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RightCo. Melhorar as cidades com um ecrã e a ponta dos dedos

Nuno Miguel Firmo e é CEO da Rightco, dona da app Nossa Freguesia.
Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens
Nuno Miguel Firmo e é CEO da Rightco, dona da app Nossa Freguesia. Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens

A startup de Alcácer do Sal quer ter uma voz na construção das smart cities.

Imagine que está a passear com a sua família e encontra uma estátua da cidade vandalizada, um buraco na estrada ou um monte de lixo acumulado junto a um muro. O que faria? Possivelmente, até ao mês passado, haveria pouco para fazer, no momento. Se quisesse reportar a ocorrência às autoridades, seria difícil perceber a quem se deveria dirigir e garantir que a mensagem seria entregue ao destinatário correto.

É esse o problema que a aplicação para smartphones Nossa Freguesia, desenvolvida pela startup portuguesa RightCo, pretende resolver. “Um cidadão só tem que entrar na app, escolher a categoria da ocorrência – pode ser património, higiene urbana, mobilidade, segurança, espaço público ou outros – e a mensagem será redirecionada para a respetiva freguesia”, explica Nuno Miguel Firmo, 31 anos, fundador e CEO da RightCo.

A aventura do fazedor no mundo do empreendedorismo e da tecnologia começou há cerca de três anos. O bichinho das smart cities (cidades inteligentes) já vem detrás. “Eu e amigos de faculdade fazíamos parte de uma associação e, ao repararmos em certos problemas que encontrávamos na zona onde morávamos, decidimos lançar campanhas e fizemos umas iniciativas giras para tentar resolver a situação,” conta. À vontade de melhorar a cidade juntou-se a inclinação para projetos de georreferenciação. Somou a estes ingredientes uma licenciatura em Economia, a vontade de profissionalizar o que já fazia de forma voluntária e, em 2014, nasceu a RightCo, uma empresa destinada a desenvolver produtos que ajudassem na criação de cidades inteligentes.

A aplicação Nossa Freguesia foi, até ao momento, o maior projeto. Iniciado no ano passado, ganhou vida em março, quando a app ficou disponível para os cidadãos em IOS, Android e web. Ao mesmo tempo, fechou o primeiro cliente, a freguesia de Penha de França, em Lisboa, que teve direito a um serviço integrado, mais completo, e à sua própria aplicação, a iPenha. “Ainda é tudo muito recente, mas está a correr muito bem. O nosso objetivo é fecharmos 2017 com 150 mil ocorrências submetidas. Até ao momento, já temos mais de uma centena de utilizadores, e estamos em contatos e de reuniões marcadas com cerca de 50 outros municípios e entidades”, explica Nuno. “Só que, como estamos em período eleitoral, há muita burocracia e muita indecisão que é preciso atravessar para as coisas ficarem tratadas.”

Sediada em Alcácer do Sal, a RightCo está também incubada virtualmente na Startup Lisboa e no BizSpark da Microsoft. Atualmente tem dez colaboradores. “Nos próximos cinco anos, gostaria de ter capacidade financeira para estarmos a funcionar com cerca de 50 funcionários,” revela o CEO. Com uma parceria de estágios com algumas universidades técnicas da capital, muito do trabalho da RightCo é direcionado para o desenvolvimento de novos produtos tecnológicos. Até ao final do ano, pretende lançar mais cinco novos serviços, independentes mas complementares à Nossa Freguesia, e faturar um total de 150 mil euros.

Todo o investimento da startup até ao momento foi feito com fundos próprios, apoios comunitários e um crédito bancário. “No início foi utilizando aquela máxima do Family, Friends and Fools (família, amigos e parvos). Foram os meus pais que me ajudaram. Depois recorremos a um banco e, no ano passado, soubemos que tínhamos sido aprovados para receber dinheiro comunitário para avançar com a internacionalização do projeto”, explica Nuno Miguel Firmo que acredita que o modelo dos projetos da RightCo é escalável a outros países. “Ficar só em Portugal, a trabalhar a área das smart cities, não traria grande lucro. Por decidimos olhar para fora do país e apostar também lá fora.”

“Nos próximos cinco anos, gostaria de ter capacidade financeira para estarmos a funcionar com cerca de 50 funcionários,”

Cabo Verde tem sido o próximo alvo na mira da startup portuguesa. “Eu queria ir para um país de língua portuguesa em África. Fizemos um estudo de mercado e percebemos que Angola está impossível, Moçambique também era difícil, mas Cabo Verde era ideal. Tem uma economia estável e está a investir em infraestruturas,” detalha o fundador que, depois de ter já ido duas vezes ao país, passou a receber diversos pedidos de municípios interessados em ser clientes da aplicação Nossa Freguesia. Contudo Nuno Firmo reconhece que, se em Portugal os processos podem demorar, em Cabo Verde a lentidão acentua-se.

Leia aqui: Sabe qual é a freguesia mais antiga de Lisboa?

O mesmo não acontece na Dinamarca, outro país no radar da RightCo. “Trabalhamos muito com o ISCTE que nos está a abrir a porta a uma parceria com a universidade de Aalborg, para um projeto de job sharing, ou seja partilhamos colaboradores e conhecimento, em que eles veem o que estamos a fazer cá e nós o que fazem eles lá”, detalha o fazedor, que conta que esta oportunidade já o levou à Dinamarca, tendo vindo de lá com pontes de trabalho em vista. “Os dinamarqueses, sendo bastante diferentes dos portugueses, são um povo muito aberto. São recetivos ao nosso conhecimento. Eles querem mesmo perceber de que forma podem aproveitar as nossas ferramentas e tudo o que estamos a fazer por cá”, assegura o fundador da startup.

Internacionalizações à parte, a equipa da startup não esquece Portugal, onde Nuno admite haver ainda muito trabalho para fazer, mercado para conquistar e quilómetros para percorrer. Mas sempre com o seu canto no distrito de Setúbal guardado no coração. “Temos muito orgulho de ser uma startup de Alcácer do Sal, que é um sítio lindíssimo, a exportar para o mundo e a resolver os problemas das cidades,” assume.

Apps. Tecnologia chega em força aos municípios

Com as eleições autárquicas a aproximarem-se, o número de aplicações relacionadas com câmaras municipais e freguesias não para de crescer. Ao longo do último ano, foram várias as localidades, de norte a sul do país, que anunciaram apps para se relacionarem com os moradores. Ansião, em Leiria, São Victor, em Braga, Porto Salvo, em Oeiras, Estrela, em Lisboa, são alguns exemplos de autarquias cujos serviços estão disponíveis para IOS e Android e que podem ser acedidos através de um tablet ou smartphone. Desde sugestões de cultura, iniciativas para promover a cidadania ou georreferenciação aplicada a vários setores, o leque de produtos para os cidadãos é vasto e variado.

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