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ROM Boats. Os barcos não são todos iguais

Jorge Martins não gosta de barcos brancos e o primeiro ROM tinha de ser preto. Só que as camadas de verniz permitem-lhe ser camaleónico. Os acabamentos e o equipamento de luxo são todos personalizáveis.

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Jorge Martins não gosta de barcos brancos e o primeiro ROM tinha de ser preto. Só que as camadas de verniz permitem-lhe ser camaleónico. Os acabamentos e o equipamento de luxo são todos personalizáveis. FOTO: Direitos reservados

Da liderança de uma multinacional para a proa dos seus próprios barcos de luxo. Jorge Martins fugiu aos escritórios e lançou a ROM, uma marca de barcos personalizados.

A liderança de uma multinacional de consultoria e tecnologia pedia a Jorge Martins momentos de escape. O então CEO da Capgemini encontrou esses momentos “para arejar um bocadinho” no mar. A primeira experiência foi com um barco usado e foi quando quis fazer um upgrade e comprar um barco novo que se instalou a dúvida: teriam os barcos de recreio de ser todos iguais? Jorge Martins queria um barco preto e, por muito que o tenha procurado, não havia. “Pedia a várias marcas se podiam mudar a cor, ou ter algumas coisas diferentes e só diziam “isso não fazemos”. Se não havia hipóteses de personalização, Jorge Martins criou-as.

Em 2017, o stress de uma multinacional acabou por dar lugar à sua ideia de conseguir um barco personalizado e com o seu desenho lançou a ROM – Rebuild Ocean Motivation. O objetivo não era de apenas permitir escolher a cor, mas de personalizar todo um barco com acabamentos de luxo. “Nunca tinha feito um barco na vida, desenhei aquilo que gostava de ver na água.”

A primeira fase da empresa foi quase de investigação, para conhecer o mercado e saber com quanta fibra de vidro se faz um barco. Os primeiros desenhos estiveram em exposição na Ar.Co Lisboa e acabou por escolher a indústria naval polaca para fazer os primeiros ROM, com o apoio de um gabinete de design de Madrid para que os barcos cruzem as águas traquilamente. Para isso, contam já com certificação para o mercado europeu, americano e asiático.

O primeiro modelo, o ROM 28, por ter 28 pés de comprimento, vai ter apenas 20 unidades, mas personalizáveis à medida do gosto de cada um. “Cada cliente tem o direito de ter o seu próprio barco, único e não copiável. Este nível de personalização só havia em iates.” O casco em bruto chega da Polónia para o estaleiro da empresa em Aveiro, que conta já com uma equipa de sete pessoas, com idades entre os 25 e os 68 anos. A região tem uma longa tradição na construção naval e a empresa consegue assim aproveitar a experiência em áreas desde os compósitos, carpintaria, estofos, metalomecânica, engenharia e design.

A ROM conta já com um investimento superior a um milhão de euros, entre capitais próprios e financiamento, e as primeiras unidades deste 28 já estão encomendadas, mas Jorge Martins não quer ficar por aqui. O estaleiro está ainda a fazer recuperação de barcos antigos, tendo começado por um Chris-Craft, um dos modelos usados na série Miami Vice, que foi recuperado e modernizado.

O primeiro ROM, como não podia deixar de ser, é preto, mas “camaleónico. Tem cinco camadas de verniz no casco e acaba por refletir o ambiente em que está. Se estiver na Arrábida, perto de Setúbal, vai ser verde, se estiver em águas mais azuis, vai ser azul”. Mas os restantes ROM 28 podem ser diferentes. Jorge Martins conta com a designer Catarina Granjo para apoiar os clientes no desenho de cada barco. Podem mudar as cores, os estofos o equipamento ou até o volante.

“Queremos que seja um pouco um Balenciaga dos barcos. Se reparar, fizemos por que não tenha o verdugo, a separação entre o casco e a parte de cima do barco. No nosso fica como uma peça só. Sabemos que ninguém está a fazer barcos assim e a diferença sobre a concorrência é o grau de personalização. Podemos mesmo ter uma tinta com diamantes, depende sempre do que cada um quiser”, continua, antes de referir que a qualidade destes ROM tem em conta os tecidos, preparados para a chuva e o mar, o equipamento a bordo é redundante para evitar falhas e pode mesmo ter frigorífico, um ecrã na cabina com acesso à internet e ligação a uma câmara subaquática, porque a experiência a bordo destes barcos é fundamental.

“O barco tem tudo, mas tem linhas simples e quando se olha para ele parece que não tem nada.” Os motores são MerCruiser, a gasolina ou a diesel, entre os 250 e os 450 cavalos de potência, uma vez mais a serem escolhidos pelo cliente. Os valores finais estarão entre os 240 mil e os 300 mil euros.

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