiu para Nova Iorque. Siga-o no Twitter

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